História

Regimes totalitários – Como surgiram, características, principais exemplos

Os regimes totalitários consistem em um Estado centralizador, autoritário e antidemocrático, iniciando-se na Itália com o fascismo.

Atualizado em 03/06/2020

Os regimes totalitários são sistemas políticos que tem como base o domínio total de uma nação. Isso ocorre por meio de uma pessoa, ou por meio de um partido. O termo totalitarismo ficou conhecido a partir da Europa, depois da Primeira Guerra Mundial.

A maior característica do modo de governo totalitário é o apoio de sua instauração nas vias ideológicas. Diversos países passaram pela experiência do regime ditatorial. Normalmente, o processo se dá decorrente de alguma crise capitalista, ou do liberalismo.

Como surgiu o totalitarismo

O totalitarismo surgiu após a Primeira Guerra Mundial e alcançou o ponto máximo de sua popularidade em meados de 1920 e 1930. As consequências pós-guerra acenderam nas nações o medo da ascensão comunista em seus países, outro motivo importante para aderir essa forma autoritária foi a crise econômica causada pela destruição.

O regime autoritário começou a ser visto, após a guerra, como o modelo político que seria capaz de salvar o povo da crise, ou seja, a solução de todos os problemas. Esta ideia partiu do conservadorismo como uma reação a política liberalista e democrática.

Na medida que o povo ia comprando o milagre econômico, a força e a ordem vendida pelos adeptos ao autoritarismo, os antigos modos de governo iam ruindo diante da difusão da compra da ideia pela população.

Com todos os países afetados pelo pós guerra, as condições de reconstrução foram ficando cada vez mais difíceis para cada país. A Alemanha, sobretudo, após o Tratado de Versalhes ficou impossibilitada. Os EUA enfrentou a terrível crise de 1929.

Havia também a insatisfação, portanto, por parte dos jovens que serviram o exército para os países vencedores da guerra. Os soldados julgavam injusto o que ganharam nos conflitos, em relação ao esforço e ao risco corrido durante as batalhas. Tudo isso gerou instabilidade social, porque o povo estava necessitado de elementos básicas para a sobrevivência.

Características dos regimes totalitários

Regimes totalitários e suas características
Fonte: Toda matéria

A princípio, a principal características dos regimes totalitários é o governo centralizado em uma só pessoa, ou partido. Ou seja, não pode haver intervenção de outros nas decisões. O sentimento nacionalista, o amor a pátria exacerbado, todo o discurso em nome do país e do povo, é marca do regime.

O ódio aos governos liberais, como o comunismo é, no entanto, umas das características mais comuns. Os ditadores julgam esses governos como divisores da nação, responsáveis por estimular as diferenças. A moral e os pensamentos devem ser valorizados e respeitados de forma unânime entre o povo.

Como os ideais devem ser os mesmos em toda a nação, a censura aos meios de comunicação é medida de emergência para não incitar a desordem social. A mensagem transmitida deve corresponder a mesma ideologia do governante. Portanto, essa mensagem dever ser absoluta, como o desejo do povo e o “bem maior” para o país.

Normalmente, esse líderes são figuras militares que vieram de uma educação com rígida disciplina. O chefe, além de visto como poder máximo, é também cultuado na educação básica das crianças e tem sua imagem estampada no vários prédios e gabinetes.

Regimes totalitários na Europa

Entre os partidos de direita extrema da história com regimes totalitários, os de maior destaque são o fascismo italiano e o nazismo alemão. O comunismo também usou do regime totalitário para instaurar o novo modo de governo. Essa fato é umas das explicações dadas pelos militares que aderem ao totalitarismo.

Segundo eles, como forma de impedir a extrema-esquerda, como por exemplo, o stalinismo soviético, a melhor maneira é o regime ditatorial.

Fascismo

Regimes totalitários e suas características
Fonte: Medium

Bernito Mussolini foi o chefe ditador do fascismo. A princípio, tudo começou com a formação do Partido Nacional Fascista que, a convite do rei Vitor Emanuel III, assumiu o governo na Itália dando início a um dos piores regimes ditatoriais da história.

A Marcha de Roma organizada em 1922 foi o empurrão final que faltava para que o regime totalitário toma-se as rédeas do país. O evento contou com milhares de militares armados nas ruas, manifestando a favor do regime. Logo após o ocorrido, Mussolini assumiu o poder do governo italiano.

Nazismo

Regimes totalitários e suas características
Fonte: Mundo Educação

No entanto, ao mesmo tempo na Alemanha, no ano de 1919, o país também havia se tornado um regime totalitário. O chefe da nação nesse período foi o nazista Hitler. O político se inspirou no regime totalitário italiano, mas acrescentou em suas medidas a soberania racial ariana. Isso, portanto, rebaixou vários povos que moravam no país.

Infelizmente, seus ideais ficaram marcados na história por matar milhares de judeus, ciganos e outras raças além das que ele considerava digna para a Alemanha. O Holocausto, como ficou conhecido, matou cerca de seis milhões de pessoas. Por fim, todas foram arrancadas de suas casas e famílias para habitarem os campos de concentrações.

Stalinismo

Regimes totalitários e suas características
Fonte: Nova cultura

A princípio, o governo começou a surgir no país com a Revolução Russa de 1917. A ação derrubou a monarquia instaurada na época. Com a morte de Lenin, revolucionário político comunista, Stalin concentrou todo o poder em suas mãos tomando frente da União Soviética.

No entanto, os marcos de seu regime foram muitos. A economia cresceu e atingiu o exterior de forma eficaz através dos trabalhos agrários. Mas, apesar do crescimento, todo o ganho foi feito em cima do trabalho forçado de milhares de trabalhadores, sendo assim, proibida qualquer forma de pensamento contrário ao regime.

Aos que se dirigiam de forma contrária as suas medidas, Stalin preparou prisões especiais para os presos políticos que cometessem algum crime contra a nação.

Regimes totalitários no Brasil

O Brasil não ficou de fora em relação aos regimes totalitários. Foram, portanto, 21 anos de ditadura no país. Sobretudo com muita censura, mortes através dos militares no poder. Tudo isso durante a estadia de 5 mandatos de presidentes ditadores.

O Golpe de 1964 veio para instaurar o totalitarismo no Brasil e salvar a nação dos governos comunistas. Na opinião deles, os liberais estavam destruindo a nação. Vários tanques guerra foram para o Rio de Janeiro com o intuito de retirar a força o presidente João Goulart.

Exilado no Uruguai, o país passou a ser regido por um junta militar. Na sequência, o primeiro a assumir o governo e finalizar o Golpe Militar foi Castello Branco. Antes de sair do governo, ele instaurou o primeiro ato institucional conhecido como AI1.

O Ato dava aos militares o poder e a permanência no governo sendo, portanto, Costa e Silva o próximo presidente militar a assumir o governo em 1967. A sua estadia na presidência afetou diretamente as oposições políticas e comunicação no Brasil com outro ato institucional, o AI5.

Este segundo trouxe, sobretudo, poder absoluto ao governo para punir arbitrariamente qualquer manifestação contrária ao governo. Reuniões, portanto, foram fechadas, prefeitos foram caçados e punidos nesse período. A agressividade presente nas medidas incitou a revolta armada de grupos que eram contra o governo.

Após os anos de chumbo de Costa e Silva, o próximo militar a assumir foi o general Médici em 1969. Seu governo, enfim, ficou marcado pelo “Milagre Econômico” que só se deu, porque houveram vários cortes de verba da população. Esse período foi o maior de todos no quesito repressão.

Abertura Política

Já em 1974, Geisel iniciou uma abertura política bem lenda, mas não deixou de também ser conhecido por suas medidas cruéis de repressão. Muitas mortes e torturas de reacionários e militantes a favor da democracia aconteceram nesse mandato.

Por fim, apesar do crescimento econômico gerado em seu governo, a comoção popular em relação as atrocidades tomaram, então, a voz do povo e a sua estadia na presidência gerou vários atos contra os direitos humanos. A ditadura só teve um fim oficial no mandato de Figueiredo em 1979, cinco anos depois de Geisel, com a lei da anistia.

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Fonte: Brasil Escola, História do mundo, Mundo educação. Estudo Prático, Politize, Info Escola, Quero Bolsa, Cola da Web.

Imagem de destaque: Escola educação

Fontes imagens: Medium, toda matéria, Nova cultura, Mundo educação.