História

Guerra dos Bárbaros, o que foi? História, motivos e consequências

A Guerra dos Bárbaros foi marcada por uma série de conflitos entre os colonizadores e os povos indígenas durante o período de 1650 até 1720.

Atualizado em 15/09/2020

Apesar de ser pouco estudada e conhecida na escola, a Guerra dos Bárbaros foi um longo período da história do Brasil colonial com muitos conflitos que resultaram na morte de muitos índios.

Em primeiro lugar, a Guerra dos Bárbaros, que durou 70 anos (1650 – 1720), envolveu os colonizadores e os povos nativos (índios).

O motivo principal era a ocupação de um território que ia desde a Bahia até o Maranhão. Além disso, a guerra foi denominada dessa forma, pois os colonos luso-brasileiros consideravam tais povos como ‘bárbaros” e traidores.

Guerra dos Bárbaros, o que foi? História, motivos e consequências
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Todavia, também possui outros nomes como: Guerra do Açu (devido ao local que ocorreram os principais conflitos, no Rio Grande do Norte), Guerra do Recôncavo (se refere ao recôncavo baiano que ocorreram as primeiras lutas armadas) e Confederação dos Cariris (devido ao grupo indígena ser um dos principais combatentes do conflito).

Os colonizadores dividiam os indígenas em dois grupos denominados tupis e tapuias. Os tupis eram mais sociáveis e mais suscetíveis a acordos e, até mesmo, fáceis de manipular.

Por outro lado, os tapuias não gostavam de fazer contato com os portugueses, pois eram contra a civilização. Por isso, eram considerados perigosos por serem difíceis de lidar.

Antecedentes da Guerra dos Bárbaros

Antes de tudo, os invasores holandeses estavam no Brasil e, ao inverso dos portugueses, eles conseguiram fazer alianças com as tribos tapuias ao invés de conflitos. Posteriormente, em 1654 os holandeses foram expulsos do Nordeste açucareiro.

Com isso, os colonos queriam continuar com a colonização portuguesa, mas tinham um problema: a resistência dos negros quilombolas de Palmares e as tribos Cariris, as quais eram aliadas dos holandeses expulsos.

Insurreição Pernambucana
A expulsão dos holandeses do Brasil pela Insurreição Pernambucana

A princípio, os povo Cariris eram do litoral nordestino (como os tupis), mas foram expulsos após conflitos. Dessa forma, adentraram para o interior e se dividiram em várias tribos.

De acordo com alguns historiadores, os europeus denominaram tais tribos como Confederação dos Cariris. Para que os portugueses pudessem invadir e colonizar o local, a ideia era pregar que a Guerra dos Bárbaros seria algo justo.

Além disso, a pecuária precisava de mais espaço para conseguir suprir a demanda de carne e couro das cidades litorâneas. Dessa forma, os colonos viram e aproveitaram a oportunidade de falar que tais áreas seriam usadas para fazendas de gado.

Começo dos conflitos

Como dito anteriormente, os portugueses tinham que lidar com os quilombolas de Palmares e com as tribos indígenas. Por causa disso, decidiram focar na parte que daria mais trabalho, ou seja, os índios.

Cariris
Confederação dos Cariris

Sendo assim, a Guerra dos Bárbaros teve início no interior da Bahia, em 1651. Francisco Barreto de Meneses, governador-geral da época, enviou tropas para combatê-los.

É importante ressaltar que grande parte da tropa era composta de índios aliados dos colonos, o que era chamado de Terço de Filipe Camarão.

Entretanto, a resistência dos Cariris tinha muita força no conflito. Naquele momento, os índios estavam ganhando a disputa, até porque conheciam muito melhor a terra que estavam guerreando.

Apesar da força dos Cariris, os militares europeus não desistiram e voltaram de forma mais violenta ainda.

Mais uma etapa do conflito

Em 1687 os índios fizeram um entrada surpresa que resultou muito mal: muitas cabeças de gado mortas, fazendas destruídas na capitania e a morte de colonos. Logo, os portugueses por vez juraram vingança e guerra de verdade.

Por causa disso, o período entre 1697 e 1693 foi marcado por muita destruição e morte. Foi considerado os anos mais violentos da Guerra dos Bárbaros. As brigas foram, predominantemente, no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Piauí e Paraíba.

Guerra dos Bárbaros, o que foi? História, motivos e consequências
conflitos entre os colonos e os indígenas

Assim, os políticos e militares do poder da época aumentaram suas armas, munições e mantimentos. Contudo, em pouco tempo perceberam que só eles não seria o suficiente para conseguir derrotar todos os povos envolvidos.

Apelaram novamente para os índios do Terço de Felipe Camarão e, logo mais, em 1688, os bandeirantes paulistas entraram no conflito também. Como eles viam que a resistência dos Cariris só se fortalecia, começaram a pensar de forma mais violenta.

Com o tempo, foi ficando inviável para os povos indígenas continuarem no conflito, pois sua população começou a ser afetada. Logo, como reviravolta, surgiu um Tratado de Paz (1692), representando a paz entre todos.

Com isso, os índios foram submetidos a ajudar os portugueses contra futuros invasores europeus e, em troca, recebiam uma pequena área e a liberdade. Entretanto, com o tempo, a situação foi piorando para os indígenas, que foram mortos até serem extintos.

Desfecho da Guerra dos Bárbaros

Em 1699, o comandante do Terço foi o mandante de um extermínio em série, que matou mais de 400 índios. Foi considerado um dos maiores atos cruéis de massacre contra os povos indígenas.

Resistência
Os índios não saíram vitoriosos, mas foram um exemplo de resistência

Todavia, é importante ressaltar que mesmo com o fim trágico, os povos nativos daquela região são um exemplo de força, luta, coragem e resistência. A luta deles é muito relevante, pois foi graças a ela que os colonos só conseguiram conquistar tais terras após quase dois séculos.

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Fontes: História UFF, Blog Editora Contexto e Ensinar História Joelza

Imagens: Centro de Mídias, Medium, Defesa aérea e naval, EstudoKids, Paraíba Criativa e Fundação Joaquim Nabuco