História

Sambaquis, o que são? Formação, estudos da pré-história e curiosidades

Os sambaquis são formações montanhosas criadas pelos homens pré-históricos há cerca de 6.500 anos, considerados como arquivos arqueológicos.

Atualizado em 26/08/2020

Em síntese, sambaquis são formações montanhosas criadas pelos homens pré-históricos há cerca de 6.500 anos, sendo consideradas pelos historiadores como verdadeiros arquivos arqueológicos.

Isso porque, esses enormes montes eram constituídos com cascas de moluscos, ossos de mamíferos e humanos, objetos de pesca e artes primitivas. Além disso, a palavra ‘Sambaquis’ tem origem tupi, que significa “amontoado de conchas”.

Dessa forma, os arqueólogos estudam milhares de sambaquis espalhados nas baías, praias e rios do Brasil. O motivo dos ancestrais em criar essas montanhas históricas ainda é desconhecido.

A princípio, os estudiosos imaginavam que o local seria uma espécie de descarte de lixo, todavia descobriram que também era usado como cemitério humano. A partir daí, é possível perceber a importância dos sambaquis para esses povos.

Sambaquis na pré-história

Homens da pré-história
Flickr

Os sambaquis são monumentos de suma importância para o estudo dos grupos que habitavam uma determinada região, há milhares de anos.

Sendo assim, os arqueólogos investigam os materiais encontrados nas montanhas para descobrir o retrato físico dos homens pré-históricos do litoral brasileiro.

Com isso, é possível entender a alimentação, os costumes, comportamentos e a forma de fabricação dos utensílios de caça e pesca.

Nesse sentido, os sambaquis mostram que os grupos da época não eram nômades, já que permaneciam por tanto tempo no mesmo local. Em contrapartida, o destino dessas comunidades ainda é incerto.

Os pesquisadores acreditam que sambaquis tenham se misturado às culturas tupis-guaranis, que avançaram do norte e do sul do país rumo ao litoral. Ou, então, que grande parte tenha sido eliminada, já que muitos sambaquis foram destruídos ou estão em péssimo estado de conservação.

Os sambaquis são patrimônios da União, mas, infelizmente, vários deles foram destruídos por crimes ambientais, extração de cal das indústrias e construções irregulares em áreas protegidas.

Amontoados de conchas
Pousada Pôr do Sol

Para quem deseja conhecer um pouco dos sambaquis, existem museus no Brasil específicos para exposições de objetos encontrados nessas montanhas.

São eles: Museu do Homem do Sambaqui em Florianópolis e o Museu Arqueológico de Sambaqui em Joinville, ambos em Santa Catarina.

O homem pré-histórico das Américas deixou a caça e a coleta com o passar dos anos, partindo para o consumo de peixes, crustáceos e outros frutos do mar.

Os locais próximos aos sambaquis também mostram que as comunidades desenvolveram o artesanato, a escultura e a pedra polida.

A existência dessas montanhas também foi registrada em outras partes da América, como Cordilheira dos Andes, no litoral dos Estados Unidos, no Peru e no Chile.

Cemitério nos sambaquis

cemitério na montanha
Aventuras na História

Como dito anteriormente, também foram encontrados ossos humanos nas montanhas. Ao todo, já foram contabilizados cerca de 40 mil corpos descobertos nos sambaquis.

Os vestígios de oferendas, restos de fogueira e comida mostram que havia um ritual como forma de sepultamento.

Igualmente, os arqueólogos encontraram muitos buracos de estacas em volta das covas, como se fossem uma localização de onde estava a pessoa morta.

Dessa forma, após vários anos que o morto estava ali, eles jogavam conchas e ossos de peixe por cima das sepulturas. Após formar uma espessura grossa, com até 60 centímetros, os povos iniciavam outra sepultura.

Com isso, a montanha se tornava cada vez maior. As cerimônias de sepultura eram realizadas constantemente até mil anos. Logo, os sambaquis atingiam proporções gigantescas. Por exemplo, somente em Santa Catarina (o maior do mundo), foram encontrados 43 mil cadáveres.

Curiosidades

Em síntese, os maiores sambaquis do mundo estão localizados em Santa Catarina, eles chegam a 30 metros de altura e 400 metros de extensão em todo o litoral.

No Brasil, ainda existem sambaquis no Amazonas, Xingu, no Rio de Janeiro e São Paulo, além dos litorais nordestinos e gaúchos.

Os utensílios encontrados em litorais brasileiros foram quebra-cocos, pontas de flechas, machados de diabásio semi-polido e furadores.

comunidades dos sambaquis
Prefeitura de Osasco
  • Diferentes nomes: os sambaquis também são chamados de concheiros, osteiros, berbigueira, banco, samauqui e sernambi;
  • Cáries: os cadáveres encontrados nos sambaquis do Rio de Janeiro tinham alta incidência de cáries, o que pode estar relacionada à alimentação exagerada de mandioca;
  • Adubo orgânico: atualmente, a maioria dos sambaquis está cobertas de plantas. O que significa que o cálcio das conchas enterradas por milhares de anos serve como nutriente para os vegetais;
  • Artes primitivas: os sambaquieiros deixaram esculturas de pedras nas montanhas, mais conhecidas como zoólitos. Nelas estão desenhados animais e figuras geométricas, sendo que em algumas delas, é possível reconhecer a espécie representada;
  • Ossos robustos: os ossos humanos encontrados nas montanhas revelam que os povos tinham alguma atividade física constante, provavelmente seria a pesca. Ainda mais, alguns esqueletos tinham corante vermelho e esculturas ao lado delas, isto pode indicar um ritual de hierarquia;
  • Pescadores corajosos: alguns utensílios de pesca e caça encontrados nos sambaquis mostram que os homens pré-históricos eram exímios e ousados. Esporões de arraia, ossos de macaco e presas de tubarões são alguns exemplos.

Fontes: Super Interessante, InfoEscola, Sua pesquisa, Brasil Escola

Imagens: Igeologico , Flickr, Pousada Pôr do Sol, Aventuras na História, Prefeitura de Osasco