História

Tratado da Antártida, o que é? História, países envolvidos e características

O Tratado da Antártida foi um acordo estabelecido, em 1961, entre doze países que disputavam as terras geladas do continente antártico.

Atualizado em 09/05/2020

A Antártida é o único continente da Terra que não possui habitantes fixos. Isso porque o continente apresenta características extremas e impossíveis para a sobrevivência humana. Por conta disso, e de diversos outros fatores, a Antártida é considerada uma região neutra. Utilizada, então, para fins científicos por países que assinaram o Tratado da Antártida.

Durante as expedições marítimas – processo de colonização de diversas partes do mundo – a Antártida foi a única região não notada pelos países europeus. Assim, sua existência nem passava pela mente dos colonizadores, já que as terras não foram descobertas por nenhuma embarcação.

Entretanto, pelo que se sabe, algumas expedições já haviam passado pelas águas do Oceano Austral. Estavam em busca, como em todas as expedições, de novos territórios para anexar aos países exploradores. Logo, a descoberta da Antártida está ligada à Thaddeus Bellisgshausen, comandante russo que encontrou a localização do continente, em 1821.

Contexto do Tratado da Antártida

Como a colonização da Antártida não foi feita oficialmente, vários países decidiram disputar as terras geladas. Assim, Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Reino Unido, Rússia, Estados Unidos, dentre vários outros, queriam o território para explorar as riquezas naturais.

As terras geladas da Antártida eram muito favoráveis aos países interessados. Além da localização, elas possuíam uma riqueza infinita e abundância em água doce. Dessa forma, vários países começaram a explorar a região a fim de estabelecer, por exemplo, bases militares e aeroespaciais.

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Embarcação Plancius, na Antártica.

Além disso, a Antártida é uma região rica em recursos minerais. Os exploradores viam, assim, a chance de extrair petróleo e minérios, como ferro, cobre, ouro, cobalto, urânio, dentre outros recursos. Outro ponto que fazia os países disputares as terras do continente era a diversidade marinha.

Isso porque, por não ter habitantes fixos, o ambiente natural do continente é muito conservado. A biodiversidade marinha, por exemplo, é constituída por diversas espécies de mamíferos, como leões-marinhos, focas, baleias e golfinhos.

Todas essas características fizeram do continente uma área muito disputada. Por esta razão, doze países decidiram assinar um tratado de internacionalização da Antártida.

Internacionalização da Antártida

Já que o continente da Antártida estava em disputa, foi necessário estabelecer um tratado que colocasse fim aos possíveis conflitos políticos. Assim, em 1961, em Washington (EUA), os países interessados no continente decidiram tornar as terras geladas em território neutro. Dessa forma, estaria proibido qualquer tipo de exploração no continente.

Assim, os países da África do Sul, Argentina, Austrália, Bélgica, Chile, Estados Unidos, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido e Rússia (na época URSS), decidiram oficializar a decisão por meio do Tratado da Antártida. A partir disso, as terras geladas se tornaram propriedade da humanidade em geral, e não apenas de um único país.

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Assinatura do Tratado Antártico, em Washington, nos Estados Unidos.

Logo, estava proibida a realização da região para testes nucleares, construção de bases militares ou a exploração das riquezas naturais. Com isso, o continente poderia ser utilizado apenas para fins científicos. Ou seja, os países poderiam construir laboratórios para pesquisar assuntos de interesse mundial, como o aquecimento global e as consequências desse fenômeno.

Além disso, só estaria permitida a participação nas decisões políticas os países que tivessem bases científicas. Dessa forma, poderiam compartilhar informações, além de pesquisas realizadas na região com outros cientistas.

Características do continente

Após a assinatura do tratado, diversos países construíram bases científicas no continente. Devido às condições extremas da região, os pesquisadores conseguem permanecer no local apenas no verão. Isso porque as temperaturas podem variar entre -25°C e -45°C, podendo chegar a -89,2 º C no inverno extremo.

A extensão territorial do continente é de, aproximadamente, 14 milhões de quilômetros quadrados. O espaço continental é ocupado por estações científicas de 30 países do mundo, inclusive do Brasil. Durante o verão, cerca de cinco mil pesquisadores trabalham no continente e, durante o inverno, o número se reduz para mil.

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Estação Comandante Ferraz, base de pesquisa científica do Brasil.

Os estudos desenvolvidos no continente estão voltados para as mudanças climáticas, especialmente na região onde as temperaturas aumentaram e o gelo está derretendo. Além disso, os pesquisadores analisam os impactos do buraco da camada de ozônio, questões relacionadas à radiação e as alterações climáticas no mundo em geral.

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Fontes: Alunos Online e Enem Virtual 

Imagens: Las proximas decadas, UOL, Revista Pesquisa e Ciência em Ação

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.