História

Revolta de Beckman, o que foi? Motivos, acontecimentos e desfecho

A Revolta de Beckman é tradicionalmente considerada nativista pela historiografia em História do Brasil, organizada em São Luís, no Maranhão.

Atualizado em 18/09/2020
Por Kariny Bianca

A Revolta de Beckman aconteceu entre 1684 e 1685, em São Luís no Maranhão. Também conhecida como Revolta de Bequimão ou Revolta dos irmãos Beckman, esse movimento foi organizado contra as decisões da Coroa Portuguesa, relacionadas ao comércio local e a escravização dos indígenas.

Nesse sentido, os territórios do Maranhão, Ceará, Piauí, Pará e Amazonas eram totalmente subordinados ao trono português.

Assim, as atividades econômicas da época eram a lavoura de cana, produção de açúcar, cultivo de tabaco, exportação de couros, coleta de cacau e drogas do sertão.

Por outro lado, os povos viviam em condições de extrema pobreza, utilizando a pesca e a agricultura como meios de sobrevivência.

Em outras palavras, a Revolta de Beckman confrontava a administração colonial, demonstrando a insatisfação dos habitantes maranhenses.

Antecedentes da Revolta de Beckman

Em suma, o estado do Maranhão foi criado pelos espanhóis em 1621. O Rei Filipe II da Espanha, que ocupava o trono nos tempos da União Ibérica, ordenou a criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão.

A ordem foi instituída para evitar invasões estrangeiras que aconteciam com frequência na região.

Revolta de Beckman, o que foi? Motivos e principais acontecimentos
Mundo Português

No entanto, os holandeses tomaram o trono na década de 1930. Logo depois, quando eles foram expulsos da cidade, a economia local sofreu um enorme declínio, o que incentivou a revolta de Beckman.

Além disso, os portugueses reconquistaram o poder em 1654, mudando o nome para Estado do Maranhão e Grão-Pará. Como dito anteriormente, essa província fazia parte dos territórios que iam do Ceará ao estado do Amazonas.

O retorno financeiro das atividades comerciais era baixíssimo, tornando a economia do Maranhão pouco desenvolvida.

Assim, não era possível comprar um grande número de escravos africanos. Entretanto, a chegada dos primeiros escravos africanos foi registrada no século XVII, sendo este o motivo dos conflitos dos colonos e jesuítas.

Os desentendimentos eram porque os Jesuítas protegiam os nativos da escravidão imposta pelos colonos. Porém, os jesuítas controlavam os nativos para catequizá-los e explorá-los em suas missões.

Companhia do Comércio do Maranhão

Definitivamente, a entrada dos africanos no Maranhão e Grão-Pará começou em março de 1662.

A partir de 1680, a Companhia de Comércio do Maranhão ficaria responsável de regular e organizar a chegada de escravos africanos, isto porque a empresa ainda prometeu levar cerca de 500 escravos por ano no Maranhão.

Revolta de Beckman
Todo Estudo

No entanto, a Companhia não conseguiu cumprir a promessa. Além disso, os comerciantes se sentiam prejudicados pelo monopólio que existia na época, como também a população em geral reclamava dos preços elevados dos produtos.

A única empresa autorizada a comprar as mercadorias produzidas na região e vendê-las era a Companhia de Comércio do Maranhão.

Nesse meio tempo, ela recebeu acusações de usar pesos e medidas falsificados, comercializar alimentos em péssimo estado, vender com preços exorbitantes e ocultar o número de escravos estipulado pelo regimento.

Motivos da Revolta de Beckman

Os habitantes de São Luís do Maranhão estavam insatisfeitos com a administração colonial, por causa da escravização dos indígenas e do monopólio praticado pela Companhia de Comércio do Maranhão, que recebeu o nome de Estanco.

Indígenas na aldeia
Chronos

Contudo, os jesuítas impediam os colonos de escravizar os indígenas. Assim sendo, o rei de Portugal, D.Pedro II, autorizou a lei que proibiu a escravização de nativos no Maranhão, a partir de 1683.

Como resultado, os jesuítas controlavam os indígenas, ensinando-os a cultura portuguesa e o catolicismo. De tal forma que, os colonos ficaram irritados por não conseguirem mais escravizar os índios.

Em resumo, a Revolta de Beckman também teve como motivo a miséria que a maioria da população vivia, visto que o governador da província do Maranhão, Francisco de Sá e Menezes, preferia morar em Belém.

Principais acontecimentos da Revolta de Beckman

Os participantes da Revolta de Beckman eram cidadãos comuns, os chamados homens-bons, sendo que os principais articuladores eram os irmãos Manuel Beckman e Tomás Beckman. O primeiro era dono de engenho, e se tornou um grande líder ao convencer inúmeros habitantes a se rebelarem.

Revolta de Beckman
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O segundo era advogado, como também fez papel secundário no comando da Revolta de Beckman. Nesse ínterim, a revolta em São Luís começou no dia 24 de fevereiro de 1684, onde os cidadões renderam os guardas, invadiram a Casa de Estanco e depois tomaram o controle dos locais estratégicos da cidade.

Os rebeldes criaram a Junta Geral de Governo com o comando de Tomás Beckman, João de Sousa de Castro e Manuel Coutinho.

As primeiras medidas do novo governo de São Luís foram a deposição do capitão-mor, a expulsão dos jesuítas e a abolição da Casa de Estanco. A formação do novo governo era composta por homens-bons, cidadãos comuns e clérigos.

Por conseguinte, os rebelados ficaram no comando do governo maranhense por mais de um ano, visto que a liderança da Revolta de Beckman foi se enfraquecendo por causa da personalidade controladora de Manuel.

Fim da Revolta

Após um ano, a Revolta de Beckman não conseguiu apoio de outras cidades do Maranhão. Ao passo que, os portugueses retornaram para São Luís em maio de 1685, recuperando o comando sem dificuldades.

Revolução em São Luís
Folha

Enquanto o novo governador do Maranhão, Gomes Freire de Andrade, tomava o seu posto, muitos cidadãos fugiram por medo das punições.

De imediato, a comando português mandou prender os envolvidos na revolta, como também condenaram Manuel Beckman e Jorge de Sampaio de Carvalho à forca.

Ainda mais, Tomás Beckman e Eugênio Ribeiro Maranhão foram presos, Belquior Gonçalves foi açoitado e degradado de volta para Portugal. Ademais, outros envolvidos foram multados.

Por fim, a revolta acabou e os jesuítas continuaram explorando a mão de obra dos indígenas. Quanto a Companhia de Comércio do Maranhão, ela foi extinta, visto que a rejeição popular foi insustentável.

Definitivamente, uma nova lei entrou em vigor no mês de abril de 1688, ela determinava critérios para escravidão de indígenas e passava o controle para a Fazenda Real e à Corte.

No entanto, a escravização de indígenas no Brasil foi proibida apenas em 1755, por ordem do Marquês de Pombal.

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Fontes: Brasil Escola, Só História, e InfoEscola

Imagens: Globo, Mundo Português, Todo Estudo, Chronos, Mobile e Folha

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