História

Conferência de Munique, o que foi? Características e influência de Hitler

A Conferência de Munique foi organizada por líderes de quatro nações para discutir o futuro da Checoslováquia e evitar a guerra na Europa.

Atualizado em 07/10/2020

Em setembro de 1938, líderes da Alemanha, Itália, França e Reino Unido se reuniram para buscar uma solução sobre questões que visavam o interesse alemão em anexar os Sudetos (região da Checoslováquia) e evitar a guerra na Europa. Essa reunião ficou conhecida como Conferência de Munique.

Em suma, o acordo feito durante a Conferência de Munique era parte da política de apaziguamento de ingleses e franceses, que visavam evitar uma nova guerra.

Além disso, o acordo estabelecia a paz no continente europeu que, na verdade, estava relacionada aos interesses territoriais do líder da Alemanha, Adolfo Hitler.

Expansionismo da Alemanha

A política expansionista alemã foi colocada em prática por Hitler, em 1938. Primordialmente, ela se concretizava como uma política que tinha por objetivo o pilar ideológico nazista, conhecido como lebensraum (espaço vital).

Conferência de Munique, o que foi? Características e sua relação com Hitler
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Contudo, o conceito de “espaço vital” teve seu florescimento na Alemanha, em meados do século XIX.

Em suma, esse conceito tinha seu embasamento firmado na ideia de que os germânicos eram o “povo superior” e tinham “direito” de construir um império para que os alemães sobrevivessem.

Sendo assim, essa ideia de território de “direito” estava centrada na inclusão de regiões povoadas historicamente pelos povos germânicos ao território alemão. Além disso, eram adicionadas diversas regiões que pertenciam à Alemanha antes da Primeira Guerra Mundial.

A força do exército alemão

Antes de compreender o processo da Conferência de Munique é importante ressaltar que, naquela época, para que a ideia de “direito” se firmasse, era necessário que a Alemanha tivesse uma força militar impecável.

Esse fator serviu para coagir outras nações e até mesmo realizar as conquistas através do militarismo. Em consequência disso, Hitler iniciou, entre os anos de 1934 e 1935, a reorganização do exército alemão.

Após o fortalecimento do exército, os alemães, liderados por Adolfo Hitler, deram início a estratégia de expandir o território. Em suma, o primeiro país alvo do exército alemão foi a Áustria, que era etnicamente composto por pessoas de origem germânica.

Conferência de Munique, o que foi? Características e sua relação com Hitler
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Todavia, esta não era a primeira vez que acontecia a tentativa de anexar a Áustria ao território alemão. Em síntese, desde 1910, a Alemanha tentava incluir o país em seu território. Porém, a ação foi interrompida pelos ingleses e franceses.

Quando o militarismo ganhou força, a partir de 1938, o governo alemão passou a pressionar o governo austríaco, para que aceitasse o investimento germânico e anexasse seu território à Alemanha.

Por fim, o governo austríaco não aceitou o investimento alemão. Dessa forma, Hitler ordenou a invasão ao território e organizou um referendo que coagiu a população a concordar com a anexação territorial da Áustria à Alemanha.

Durante esse episódio que ficou conhecido como Anschluss, ingleses e franceses preferiram não se colocar contra os nazistas. Isso porque, a Alemanha havia reorganizado seu exército e se destacava pela expansão territorial.

Por outro lado, a estratégia da Alemanha não compactuava com as imposições do Tratado de Versalhes. Porém ingleses e franceses, temendo uma nova guerra contra Alemanha, realizaram concessões a fim de estabelecer a paz no território europeu.

Então, o ato ficou conhecido como política de apaziguamento.

Relação dos sudetos com a Conferência de Munique

Após anexar a Áustria ao território alemão e pela sua ambição territorial, Hitler envolveu a Alemanha em uma crise com os Sudetos, uma região da Checoslováquia, onde a população era etnicamente de germânicos.

A crise, então, seria o principal motivo para a realização da Conferência de Munique.

Em suma, a população checoslovaca e os sudetos alemães estabeleceram uma relação de harmonia até a década de 1930.

Porém, a relação se abalou em consequência da ascensão do Nazismo na Alemanha. Esse e outros fatores fizeram com que os alemães sudetos apoiassem a política separatista.

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Seguindo o seu plano de anexar não somente os Sudetos, mas toda a Checoslováquia, a Alemanha disseminou conteúdos que negativavam a imagem do governo checoslovaco.

Entre esses conteúdos estavam ataques do governo checoslovaco contra os sudetos alemães e também ataques da aliança que existia entre a Checoslováquia e a União Soviética.

Alguns fatores elevavam o interesse da Alemanha pela região dos Sudetos. Entre eles, o fato da região ser uma das mais desenvolvidas e ricas de toda Checoslováquia. Além disso, a região era referência na fabricação de armas e uma importante fonte de carvão e ferro.

Contudo, o ataque diplomático dos alemães contra a Checoslováquia despertou a atenção de britânicos e franceses e gerou uma tensão na Europa. Neville Chamberlain, primeiro-ministro britânico, temeu os desastres de uma guerra e, principalmente, o despreparo dos britânicos para enfrentá-la.

Com a tensão causada, britânicos e alemães se reuniram para entrar em acordo sem o consentimento dos checoslovacos.

Por um lado, britânicos se colocaram a favor de aceitar a proposta de Hitler sobre a região dos sudetos. Porém, a ambição de Hitler ocasionou em uma nova reunião, que foi agendada para outubro daquele ano.

O que foi a Conferência de Munique?

Antes que a reunião sobre o destino da região dos Sudetos pudesse acontecer, foi realiza a Conferência de Munique.

Nessa reunião, marcada sem o consentimento de Hitler, pelo militar alemão Hermann Göring, estavam presente Neville Chamberlain, Édouard Daladier, primeiro-ministro francês; Benito Mussolini, governante da Itália.

Hitler participou da Conferência após pedidos de Göring e Mussolini.

Da esquerda para a direita: Chamberlain, Daladier, Hitler, Mussolini e Ciano – Diário da Causa Operária

Os checoslovacos não participaram da reunião que aconteceu no dia 29 de setembro de 1938. Em síntese, depois de horas de negociação Hitler cedeu e colocou fim nas ameaças de guerras que haviam sido feitas.

No dia seguinte, o chefe alemão assinou um tratado onde constava não ter intenção de atacar o território britânico.

Entretanto, os Sudetos saíram em desvantagem, pois o território foi adicionado à Alemanha e a população Checoslováquia foi obrigada a entregar parte de suas riquezas, como a produção de carvão, ferro e energia elétrica.

Em suma, a política de apaziguamento dos britânicos só aconteceu em consequência dos interesses ambiciosos de Hitler pelo território e pela reunião que entregou a Checoslováquia aos domínios alemães.

Portanto, isso fez com que as tropas de Hitler invadissem a região no dia 1° de outubro, conseguindo anexar os sudetos ao território alemão

Porém, o acordo feito com Hitler só durou cerca de um ano. Isso porque, o líder alemão ordenou que sua tropa invadisse a Polônia, dando o ponta pé na Segunda Guerra Mundial. Esse ato retrocedeu e considerou a política do apaziguamento como um grande fracasso.

Gostou de saber mais sobre esse momento histórico? Que tal ler também sobre Noite dos Cristais, o que foi? História, como ocorreu e práticas nazistas

Fontes: Mundo Educação, História do Mundo, Brasil Escola,

Imagens: Escola Kids, Vivimetaliun, Diário da Causa Operária, Goconqr, National Geographic