História

Espartanos, quem foram? História, guerras, comportamento e curiosidades

Os espartanos eram guerreiros da Antiguidade conhecidos pela força e pelo treinamento, sendo considerados os soldados mais perfeitos.

Atualizado em 29/03/2020

Conhecidos pela guerra e por serem os soldados mais perfeitos de todos os tempos da Antiguidade. Assim eram os espartanos. Regidos pelas Leis de Licurgo, os soldados de Esparta não tinham outra função, a não ser treinar e se preparar para confrontos.

Toda a força adquirida advinha de um rígido sistema de treinamento. As crianças eram apartadas logo cedo, com apenas 7 anos de idade. Assim, recebiam o mais temido e forte ensinamento sobre guerra e como enfrentar o inimigo. Licurgo era conhecido como quem comandava as legislações de Esparta. Dele, vieram as leis que determinavam tudo que um espartano deveria aprender para se tornar um perfeito guerreiro.

Em Esparta, as decisões eram tomadas pelos éforos – líderes que compartilhavam do poder junto ao rei. Além disso, eram homens de idade, com mais de 60 anos. Assim, a legislação previa que os homens apartados não deviam se ocupar com afazeres da terra. Ou seja, o tempo era destinado ao completo treinamento dos guerreiros.

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Na pólis da Grécia Antiga, o estado determinava quem eram as crianças que mereciam viver. Dessa forma, o infanticídio eram comum em outras pólis da Grécia, porém, apenas em Esparta o estado detinha o poder sobre a vida privada. Por conta disso, Esparta se tornou a cidade mais temida de toda a Antiguidade.

Espartanos

Os espartanos eram conhecidos como os guerreiros mais temidos da Antiguidade. Homens jovens, treinados desde criança para combates e enfrentamentos contra o inimigo. Assim, quando jovens adultos, possuíam um comportamento diferenciado se comparado aos de mais homens da Antiguidade.

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Leónidas, o rei de Esparta, tal como é representado no filme “300”. Fonte: Expresso

Os homens espartanos não possuíam casa fixa. Isso porque, passavam a maior parte do tempo com a tropa de guerreiros em treinamento. Assim, o local de sobrevivência se resumia à barracas construídas geralmente na periferia da cidade. Por conta disso, os homens não viviam com suas famílias e pensavam apenas nas guerras.

Por conta disso, a vida das mulheres espartanas eram bem diferente das de mais mulheres da Antiguidade. Isso porque, elas podiam exercer atividades físicas e as roupas que usavam ficavam à cargo do que elas queriam. Por serem minoria em Esparta, as mulheres eram conhecidas por mandar nos homens. Além disso, podiam ter mais de um marido, ou seja, um casamento poliândrico.

Confrontos

Os persas eram uma das mais expressivas civilizações que viveram durante a Antiguidade. Por conta disso, os confrontos entre persas e espartanos ocorriam com frequência. Assim, o primeiro conflito entre as duas civilizações ocorreu na Batalha de Termópilas, em 480 a.C, entre os dias 8 e 10 de setembro.

Persas e espartanos já haviam se encontram antes. Porém, os conflitos foram apaziguados pelos atenienses. Assim, a tropa de Esparta, composta por 700 homens, era formada pelos periecos – segunda camada da sociedade espartana, que possuíam a liberdade, porém não tinha direito à decisões políticas. Além disso, mais 900 homens completavam o grupo de guerreiros. Esses eram conhecidos como hilotas, homens escravos que cuidavam das armas.

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Batalha de Termópilas, em 480 a.C Fonte: Estudo Prático

Do outro lado, os persas possuíam uma tropa formada por 70 mil soldados. Porém, alguns historiadores afirmam que o número era bem mais. Ou seja, a estimativa de que havia cerca de 1,7 milhão de persas para o combate. Os espartanos estavam em menor número, 300 soldados selecionados para a batalha. Assim, o estado selecionou aqueles que possuíam filhos. Isso porque, o legado da guerra podia ser passado para os jovens que estavam iniciando os treinamentos.

Os persas possuíam vantagem numérica. Porém, isso não era vantagem quando comparado à superioridade dos espartanos. Isso porque, os soldados de Esparta detinham do mais forte e invencível armamento, além da força e determinação de guerreiros que foram treinados exclusivamente para as guerras. Assim, era praticamente impossível vencê-los.

Esparta e Atenas

Após a Batalha de Plateias, último confronto das Guerras Médicas no sul da Grécia, as cidades gregas se uniram. Isso porque, os inimigos estavam derrotados e conflitos cessados. Porém, a aliança que existia entre as cidade de Antenas e Esparta, já no final do ano de 479 a.C, estava se debilitando.

Isso porque, a Grécia passava por um período em que as divisões entre as duas cidades eram bem visível. Atenas possuía uma estrutura baseado na democracia regida pela Liga de Delos. Já Esparta se via sobre as ordens da Liga do Peloponeso.

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Cidade de Esparta. Fonte: Purpura

Assim, sem inimigos para combater já que as Guerras haviam cessado, o modo de vida das duas cidades da Grécia era a única preocupação. Por conta disso, as oligarquias de Esparta que mantinham forte controle sobre a sociedade iam em confronto contra a vibrante metrópole de comerciantes que era Antenas.

Após conflitos ideológicos entre as duas cidades, espartanos decidem cercam os muros de Atenas. Porém, antes mesmo da decisão, a construção do muro que cercava os atenienses foi duramente repudiado pelos espartanos. Por conta disso, os conflitos entre as duas cidades teve início, por volta de 431 a.C.

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Vista do Partenon na Acrópole de Atenas. Fonte: Info Escola

A ideia era simples: os espartanos queriam cercam o muro com soldados para que os atenienses não tivessem alimentos para sobreviver. Assim, teriam que sair da cidade em algum momento. Entretanto, o plano de Esparta não surtiu efeito. Isso porque, Atenas era a cidade que comandava o poderio de navios. Assim, conseguiam importar alimentos de outros lugares.

Guerra do Peloponeso

Os conflitos entre Esparta e Atenas ficou conhecido como Guerra do Peloponeso. Foram 35 anos divididos entre momentos de paz e enfrentamentos. Os conflitos cessaram Lisandro, um dos soldados espartanos, convocou os persas para que o ajudassem a conseguir navios para a cidade de Esparta.

Dessa forma, os espartanos conseguiram bloquear os canais onde os alimentos passavam até a cidade de Atenas. O plano deu certo quando a cidade de Atenas começou a passar fome devido a falta de alimentos. Assim, em 404 a.C, a questão da fome e da miséria desolavam os atenienses.

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Guerra do Peloponeso. Fonte: Alcilene responde

Por conta disso, Atenas não tinha outra saída a não se render à pressão de Esparta. Como consequência, os muros que cercavam a democrática cidade dos atenienses foram derrubados pelos soldados espartanos. Assim, no lugar do livre comércio e da democracia foi imposta a ditadura com 30 ditadores da cidade de Esparta.

O poder adquirido por Esparta no pós guerra não durou muito. Isso porque, Antenas conseguiu restabelecer a democracia na cidade após os ditadores serem depostos. Assim, os conflitos entre Atenas e Esparta retornaram, em 395 a.C, na chamada Guerra de Corinto. Porém, a guerra não teve um ganhador. Os espartanos estavam mudando a forma de lutar e os guerreiros já não era tão temidos assim.

Vida, arte e guerra

Os espartanos possuíam um estilo de vida bem simples. Ou seja, não eram ligados à vaidade. Prova disso estava nas roupas que usavam. Isso porque, eram vestimentas sem luxo e regalias, sendo que não havia diferença entre um hilota e o seu superior. Logo, a única coisa que era permitido por lei era o cuidado com os cabelos.

Por conta disso, os espartanos mantinham uma relação de extremo cuidado com os longos cabelos. Em relação as atividades artísticas, os espartanos desenvolviam poesia e praticavam dança, atividades essas desenvolvidas tanto pelas mulheres quanto pelos homens.

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Guerreiros espartanos. Fonte: Quora

Além disso, cada espartano era obrigado a manter uma relação de harmonia com a tropa. Ou seja, era determinado que todos os espartanos deveriam fazer uma refeição com a tropa pelo menos uma vez ao longo do dia. Assim, deveriam trazer alimentos que produzidos na própria terra. Com isso, caso um guerreiro não tivesse o que oferecer, ele era expulso das decisões políticas da cidade.

Em relação ao casamento dos espartanos, ocorria um ritual bastante violento para as mulheres. Isso porque, elas deveriam raspar os cabelos e eram perseguidas e capturadas por algum homem. Em seguida, eram estupradas, o que significava que a mulher estava casada.

Outro ponto discutido durante a Antiguidade era a relação de amor que existia entre o tutor de cada espartano. Ou seja, quando apartados, os jovens guerreiros possuíam tutores que os ensinavam a arte da guerra. Assim, de acordo com as Leis de Licurgo, os jovens deviam amor duradouro à esses tutores.

Você sabia?

  • Os espartanos eram treinados para suportar situações de sofrimento extremo e dificuldade;
  • As mulheres espartanas eram conhecidas por serem fisicamente fortes já que praticavam, diariamente, exercícios ao ar livre;
  • Ao nascerem, os bebês recebiam avaliação de homens mais velhos. Caso fossem considerados fracos, eram jogados no abismo;
  • Os espartanos jovens eram separados se suas mães com apenas sete anos. Assim, não tinham o direito de brincar;
  • A homossexualidade era discutida entre os espartanos;
  • A história dos espartanos é representada no filme de Zack Snyder, os “300”.

O que achou da matéria? Se gostou, corre pra conferir como era o Egito Antigo e quem foi Constantino.

Fontes: Aventuras na História, BBC, Info Escola e Mega Curioso

Fonte imagem destaque: Medium

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.