História

Brasil Colônia – História, colonização, capitanias e governo geral

Brasil Colônia é um dos períodos que compõem a história do país, compreendido entre 1530 e 1822, ou seja, até a Independência do Brasil.

Atualizado em 22/07/2020

Se analisarmos a história do Brasil, é possível ver que, até chegar ao que temos hoje, o país passou por diversos períodos históricos. Dentre eles, está o período do Brasil Colônia, compreendido entre 1530 a 1822. Os trinta anos que antecedem o período colonial é caracterizado como período pré-colonial, ou seja, antes da chegada dos portugueses ao país.

Assim, em 1530, o governo português mandou ao país a primeira expedição colonizadora. Naquela época, quem estava à frente da missão era Martim Afonso de Souza. Após dois anos, em 1532, Afonso de Souza já havia fundado a primeira vila de povoamento no país, chamada de Vila de São Vicente. A vila estava localizada onde hoje está o estado de São Paulo.

A princípio, antes mesmo de iniciar o período colonial, a economia do país estava centrada na exploração do pau-brasil. Os portugueses que chegaram às terras brasileiras exploravam a madeira do pau-brasil para tingir tecidos. Além disso, utilizavam a mão-de-obra dos índios. Em troca, recebiam objetos como metais, espelhos, etc. Essa troca era conhecida como escambo.

História do Brasil Colônia

O período colonial tem início, no Brasil, após a chegada de Martim Afonso de Sousa, em 1530. Afonso de Sousa foi mandado para o Brasil por D. João III a fim de realizar uma expedição colonizadora na colônia recém-descoberta. Após a chegada, Afonso de Sousa fundou a primeira vila de povoamento. Em seguida, o litoral brasileiro foi dividido em lotes de terras.

Brasil Colônia - História, colonização, capitanias e governo geral
Índios sob domínio português

Em síntese, os lotes foram chamados de capitanias hereditárias. Nesse sentido, o principal objetivo das expedições colonizadoras eram combater a ação de comerciantes franceses, além de piratas. Assim, dividir o território em lotes foi uma maneira de garantir a posse das terras que foram delimitadas pelo Tratado de Tordesilhas.

Após a divisão dos lotes, ou seja, das capitanias hereditárias, cada pedaço de terra foi destinado à donatários. Dessa forma, os donatários eram responsáveis por explorar os metais preciosos e manter o cultivo de cana-de-açúcar. Ao todo, do litoral de Pernambuco até o rio da Prata, foram 15 capitanias hereditárias.

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Divisão das capitanias hereditárias

Os donatários receberam o documento de posse das terras, chamado de carta de doação e floral. Nesse sentido, as capitanias hereditárias foram divididas em:

  • Pará – João de Barros e Aires a Cunha
  • Maranhão – Fernando Álvares de Andrade
  • Piauí – Antônio Cardoso de Barros
  • Rio Grande- João de Barros e Aires da Cunha
  • Itamaracá – Pero Lopes de Souza
  • Pernambuco- Duarte Coelho
  • Baía de Todos os Santos – Francisco Pereira Coutinho
  • Ilhéus – Jorge Pereira Coutinho
  • Porto Seguro – Pero de Campo Tourinho
  • Espírito Santo – Vasco Fernandes Coutinho
  • São Tomé- Pero de Góis
  • Rio de Janeiro – Martim Afonso de Souza
  • Santo Amaro – Pero Lopes de Souza
  • São Vicente – Martim Afonso de Souza
  • Santana – Pero Lopes de Souza

Governo Geral

m síntese, após a criação das capitanias hereditárias, foi criado no Brasil Colônia o primeiro governo-geral, em 1548. As capitanias não deixaram de existir, mas muitas sofreram por fala de recursos financeiros. Além disso, as terras eram constantemente ameaçadas por estrangeiros. Outro fator que levou algumas capitanias ao fraco foi a distância em relação à Metrópole.

Nesse sentido, Portugal decidiu que criar um governo-geral era uma forma de se livrar das ameaças estrangeiras, além de reduzir o poder dos donatários. Com isso, a corte almejava formar um comando geral que fosse possível de ser controlado na colônia. O ponto selecionado para ser a sede do governo foi a Bahia. Isso porque, a região estava localizada num ponto estratégico entre as demais capitanias.

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Desembarque de Mem de Sá, Estácio de Sá e Manuel da Nóbrega na Baía de Guanabara

A principio, foi definido três governadores gerais, que governaram entre 1549 e 1572. Dessa forma, o primeiro governador foi Tomé de Souza, responsável por fundar a primeira capital da colônia, Salvador. Tomé de Souza governou de 1549 a 1553. Em seguida, o segundo governador foi Duarte da Costa, que se manteve no comando das terras até 1558.

Depois, foi a vez de Mem de Sá, terceiro governador geral. Mem de Sá permaneceu no poder até 1572, sendo responsável por fundar a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Além disso, enquanto esteve no poder, os franceses que estavam no Brasil foram expulsos. Mem de Sá foi substituído pelo sucessor, após sua morte.

Unificação Ibérica

Assim, Dom Luís de Vasconcelos, após 1572, foi quem assumiu o governo-geral no Brasil Colônia. Entretanto, o governo português decidiu que as terras seriam divididas em dois governos: o Governo do Norte (sede em Salvador); e o Governo do Sul (sede no Rio de Janeiro). Em 1580, os espanhóis dominaram as colônias portuguesas, inclusive Portugal, e permaneceram no domínio até 1640.

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Unificação Ibérica

Ainda sob domínio da Espanha, em 1621, o Brasil foi dividido em dois estados, diferente da divisão feita anteriormente: o Estado do Maranhão e o Estado do Brasil. O período que ficou conhecido como Unificação Ibérica só finalizou quando, em 1774, Marquês de Pombal decretou a unificação dos estados.

A sociedade no Brasil Colônia

A sociedade do período colonial era composta por índios, negros africanos e brancos europeus, especialmente portugueses. Neste caso, os índios eram os povos que já habitavam as terras antes mesmo da chegada dos portugueses. Ao longo história, os negros africanos foram trazidos à força para as terras brasileiras em navios negreiros, no período da escravidão. Já os portugueses, pertenciam a pequena nobreza.

Ou seja, naquela época, a sociedade era formada por uma diversidade cultural muito grande. Eram línguas diferentes, além de costumes e tradições praticados de maneira própria por cada etnia. A cultura africana, por exemplo, foi parte essencial da identidade do Brasil, além da cultura indígena.

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Pessoas que trabalham nos engenhos de açúcar

O que movia a economia do Brasil Colônia eram os engenhos. Normalmente, os escravos trabalhavam no cultivo da cana-de-açúcar, auxiliados, muitas das vezes, pela mão-de-obra indígena. Quem comandava tudo era o senhor de engenho, também chamado de “senhor da casa grande”. Nas proximidades dos engenhos, moravam os padres, alguns negros escravos, trabalhadores livres, etc.

Terras portuguesas ameaçadas

Antes mesmo de Portugal fixar as terras brasileiras como colônia, a presença de comerciantes franceses e piratas no litoral brasileiro era grande. Isso porque, já era de conhecimento da grande maioria que as terras do Brasil possuíam preciosidades. Esse foi um dos motivos que despertou o interesse de outras metrópoles.

Em 1555, as terras brasileiras foram invadidas pelos franceses. Na ocasião, a França conquistou o Rio de Janeiro e fundaram e a França Antártica. Somente após 12 anos de domínio, os franceses foram expulsos em 1567. Em seguida, uma nova invasão francesa, agora em 1612, foi a deixa para que a França estabelecesse no país a “França Equinocial”.

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Invasão holandesa

Os ingleses também tinham interesse nas terras portuguesas. No entanto, os ataques estavam concentrados em assaltos promovidos por piratas, que saqueavam os portos brasileiros. Além disso, os piratas e corsários foram responsáveis por invadir as cidades de Santos e Recife e o litoral do Espírito Santo.

Durante o domínio espanhol, o Brasil foi invadido duas vezes pelos holandeses. A primeira invasão ocorreu na sede do Governo Geral, na Bahia. Porém, a invasão durou menos de um ano, entre 1624-1625. Em seguida, os holandeses invadiram a capitania de Pernambuco, em 1630. Com a chegada de Maurício de Nassau, o domínio holandês foi consolidado e permaneceu até 1654, quando foram expulsos do Brasil.

Ciclo do ouro

A primeira fonte de riqueza do Brasil Colônia, certamente, foi a produção de cana-de-açúcar. No entanto, o real intuito da exploração no país era o sonho dos colonizadores em encontrar metais precisos no país. Assim, as primeiras buscas por ouro, principalmente, começaram na região de Minas Gerais, na década de 1960.

Nesse sentido, a mineração ganhou força e, no século XVIII, constituía a principal fonte de riqueza de Portugal. Por conta do Ciclo do Ouro e do Ciclo do Diamante, o Brasil Colônia passou por profundas mudanças, especialmente em relação ao crescimento urbano e do comércio.

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Ciclo do ouro

Após a exploração sem fim das minas, já no final do século XVIII, Portugal já não podia contar com a rentabilidade do ouro ou dos diamantes. A partir disso, foi necessário estabelecer uma nova forma de economia. Assim, uma nova atividade econômica surgiu, baseada do sistema de plantation que, naquela época, estava relacionado à plantação de café.

Crise no sistema colonial

O período colonial começou a entrar em crise quando, em 1640, Portugal possuía apenas a renda gerada pelo Brasil para se manter. Por conta disso, o governo português estabeleceu altos impostos sobre a população, além de estreitar as atividades econômicas no país. Na ocasião, o comércio com estrangeiros foi proibido.

O cenário político que Portugal estava causando, desagradou a economia. Assim, várias revoltas surgiram na época, como a Revolta de Beckman, em 1684, no Maranhão. Além disso, duas outras revoltas também ficaram marcadas, sendo a Guerra dos Emboabas, em Minas Gerais e a Guerra dos Mascates, em Pernambuco.

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Independência do Brasil

Já no final do século XVIII, os movimentos separatistas foram formados com o intuito de libertar o Brasil do domínio português. Neste período, destacam-se a Inconfidência Mineira, em 1789, e a Conjuração Baiana, em 1798. Portanto, após a invasão de Portugal, o reino foi transferido para o Brasil. Por fim, o Brasil Colônia teve fim, em 1822, com a declaração da independência feita por D.Pedro.

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Fontes: Toda Matéria, Educa Mais Brasil, Brasil Escola e Mundo Educação 

Imagens: Brasil 247, Aventuras na História, Grupo Escolar, Reddit, Brainly, Blog do enem, Historiando, Liga deslandes e Beduka

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.