História

O que foi a Revolta de Beckman? Sabia o que ela mudou no Maranhão

A Revolta de Beckman foi uma rebelião no Maranhão em 1684, visando acabar com a fome e os desmandos da Companhia de Comércio do Maranhão.

Atualizado em 22/09/2019

A Revolta de Beckman, dos Irmãos Beckman ou de Bequimão foi uma rebelião ocorrida em São Luís, Província do Maranhão, entre 1684 e 1685.

Vale lembrar que a Província do Maranhão da época equivale atualmente os territórios do Maranhão, Ceará, Piauí, Pará e Amazonas.

É considerada um dos movimentos nativistas brasileiros, entretanto não contestava de forma alguma a dominação portuguesa.

Foram conflitos de interesses entre os colonos e a administração metropolitana, tida como ineficaz.

A Companhia de Comércio do Maranhão

A Companhia de Comércio do Maranhão foi uma empresa comercial privilegiada, de caráter monopolista (1682 a 1685).

Foi criada em Portugal a mando do rei para atuar no Estado do Maranhão, no incentivo à cultura do açúcar e do algodão.

Ela deveria fornecer crédito e escravos africanos aos produtores da região, além de assegurar o transporte do que fosse produzido.

Em pagamento ela teria o monopólio do comércio com o Estado do Maranhão por 20 anos, além de outras regalias.

Entretanto foi acusada de desvalorizar aquilo que deveria adquirir, de fraudar os pesos e se recusar a transportar produtos pouco lucrativos.

A Revolta de Beckman buscou melhores condições de vida no Maranhão

Causas principais da revolta

Com a expulsão dos Holandeses do Nordeste (1650), a província do Maranhão entrou em declínio por conta duma crise econômica.

Faltou mão de obra escrava e houve crise de abastecimento e dificuldades em escoamento de produtos.

Por sua vez, a Companhia do Comércio do Maranhão, que deveria resolver os problemas, em nada ajudou e agravou a crise.

O povo passou a viver em condições de extrema pobreza e a passar fome pela falta de alimentos.

Ora os comerciantes locais eram lesados pelo monopólio da companhia, ora os proprietários rurais não recebiam preços justos pelos seus produtos.

Houve também carência de mão de obra escrava na região, por conta da ingerência dos missionários jesuítas.

Os maranhenses se sublevaram para pedir a extinção da Companhia e a expulsão dos jesuítas da província.

Como ocorreu a revolta

O governador Francisco de Sá de Menezes se ausentou da província em fevereiro de 1684.

Então os irmãos Manuel e Tomás Beckman renderam o Corpo da Guarda em São Luís e capturaram o Capitão-mor Baltasar Fernandes.

Além dos Beckman, era líder do movimento Jorge de Sampaio de Carvalho. Eles tinham o apoio da população local, dos comerciantes e proprietários rurais.

Cerca de 70 homens armados invadiram e pilharam um dos depósitos da Companhia. Depois tomaram a Câmara Municipal.

Estabeleceram ali uma Junta Geral de Governo, composta por latifundiários, comerciantes e até clero.

Logo que tomaram posse, eles depuseram o Capitão-mor, o Governador e decretaram o fim da Companhia de Comércio.

Tomás Beckman vai a Lisboa e é preso

A Junta Geral de Governo mandou emissários para Belém do Pará, a fim de comunicar a deposição do governador.

E para Portugal se dirigiu o próprio Tomás Beckman para renovar fidelidade ao rei e à Coroa e denunciar a Companhia de Comércio.

Só que assim que desembarcou, recebeu voz de prisão e foi trazido de volta ao Maranhão.

Apesar disso, a revolta continuou. Em 1685 os revoltosos ocuparam o Colégio dos Mascates e expulsaram os jesuítas que viviam ali.

A Revolta de Beckman buscou melhores condições de vida no Maranhão

O fim da Revolta de Beckman

Por aproximadamente um ano, Manuel Beckman controlou uma junta revolucionária e governou a Província do Maranhão.

Em 15 de maio de 1685, o novo governador, Gomes Freire de Andrade, no comando de tropas portuguesas, desembarcou na cidade.

Sem resistência, ele reempossou as autoridades e confirmou as acusações feitas à Companhia do Comércio do Maranhão.

A empresa encerrou suas atividades naquele mesmo ano.

Os líderes da revolta, Manuel Beckman e Jorge de Sampaio, foram condenados à forca, enquanto que Tomás Beckman, ao desterro.

Os outros envolvidos são condenados à prisão perpétua.

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Fonte: História do Brasil, Info Escola, Só História, Toda Matéria, Todo Estudo, Cola da Web, Brasil Escola, Grupo Escolar.