História

Goebbels, quem foi? Biografia e importância para o Terceiro Reich

Como a propaganda inovadora de Joseph Goebbels foi fundamental para a manutenção e o crescimento do regime nazista na Alemanha.

Atualizado em 28/01/2020

O homem por trás de Hitler, Goebbels, desenvolveu uma propaganda essencial para a ascensão do fuhrer do regime nazista na Alemanha.

Paul Joseph Goebbels era um homem baixo, com má formação nos pés e, por isso, nunca lutou em guerras. Mas Goebbels tinha outras formas de lutar. Por conta de sua voz forte e marcante, se mantinha centrado nas mensagens cuidadosamente fabricadas pelo governo. Assim, podia espalhar de forma eficiente conceitos de superioridade alemã, antissemitismo e outros valores do partido nazista. Por outro lado a voz de Adolf Hitler se tornava estridente com frequência em discursos, o que favoreceu Goebbels.

Ministro da Propaganda do Regime Nazista entre 1933 e 1945, Goebbels foi a grande mente por trás da propaganda nazista. Dessa forma, podia colocar em prática estratégias de controle e lavagem cerebral fundamentais para o crescimento do regime de Hitler.

A origem da voz

Joseph Goebbels - Biografia e importância para o funcionamento do Terceiro Reich
The Jerusalem Post

Goebbels nasceu em uma família de operários católicos, em Rheydt (Alemanha), em 1897. Por consequência da pólio, sofreu má formação nos pés e tinha uma perna mais curta do que a outra. Assim, acabou sendo rejeitado pelo serviço militar durante a Primeira Guerra Mundial. Por isso, decidiu focar nos estudos e, em 1922, conquistasse Ph.D em história e literatura na Universidade de Heidelberg.

O início da carreira profissional de Goebbels se deu com o jornalismo. Ele possuía uma incrível imaginação capaz de produzir poesia e ficção, entretanto, seus talentos de comunicação foram muito mais explorados no Partido Nazista. Como Goebbels era fã de Hitler, se filiou ao partido em 1924. Então, rapidamente ganhou importância lá dentro e dois anos depois foi promovido a líder distrital de Berlim. Ali, desenvolvia importantes funções: publicava o jornal semanal Der Angriff (O Ataque), criava pôsteres e organizava desfiles e comícios.

Máquina de Propaganda

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Voyager

Com a ascensão de Hitler ao poder, Goebbels foi nomeado diretor do novo Ministério de Propaganda, em maio de 1933. O objetivo do ministério era fazer a população alemã obedecer aos nazistas e adorar a Hitler. A partir daí, toda a comunicação – cinema, rádio, teatro, imprensa – estava sob a tutela do Goebbels. Por causa do controle das mídias, o governo subjugava artistas e jornalistas ao estado e podia eliminar judeus de posições de influência. Além disso, todos outros considerados inimigos do nazismo, também eram alvos desse controle.

Não só isso, como formas alternativas de pensar, se comportar ou entender o mundo também eram condenadas. Assim, milhares de livros foram proibidos e muitos deles foram queimados em espaços públicos sob o regime nazista. No dia 10 de maio de 1933, foi Goebbels o responsável por organizar uma infame queima de livros em Berlim. Em resumo, o evento uniu estudantes universitários que destruíram trabalhos colocados em listas de censura. Nas fogueiras, estavam livros de autores judeus, pacifistas, liberais, anarquistas, socialistas e comunistas, dentre outros censurados.

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Estratégias de divulgação

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DW

O rádio foi outro importante ponto na propagação das ideias de Goebbels. Para facilitar o acesso à comunicação oficial do governo, parte da produção dos equipamentos era subsidiada pelo governo. Graças a estratégia, a maior parte dos alemães poderia comprar seu próprio rádio. Além disso, era possível encontrar alto-falantes em diversos espaços públicos, como praças, esquinas e cafés, ou mesmo dentro de fábricas. As mensagens de rádio eram controladas por Goebbels e reforçavam ideias de superioridade racial ariana e rejeição a judeus, comunistas e outros inimigos do governo alemão.

Além do rádio, o vídeo também foi uma importante forma de divulgação dos conceitos nazistas na propaganda de Goebbels. Na gestão do ministro, fotos de Hitler eram utilizadas por toda a parte, sempre o retratando como salvador da Alemanha. Frases simples e palavras de ordem também foram fundamentais para que a população conseguisse absorver – e propagar – ideais do governo. Por todos os lados era comum ouvir e ler mensagens como “Elimine o comunismo” ou “Livre a Alemanha dos judeus”.

Outra marca registrada visual da propaganda nazista era o símbolo da suástica. O símbolo estava presente em todos os uniformes militares, vídeos, materiais gráficos e prédios públicos. Além disso, comícios e desfiles em apoio ao nazismo aconteciam por todo o país, para demonstrar a força e o poderia militar alemão.

Violência

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Times of Israel

Como era, pregador fanático da violência, Goebbels passou a autorizar ações de opressão contra judeus. Em 9 de novembro de 1938, depois do assassinato de um diplomata alemão por um estudante judeu, em Paris, o ministro passou a pedir “demonstrações públicas e espontâneas” contra os judeus. Com o objetivo de atacar judeus, o programa Kristallnacht gerou uma série de ataques responsáveis pela morte de 91 judeus, a queima de mais de 900 sinagogas, a destruição de quase 7 mil empreendimentos judeus e o envio de 30 mil judeus para campos de concentração e extermínio.

Mais tarde, Goebbels esteve presente no plano nazista que envolvia o genocídio da população judia de todos os territórios alemães, a Solução Final. Tanto é, que o ministro chegou a emitir avisos públicos dizendo que “os judeus irão pagar com o extermínio de sua própria raça.”

Durante a Segunda Guerra, Goebbels também foi responsável por escrever uma série de artigos e discursos que chamavam o povo alemão para a luta. Nesse sentido, em 18 de fevereiro de 1943, fez seu discurso mais famoso, que motivava o povo alemão a continuar a suportar as dificuldades, mesmo que os esforços de guerra da Alemanha estivessem falhando naquele momento.

No dia 1º de maio de 1945, enquanto Berlim estava cercada e Adolf Hitler já estava morto, Goebbels e sua esposa envenenaram seus seis filhos e cometeram suicídio com a ajuda de oficiais da SS. Embora seus corpos tenham sido queimados, foram encontrados por tropas soviéticas.

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Controvérsia de Goebbels

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DW

Goebbels apostou numa estratégia de propaganda inovadora, inspirada nas publicidades comerciais que se destacavam nos Estados Unidos. Para isso, não economizou na hora de moldar os fatos e manipular o povo alemão.

Em entrevista para o The Guardian, a secretária de Goebbels confessou que parte do trabalho do governo envolvia adulterar estatísticas oficiais. Brunhilde Pomsel admitiu que frequentemente tinha que fazer coisas como reduzir o número de soldados alemães mortos em combate. Além disso, ela aumentava índices de estupro de mulheres alemãs por oficiais inimigos, do Exército Vermelho.

Alguns historiadores defendem que a mentira e manipulação também estiveram presentes na própria imagem que Goebbels criou de si mesmo. Conforme disse e historiador e biógrafo Peter Longerich, “uma das principais fontes para estudar Goebbels é a sua própria propaganda, e estivemos sob a influência dela”. Assim, a visão de uma Alemanha unificada ao redor de Hitler motivada por sua propaganda, pode ser reflexo dessa propaganda.

Falsa propaganda

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Forward

Como o ministro se encontrava com Hitler uma vez a cada quatro ou seis semanas, tinha a sensação de ser o assessor mais próximo do líder nazista. Portanto, somando a identificação com o regime totalitário e o apego que tinha por sua propaganda, gerou um narcisismo patológico.

Por conta de frases fortes e estratégia de propaganda opressora e tendenciosa, Goebbels foi uma das peças fundamentais para a implantação e manutenção de um sistema baseado em perseguição, controle e uma série de violações de direitos humanos. Sendo assim, o papel do propagandista na história nazista ficou tão marcado que, ainda hoje, “fazer referência aberta ao nazismo ou a políticos como Goebbels é impensável politicamente, mesmo para políticas da extrema direita alemã”, conforme destaca o historiador alemão André Poster, da Universidade de Dresden.

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Fontes: BBC, PBS, El Pais

Imagem de Destaque: Military