História

Expansão Marítima Europeia – Motivos, objetivos e países envolvidos

A expansão marítima europeia, ocorrida entre os séculos XV e XVII, contribuiu para que a Europa superasse a crise dos séculos XIV e XV.

Atualizado em 20/01/2020

Após a dominação dos portugueses e espanhóis sobre a maioria dos povos europeus, um intenso processo de globalização teve início. A esse processo deu-se o nome de Expansão Marítima Europeia, tendo como principal característica a obtenção de riquezas, exploração de terras e a expansão territorial.

Nesse sentido, várias embarcações de diferentes países saíram de encontro ao mar com o intuito de explorar e se aventurar em novos caminhos. Assim, os tripulantes enfrentaram perigos como tempestades, danificações nas embarcações, além de doenças, fome e sede.

Além dos perigos reais que as embarcações enfrentavam, também tinham os medos irreais em relação a monstros, zona tórrida, a dimensão do planeta, o abismo. Todas essas ideias vinham, de certa, da igreja que era detentora da grande parte dos poderes políticos e espirituais da época.

Expansão Marítima Europeia

Durante a Idade Média alguns bloqueios marítimos forma impostos para que o comércio não fosse realizado. Entretanto, as primeiras navegações da expansão marítima serviam para quebrar esses bloqueios. Assim, foi possível que a evolução da economia mercantil e, por consequência, a burguesia se fortalecesse.

Por conta dos bloqueios durante a Idade Média, a Europa se via em um momento de crise em que a importação superava a exportação dos produtos. Lembrando que os principais produtos comercializados nos países europeus eram a madeira, pedras, cobre, ferro, estanho, chumbo. Além da lã, linho, frutas, trigo, peixe, carne.

Expansão Marítima Europeia - Características e países envolvidos
Mapa das grandes navegações que navegaram durante a Expansão Marítima Europeia. Fonte: Portal Alexandria

Por outro lado, o açúcar, ouro, cânfora, sândalo, porcelanas, pedras preciosas, cravo, canela, pimenta, noz-moscada, gengibre, unguentos, óleos aromáticos, drogas medicinais e perfumes eram característicos dos países do Oriente.

Para que o comércio fosse realizado, os comerciantes contavam apenas com duas rotas. Assim, podiam optar pelo caminho que envolvia as cidades de Gênova e Veneza. Por outro lado, podiam seguir caminho pelo Mar Mediterrâneo, porém, monopolizado por Veneza.

Assim, era necessário que novas rotas fossem descobertas. Isso porque, novas formas de organização começaram a se formar. Como foi o caso das monarquias nacionais, aliança entre os reis e a burguesia. Nesse sentido, a burguesia almeja novos navios, armas, navegadores e mantimentos.

Por consequência, diversas áreas do conhecimento se desenvolveram durante a Expansão Marítima Europeia. Um exemplo, foi o estudo relacionado à cartografia, astronomia e engenharia náutica, tudo para aperfeiçoar as grandes embarcações. Nesse sentido, os primeiros navegantes foram os portugueses, por meio da Escola de Sagres.

Divisões das grandes navegações

As grandes navegações ocorreram entre os países europeus. Assim, com o intuito de desbravar os mares, dominar novas terras e quebrar barreiras comerciais os países europeus se dividiram em diferentes expedições marítimas.

Assim, podemos destacar as embarcações da Holanda, da Inglaterra, França, além de Portugal e Espanha sendo as mais importantes para os povos das Américas.

Expansão marítima portuguesa

As grandes navegações durante a Expansão Marítima Europeia dependiam de uma posição central. Isso porque, quanto mais bem localizado era o país, mais fácil era para que o comércio marítimo ocorresse. Sendo assim, Portugal foi o primeiro país a realizar a expansão marítima. Além da posição estratégica, o país possuía forte burguesia mercantil.

Expansão Marítima Europeia - Características e países envolvidos
O primeiro país a explorar os oceanos foi Portugal. Isso aconteceu por um conjunto de fatores que beneficiavam o país. Fonte: Escola Educação

O poder português nos mares veio das lutas travadas entre cristãos e muçulmanos durante a Guerra de Reconquista, na península Ibérica. Assim, o processo português de expansão marítima tinha interesses vindos da Monarquia, da nobreza e da Igreja Católica. A Igreja, por sua vez, desejava cristianizar novos territórios e a burguesia tinha a necessidade de ampliar lucros.

Expansão marítima espanhola

A queda de Granada, ocorrida em 1492, foi a grande responsável por unificar o território espanhol. Assim, após esse evento, Cristóvão Colombo se ofereceu aos reis da Espanha para partir nas expedições marítimas. Dessa forma, partindo em agosto de 1492 à oeste, chegou à América no mesmo ano, em outubro.

A partir disso, foi criado o Tratado de Tordesilhas que dividia as terras entre portugueses e espanhóis. O tratado foi aprovado pelo Papa Alexandre VI, já que as terras foram descobertas por Colombo. É importante lembrar que o Tratado de Tordesilhas não foi um acordo reconhecido pelas demais nações europeias.

Outras embarcações

Durante a Expansão Marítima Europeia, alguns países tiveram atraso ao lançar suas embarcações. Como aconteceu com a Inglaterra, França e Holanda. Isso porque, a Inglaterra e França se envolveram na chamada Guerra dos Cem anos (1337-1453). Além disso, a Inglaterra ainda enfrentou uma guerra civil, denominada Guerra das Duas Rosas (1455-1485).

Expansão Marítima Europeia - Características e países envolvidos
Navios mercantes e de guerra usados no séc XV e XVI. No centro a nau Santa Catarina do Monte Sinai, feita em 1512. Fonte: Oficina do historiador

Já em relação a Holanda, a expansão marítima foi tardia porque as terras holandesas eram propriedade espanhola. Assim, o país necessitava de um enfraquecimento espanhol para que a expansão pudesse começar. Dessa forma, quando finalmente a Espanha começa a se enfraquecer e a Holanda inicia o processo de independência é que os holandeses dão início as grandes embarcações.

Você sabia?

  • A Expansão Marítima Europeia contribuiu para uma radical transformação da visão da história da humanidade;
  • O conhecimento humano e geográfico se ampliaram, além do comércio ter se desenvolvido com a união unificação dos mercados europeus, asiáticos, africanos e americanos. O fato resultou no fortalecimento do capitalismo, iniciado no período da Baixa Idade Média.

Gostou da matéria? Então corre e confere o que eram as Capitanias Hereditárias, além de conhecer o perfil de Deodoro da Fonseca.

Fontes: Brasil Escola, Toda Matéria

Fonte imagem destaque: Quero Bolsa

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.