Filosofia

Escolástica, o que é? Definição, significado, características e ideias

Escolástica, também chamada de Filosofia Escolástica, é um método ocidental de pensamento que concilia a fé cristã com pensamos racionais.

Atualizado em 14/04/2020

A escolástica é um ramo pertencente à Filosofia Medieval, referente à produção filosófica que ocorreu durante a Idade Média. Assim, está compreendida entre os séculos IX e XIII d.C, período em que a Igreja Católica estabelecia domínio intenso sobre os países europeus.

Durante a era escolástica, diversas ideias relacionadas à estrutura social e intelectual foram desenvolvidas. Teve início devido à necessidade em se formar sacerdotes, além dos ideais católicos que a Igreja queria passar à população daquela época. Além disso, foi um período em que a fé e os conceitos religiosos passaram a ser explicados por meio de pensamentos racionais.

Dessa forma, foram criadas escolas e universidade com o intuito de formar o grupo religioso, além de novos pensadores. Por conta disso, o período ficou conhecido como escolástica. Mas você sabe quais foram as características deste período? Se não, não se preocupe! Vamos conhecer agora.

O que é Escolástica?

O período da filosofia escolástica foi desenvolvido com influência da era Patrística, outro período referente à Idade Média. Dessa forma, foram pensamentos que surgiram devido a intensa influência do cristianismo na época.

Isso porque, a Idade Média é considerada a época em que o cristianismo atingiu o ápice. Por conta disso, foi necessário criar escolas e universidades capacitadas na formações de novos sacerdotes e pensadores. Vale lembrar que o período da Idade Média está compreendido entre os séculos IX e XVI.

Escolástica, o que é? Definição, significado, características e ideias
O método escolástico era baseado na filosofia de Platão e Aristóteles. Fonte: Medium

Nesse sentido, a escolástica foi um método filosófico, também chamado de escolasticismo, que perdurou nas escolas e universidade da Idade Média. Os pensamentos obtiveram influência do período Patrístico que antecedeu os ideais e pensadores escolásticos.

Dessa forma, dentre as principais vertentes utilizados pelos pensadores estava o platonismo, além do aristotelismo. Assim, as ideias eram desenvolvidas a fim de responder questões ligadas à religião, principalmente à fé.

Um dos principais nomes do período foi Santo Tomás de Aquino, responsável por batizar os pensamentos do filósofo Aristóteles. Além disso, desenvolveu importantes obras como: Questões Disputadas sobre a Alma e a Questão Disputada sobre as Criaturas Espirituais. Por conta dissoSanto Tomás de Aquino foi considerado pelo filósofo Eric Voegelin como o ápice intelectual da Escolástica.

Características do Método Escolástico

Os pensamentos desenvolvidos pelo método escolástico tinham grande influência do filósofo Aristóteles. Além disso, pairavam sobre as questões relacionadas à metafísica e os assuntos sobre as ciências naturais. Nesse sentido, os escritos que já tratavam sobre a fé, agora passam a incluir a razão como parte dessa ação religiosa.

Por conta disso, as questões que envolviam a não aceitação de Deus, ou às heresias, o paganismo e tudo que se relacionava à não-religião, poderiam ser explicados por meio de teorias racionais e do conhecimento científico. Os conceitos foram defendidos por pensadores como  Alberto Magno, Santo Anselmo e Tomás de Aquino.

Escolástica, o que é? Definição, significado, características e ideias
O período escolástico perdurou até o final da Idade Média. Fonte: Medieval com Sophia

Nesse sentido, o método escolástico se baseava nas artes liberais, tendo como formação os setes campos do conhecimento. O conhecido foi dividido em dois grupos, sendo o trívio e o quadrívio.

  • Trívio – estudo voltado para os conceitos de Gramática, Retórica e Lógica. Ou seja, conhecimento relacionado às artes voltadas para a linguagem em geral;
  • Quadrívio – estudo relacionado aos conceitos de Aritmética, Geometria, Astronomia e Música. Ou seja, era o conhecimento voltado para as ciências exatas e suas aplicações.

Os pensadores

Os pensadores que fizeram parte da Escolástica se dividiram em dois grupos, sendo compostos pelos realistas e os nominalistas. Isso porque, discutiam questões sobre os universais que resultavam em estudos e pesquisa relacionados à Metafísica, Lógica e Retórica.

Dessa forma, os grupos foram divididos de acordo com a interpretação das questões universais. Assim, os realistas defendiam que os universais existiam a partir de conceitos da metafísica, se baseando em ideais desenvolvidos pelo raciocínio e por argumentos.

Escolástica, o que é? Definição, significado, características e ideias
As artes liberais eram o ramo de conhecimento aplicado nas escolas e universidades. Fonte: Contra os acadêmicos

Já para os nominalistas, os universais eram denominações que existiam para classificar e dividir objetos e representações em grupos. Assim, eram apenas materiais que possuíam características comuns, não havendo como existir por meio da metafísica ou explicações racionais. Ou seja, eram conceitos criados pelas convenções humanas.

Fases da Filosofia Escolástica

A filosofa escolástica pode ser dividida em três fases, de acordo com os historiadores da Filosofia Medieval. Sendo assim, a primeira fase está caracterizada pela relação que se estabeleceu entre fé e razão. Nesta fase, a ideia era de que as ideias religiosas poderiam ser explicadas por meio do argumento ontológico.

Ou seja, um argumento ontológico seria aquele em que não é preciso estabelecer causas existentes para se explicar uma situação porque é apenas baseado na experiência sensível. Deste modo, os pensadores Duns Scotus e Santo Anselmo – pensadores marcantes para a primeira fase – defendiam o argumento ontológico para explicar a existência de Deus, por exemplo.

Escolástica, o que é? Definição, significado, características e ideias
O período escolástico foi dividido em três fases pelo estudiosos da Filosofia Medieval. Fonte: Comunidade, Cultura e Arte

A segunda fase da filosofia escolástica foi considerada a fase mais complexa. Por conta disso, ficou conhecida como período tomista. Os pensadores Tomás de Aquino e Alberto Magno foram os principais nomes deste período.

Já a terceira fase se caracterizou como o início do declínio da era Escolástica na Idade Média. Isso porque, a Igreja Católica começou a exercer rígido controle sobre os estudos e pensadores das escolas. Sendo assim, os conceitos estudados e os aspectos da vida intelectual da Idade Média foram controlados. Guilherme de Ockham foi um dos principais nomes deste período.

São Tomás de Aquino

O pensador foi o maior período escolástico, além de escritor e filósofo católico da Idade Média. São Tomás era adepto das obras de Aristóteles, tendo desenvolvido grande parte dos ideias a partir das obras do filósofo grego. Além disso, Tomás foi além e desenvolveu discussões que abordavam a Bíblia e os dogmas da Igreja Católica.

O monge dominicano era adepto dois dois grupos de conhecimento, o trívio e o quadrívio. Era um grande pensador, tendo feito estudos que resultaram na descoberta das Ciências Naturais. Seu grande mestre era o filósofo Alberto Magno.

Escolástica, o que é? Definição, significado, características e ideias
São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja. Fonte: Medium

Visto isso, São Tomás possuía a capacidade de transitar entre a diferença existente entre essência e existência, conceitos que haviam sido tratados por Aristóteles. Por meio disso, conseguiu elaborar por meio do argumento do motor, as Cinco Vias que Provam a Existência de Deus. Dessa forma, estabeleceu uma conexão entre os escritos de Aristóteles e a existência de Deus.

Os estudos desenvolvidos por Tomás de Aquino ficaram conhecidos como Tomismo. Dessa forma, o pensador trabalhos que abarcavam temas como:

  • Realidade sensorial – conceitos sobre o que sentimos na realidade;
  • Princípio da não-contradição: estudos sobre a diferença entre ser e não ser;
  • Princípio da Causa Eficiente: a existência referente à outro ser e a necessidade entre as duas premissas;
  • Princípio da Finalidade: objetivo, razão de ser;
  • Princípio do Ato e da Potência: o ato se refere ao que está sendo realizado, enquanto a potência é o que pode se realizar. O resultado é o processo de mudança.

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Fontes: Brasil Escola, Toda Matéria e Erealizações

Fonte imagem destaque: Núcleo de pesquisa em filosofia

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.