Filosofia

Patrística – Origem, características e Patrística x Escolástica

A patrística foi uma corrente filosófica originária da época medieval que tinha como principal objetivo a racionalização da fé cristã.

Atualizado em 13/05/2020

Você já ouviu falar sobre a filosofia patrística? Para quem não sabe, essa foi uma corrente filosófica embasada no cristianismo, que tinha como intuito a racionalização da fé cristã. Sendo assim, a escola patrística surgiu no mundo justamente nos primeiros séculos da era cristã, por volta do século IV.

Portanto, sendo uma linha de pensamento cristão, o seu desenvolvimento foi realizado por padres da Igreja Católica. Inclusive, um dos seus principais filósofos foi o Santo Agostinho de Hipona. Contudo, além de querer racionalizar a fé cristã, a patrística era também uma reação ao desenvolvimento teológico dos árabes, que a essa altura criavam uma relação bastante próxima à filosofia de Aristóteles.

Embora não muito difundida na atualidade, a filosofia patrística teve grande influência no passado. Então hoje vamos aprender mais sobre ela. Confira.

Origem da Patrística

Primeiramente, essa corrente filosófica surgiu em um momento desfavorável ao cristianismo. Isso, porque apesar do Império Romano ter promulgado o cristianismo como religião oficial, os cristãos ainda eram alvos de perseguição. Além disso, na época ainda haviam muitos lugares na Europa, que não eram adeptos da religião, o que dificultava a expansão dessa filosofia.

Sendo assim, o primeiro movimento oficial da patrística foi formado pelos padres apologistas, que se comprometiam a defender o pensamento cristão até ás últimas consequências. Por isso o nome patrística: devido aos primeiros padres – “pais”, da Igreja Católica -, que fundaram essa corrente de pensamento.

No começo, as discussões dessa filosofia eram focadas principalmente na relação entre o cristianismo e o judaísmo, além de reforçar o teor canônico do velho testamento. Contudo, com o tempo a patrística partiu para a doutrinação da consistência da fé, como uma forma de fortalecer o seu poder dentro do Império Romano agora cristianizado.

Sendo assim, vale lembrar que a era patrística foi uma período de transição de pensamento muito importante. Esse que ocorreu mais precisamente entre a Antiguidade e a Idade Média.

Fonte: Editora Pai Deusis

Característica da Patrística

A patrística é considerada a primeira fase da filosofia na Idade Média. Ela se baseia, principalmente, na filosofia grega. Isso porque os filósofos dessa época tinham como principal propósito entender a relação entre a fé divina e o racionalismo científico. Basicamente, uma forma de racionalizar a fé cristã.

Portanto, o período patrístico teve bastante influência de Platão, um dos principais pensadores gregos. Desse modo, o pensamento platônico foi difundido entre os patrísticos por meio do neoplatonismo. Essa que foi uma corrente filosófica que formulou suas próprias teorias baseadas no escritos deixados pelo filósofo grego.

Desse modo, os principais tópicos abordados pelos patrísticos eram baseados nas vertentes do maniqueísmo, ceticismo e o neoplatonismo. Sendo eles, a criação do mundo, ressurreição e encarnação, corpo e alma, pecados, livre arbítrio, e a predestinação divina.

Então, foi durante a era patrística que foi difundida a maior parte das doutrinas do pensamento cristão. Sendo assim, foram os padre que tiveram a importante missão de desenvolver a base de todo o pensamento cristão. Por fim, foi assim que se originou o que conhecemos hoje como Igreja Católica Apostólica Romana.

Fonte: Cristo está dentro de nós

A Patrística e Santo Agostinho

Como dito anteriormente, Santo Agostinho foi um dos principais filósofos da era patrística, sendo considerado o maior difusor desse pensamento e o maior polemista dessa filosofia. Ele era teólogo, filósofo e bispo de Hipona, e recorreu a várias teorias e escolas filosóficas afim de encontrar um sentido para a vida.

Nessa busca ele conheceu o pitagorismo, o maniqueísmo e uma parte importante da filosofia helênica. Contudo, ele focou sua busca no desenvolvimento do conceito de “pecado original” e do “livre arbítrio”, como explicação para livrar-se do mal. Outro tema bastante explorado por Santo Agostinho foi a chamada “predestinação divina”, que foi associada à salvação do homem por meio da graça divina.

Desse modo, o filósofo patrístico tinha forte crença na fusão da fé (igreja) e da razão (filosofia). Assim, ele acreditava ser o melhor caminho para se encontrar a verdade. Para ele, as duas vertentes poderiam sim caminhar justas, uma vez que a razão auxiliaria a busca da fé, que segundo ele, não poderia ser alcançada sem o pensamento racional.

Santo Agostinho de Hipona.
Fonte: A12

Patrística e Escolástica

Como já vimos até aqui, a patrística foi a primeira fase da filosofia medieval, essa que se estendeu até o século VIII. Sendo assim, por sete séculos, essa corrente filosófica esteve focada nos ensinamentos dos “homens da igreja”, ou seja, os padres, bispos e demais membros da igreja católica.

Até que no século IX, surgiu a escolástica, uma filosofia que se estendeu até o início do Renascimento, no século XVI. E da mesma forma como a patrística, a filosofia escolástica também se baseou na filosofia grega e no cristianismo. Contudo, o seu método de difusão era unir a fé a razão para atingir o crescimento humano.

Desse modo, enquanto a filosofia patrística defendia a religião cristã e negava o paganismo, a escolástica tentava explicar a existência de Deus, por meio do racionalismo. Assim como a existência do céu e inferno, as relações entre os homens, a razão e a fé.

Enquanto Santo Agostinho foi o maior representante da filosofia patrística, São Tomas de Aquino foi o “Príncipe da Escolástica”. Como maior representante dessa corrente de pensamento, seus estudos foram chamados de Tomismo. Por fim ele foi nomeado Doutor da Igreja Católica em 1567.

São Tomás de Aquino.
Fonte: Guia do Estudo

Livros da Patrística

Sendo assim, tanto a patrística quanto a escolástica, produziram vários livros importantes para a compreensão do pensamento religioso cristão. Dentre eles, algumas obras mais marcantes merecem destaque, sendo elas:

  • Enéadas;
  • Isagoge;
  • Confissões;
  • Cidade de Deus.
Fonte: Estante Virtual

Enfim, o que você sobre a filosofia patrística? Que tal conhecer também sobre a Iconoclastia?

Fontes: Brasil Escola, Toda Matéria, InfoEscola

Fonte Imagem Destaque: Canal Prof. Felipe Aquino