História

O que foi Era Vargas?

A Era Vargas foi um tempo de ambiguidades. Se de um lado houve prosperidade social, por outro existiu retrocesso político em algum tempo.

Atualizado em 05/05/2019

Era Vargas é o nome do período em que Getúlio Vargas governou o Brasil. Foram 15 anos à frente da administração federal, de 1930 a 1945, ininterruptamente. E depois, de 1951 a 1954, quando morreu. Vargas fez profundas mudanças, tanto sociais quanto econômicas.

A Era Vargas se iniciou na Revolução de 1930, quando destituiu do poder a oligarquia cafeeira. Divide-se em três fases:

  • Governo Provisório -1930-1934
  • Governo Constitucional – 1934-1937
  • Estado Novo – 1937-1945
  • Governo Democrático – 1951-1954

A Revolução de 1930

Da Proclamação da República até o ano de 1930, vigou no Brasil a chamada República Velha, que foi o primeiro período republicano brasileiro. Havia a alternância no poder entre os Estados de São Paulo e Minas, política que ficou conhecida como “café-com-leite”. Mandavam os coronéis, que eram grandes latifundiários.

Em março de 1930 se realizaram as eleições para presidente da República e saiu vitorioso o candidato governista Júlio Prestes. Mas a Aliança Liberal (nome dado aos aliados mineiros, gaúchos e paraibanos) recusou-se a aceitar a validade das eleições, alegando fraude.

O auge da crise foi a morte de João Pessoa, candidato a vice-presidente de Getúlio Vargas. Some-se a isso a Crise de 1929 e o descontentamento do Exército com o governo vigente.

Formou-se então uma junta governamental composta por generais, que depôs o presidente Washington Luís e empossou Getúlio Vargas. Era o fim da República Velha e o início da Era Vargas.

Governo provisório (1930 – 1934)

Em 3 de novembro de 1930 começou o governo provisório na Era Vargas. Instalou-se o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, conhecido como “Ministério da Revolução”, que passou a organizar a legislação trabalhista.

Na economia investiu na industrialização para substituição de importações. Houve também o fortalecimento do Estado através da centralização de poderes.

Vargas nomeou militares para intervir nos Estados e com isso tirou o poder do coronéis. Houve certa tensão entre as velhas oligarquias e os militares interventores. A oposição às ambições centralizadoras de Vargas foi mais forte em São Paulo, onde nasceu um discurso de autonomia política.

O povo paulistano se levantou em armas contra o governo Getúlio Vargas e exigiu a realização de eleições para a elaboração de uma Assembleia Constituinte. Movimento que se chamou Revolução Constitucionalista de 1932.

Mesmo derrotando as forças oposicionistas, o presidente convocou eleições para a Constituinte. E em 1934 a nova Constituição foi promulgada.

Governo Constitucional (1934 – 1937)

Durante o Governo Constitucional de Getúlio Vargas foram realizadas a implementação do Código Eleitoral, criou-se a representação classista no Congresso e o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC).

O moderno Código Eleitoral previa o voto direto e o voto feminino. A representação classista no Congresso consistiu na indicação de sindicalistas por Vargas para negociar com as demais forças os direitos das categorias das quais eram oriundos.

E o DPDC realizou a promoção e censura da produção cultural do país, de acordo com a política do regime.

O Estado Novo

Getúlio Vargas usou a desculpa da instabilidade política para a instauração da ditadura do Estado Novo. Embora estivessem previstas eleições para a presidência da República em 1938, Vargas articulava um golpe de Estado.

E a ameaça comunista foi o motivo para decretar o estado de guerra, que fechou o Congresso Nacional e instaurou uma nova Constituição de teor autoritário (1934), efetivando-se assim o Golpe de 1937.

No Estado Novo foram criadas a Justiça do Trabalho (1939) e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1943. Cada categoria de trabalho podia apenas ser representada por um sindicato, essa restrição inviabilizou a organização autônoma de sindicatos.

Nesse período também foram construídas muitas indústrias de base, como a Companhia Siderúrgica Nacional (1941), a Companhia Vale do Rio Doce (1942) e a Fábrica Nacional de Motores (1942).

Em 22 de agosto de 1942, o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial, devido aos ataques a submarinos brasileiros por forças do Eixo. Foi enviada a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Itália até o fim da guerra (1945).

Em 1945 havia a campanha eleitoral para a presidência da República e Getúlio Vargas desejava participar para dar continuidade ao seu governo. Temendo que ele se elegesse, os militares o depuseram e o general Eurico Gaspar Dutra se elegeu presidente. Era o fim do Estado Novo.

Governo Democrático – 1951-1954

Em 31 de janeiro de 1951, Getúlio Vargas assumiu outra vez a presidência da República, eleito pelo voto direto. Estava na vigência da Constituição Federal de 1946. Ele implementou o Plano de Reaparelhamento Econômico, com o desenvolvimento industrial e a melhoria da infraestrutura, investindo no setor rodoviário e de energia.

Também foram criados o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – BNDE (1952), a Petrobrás (1953), e se propôs a criação da Eletrobrás (1954). Também deu um aumento de 100% ao salário mínimo.

No entanto, seus inimigos políticos articulavam para tirá-lo definitivamente do poder. Em 5 de janeiro de 1954, ocorreu o atentado da Rua Tonelero que feriu o maior inimigo de Vargas, Carlos Lacerda. Esse atentado feito pelo chefe da guarda pessoal de Vargas, Gregório Fortunato, desencadeou os pedidos de deposição ou renúncia de Getúlio Vargas.

Em 22 de agosto de 1954, os militares exigiram a renúncia do presidente. Dois dias depois, Getúlio Vargas se suicidou.

Achou interessante a história da Era Vargas? Pois você vai gostar ainda mais de conhecer onde surgiram direita e esquerda na política.

Fontes: Só História, Toda Matéria, Info Escola, História do Mundo.