Língua Portuguesa

Linguística, o que é? Definição, principais teorias e definições verbais

A linguística é considerada uma ciência que estuda a evolução das línguas, a estrutura das palavras e as diferenças na linguagem verbal.

Atualizado em 26/08/2020

A linguística é considerada uma ciência que estuda a evolução das línguas, a estrutura das palavras e os motivos dessa vasta diversidade. A princípio, podemos observar que existem diferenças na linguagem verbal das pessoas.

Ou seja, não podemos dizer que uma pessoa fala errado, já que essas variações dependem do idioma, da regionalidade e das expressões.  Em síntese, os estudos da linguística se baseiam em observações e teorias, aspectos da fala e análise de informações.

Assim, o principal objetivo do estudo é explicar como a língua funciona, considerando as variações socioculturais e populares. Dessa forma, a linguística também possui relação com a sociologia, psicologia, etnografia e neurologia.

Seja como for, esta ciência busca compreender o por que e onde ocorrem as variações da linguagem verbal humana, em desvantagem da norma culta. Logo, é necessário entender as divisões, principais teorias e níveis que englobam as características desse estudo.

Divisão da linguística

divisões da Linguística
Editora Contexto

Em síntese, os estudos da linguística se dividem em cinco focos de análise, todos utilizados para entender as variações da linguagem verbal humana. Sendo elas:

  • Geral: é inserida todas as áreas da linguística, sem qualquer detalhamento ou aprofundamento. Além disso, possui modelos e conceitos que abordam uma análise de forma geral;
  • Aplicada: busca a solução de problemas, utilizando o ensino de línguas, a tradução e distúrbios da linguagem;
  • Teórica: é o estudo da comunicação usada pelas pessoas, suas propriedades e o que elas têm em comum na linguagem, além de entender quais os conhecimentos necessários para uso da linguagem e como as crianças adquirem essa habilidade;
  • Sincrônica ou descritiva: é a forma de observar diversas falas ao mesmo tempo, descrevendo e analisando as relações que existem entre elas. Dessa forma, se constrói um modelo teórico e dados que confirmam ou não as hipóteses levantadas;
  • Diacrônica ou história: é o estudo que analisa as mudanças e transformações que ocorreram na língua no decorrer do tempo.

Principais teorias e seus autores

A linguística se tornou uma ciência independente no século XIX, momento em que tais estudos começaram a ganhar destaque. Nesse meio tempo, a ideia era classificar todas as línguas do mundo, para depois descrever o desenvolvimento histórico dos idiomas.

Posteriormente, várias línguas foram analisadas. Logo, os linguistas perceberam estruturas muito diferentes do padrão europeu, o qual eram acostumados. Com isso, alguns deles criaram métodos de análises e teorias para ajudar nas análises futuras. Conheça alguns principais autores, que são muito estudados até hoje.

Ferdinand de Saussure

Linguística - o que é? Divisão, principais teorias e estrutura verbal
Comunidade Cultura e Arte

Saussure (1857-1913) é um linguista suíço e estudava as línguas indo-europeias. Atualmente, o clássico ‘Curso de Linguística Geral’ do autor, é um livro de cabeceira para os estudiosos da área.

Na obra existem conceitos de sustentação para o desenvolvimento da linguística moderna, estes são chamados de dicotomias saussurianas. São eles:

  • Língua x Fala: A língua faz parte dos valores sociais de uma pessoa, por isso é homogênea. Já a fala é individual, que pode ser influenciada por fatores externos;
  • Significante x Significado: As duas faces compõem o signo linguístico. Sendo que, o significado é definido pela imagem acústica, aquilo que se escuta. Já o significante é a realização material do conceito de significado, aquilo que se vê;
  • Sintagma x Paradigma: O paradigma é definido pelo autor como um ‘banco de reservas’ da língua, onde uma exclui a outra. Já a sintagma exclui apenas a pronúncia de dois elementos ao mesmo tempo, pois o termo só tem valor quando contrasta com outro elemento;
  • Sincronia x Diacronia: A visão diacrônica estuda a mudança da língua no eixo das sucessões históricas. Já a sincrônica procura entender a estrutura da linguagem a partir de um ponto específico do tempo.

Noam Chomsky

Noam Chomsky
Academy House

Chomsky (1928) foi linguista e filósofo estadunidense, considerado o pai da linguística moderna. O método defendido por ele é chamado de Teoria Transformacional, que define a capacidade de produzir e estruturar frases como inata ao ser humano.

Nesse ínterim, o livro Reflexões sobre a Linguagem, publicado em 1975, aborda a base da gramática gerativa e da escola gerativista.

Dessa forma, Chomsky definiu uma série de estruturas gramaticais para entender como o aprendizado de uma língua acontece, a partir do idioma transferido pelos pais, desde o nascimento.

Estas, então, seriam comuns para toda a humanidade. Ademais, vários estudos têm surgido a partir de ideias da gramática universal de Chomsky.

Roman Jakobson

Roman Jakobson
Sonria

Jakobson (1896-1982) foi um pensador russo, considerado um dos maiores linguistas do século XX. Criou a conhecida ‘Funções da Linguagem‘, que define as etapas da comunicação.

Por exemplo, quando falamos algo para alguém ou um grupo de pessoas, essa linguagem passa por fases até chegar a quem ouve.

A primeira etapa é o emissor, aquele que envia a mensagem. Após isso, a mensagem é o conteúdo das informações transmitidas. Por conseguinte, o receptor é aquele que recebe a mensagem.

Ainda há o canal de comunicação, o meio pelo qual a mensagem é transmitida. Logo, o código é uma combinação de signos utilizados na elaboração da mensagem. Por último, o contexto é aquilo que reflete a situação a que a mensagem se refere.

Charles Sanders Peirce

Charles Sanders Peirce
Biblioteca Libertaria

Peirce (1839 — 1914) estudava a semiótica e a sua relação com a filosofia. Em outras palavras, para o pensador, a linguagem era a representação da realidade de um objeto que está em nosso pensamento. Dentro disto, o linguista defendia três modos de um signo mediar os significados.

O primeiro é o ícone, que é a semelhança do objeto. Por exemplo, uma foto. O segundo é o índice, seria uma causalidade sensorial do objeto. Por exemplo: Um roxo no corpo pode indicar que houve uma pancada. O último é o símbolo de uma relação convencional entre o signo e seu significado. Por exemplo: As palavras representam alguma ação.

Além de físico e matemático, Peirce aproveitou o seu conhecimento para investigar a relação entre os objetos e o pensamento para a linguística. Partindo disso, os estudos foram referência para as formas de linguagens verbais adquiridas das representações da semiótica.

Níveis da linguística

níveis de linguagem
Abstracta

Acima de tudo, a linguística não é uma ciência isolada, pois está relaciona com outras áreas do conhecimento. Portanto, podemos dizer que o estudo da linguagem possui uma subdivisão de pautada em uma base de conceitos.

Em contrapartida, é bom lembrar que um linguista estuda a análise e descrição da língua. Em suma, o seu campo de atuação inclui a fonética, o discurso e a linguagem. Por outro lado, o profissional graduado em letras estuda a história, estrutura e o funcionamento das línguas, como também a literatura de diferentes povos.

Sendo assim, as subdivisões da linguagem são:

  • Sintaxe: é a função das palavras com as orações;
  • Morfologia: é a estrutura, classificação, formação e flexões das palavras;
  • Semântica: representa os significados e os sentidos das frases que interagem entre si;
  • Fonologia: trata-se dos fonemas, ou seja, os segmentos que formam a língua.

A linguística e suas conexões

Quando em contato com outros tipos de conhecimento, a linguagem incorpora campos de estudos específicos, como:

  • Psicolinguística: é o estudo que trata da linguagem e do pensamento humano;
  • Sociolinguística: se refere à relação entre a linguagem e os fatores sociais, aqueles que envolvem a sociedade como um todo.
  • Etnolinguística: é o estudo que envolve a cultura e a linguagem. Especificamente, nas tradições de um povo ou grupos étnicos.

Fontes: EducaMais, Brasil Escola, Lendo, Toda Matéria, InfoEscola, Ensaio e Notas,

Imagens: Cola na Web , Editora Contexto, Comunidade Cultura e Arte, Academy House, Sonria, Biblioteca Libertaria e Abstracta

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/kariny/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Kariny Bianca</a>
Por Kariny Bianca
Jornalista, goiana e aventureira, sempre em busca de conhecimento e informação. É amante da escrita, interessada em boas conversas e autora de um livro. (@bianca.kariny)