História

Marquesa de Santos, quem foi? Vida de Domitila e influência no Brasil

Domitila de Castro, conhecida como Marquesa de Santos, era amante de D. Pedro I, sendo uma das mulheres mais conhecidas durante o Império.

Atualizado em 10/06/2020

Domitila de Castro, conhecida como a Marquesa de Santos, foi uma das mulheres mais faladas durante o Império. Isso porque teve um relacionamento extraconjugal com o Imperador Dom Pedro I. O casal causou reboliço na população, que achava o romance impróprio, já que Dom Pedro era casado com a Imperatriz D. Leopoldina.

Marquesa de Santos foi nomeada com título do Império sem ao menos ter pisado em Santos, terra litorânea. A nomeação foi dada a fim de contrariar os irmãos Andrada, família com quem Dom Pedro havia se desentendido. Como parte da família imperial, a Marquesa recebia inúmeros presentes e cartas de amor de Dom Pedro.

Naquela época, Domitila de Castro ia contra qualquer estereótipo de mulher do lar. Tinha atitudes fortes, decisões marcantes que a faziam dona de si.

Ainda na adolescência, causou-se com um homem violento que a privava da vida. Assim, cansada de sofrer, Domitila decide se divorciar. O fato de se divorciar não era algo comum naquele tempo, mas para Domitila, era o certo a ser feito.

Mas, afinal, como foi o relacionamento da Marquesa com Dom Pedro I? Vamos contar tudinho!

A vida da Marquesa de Santos

Domitila de Castro nasceu em 1797, no dia 27 de dezembro. Vinda de uma família tradicional à época, era filha do coronel e inspetor de São Paulo, João de Castro Canto e Melo, e de Escolástica Bonifácia de Oliveira Toledo Ribas, descendente de paulistanos. Como era comum naquele tempo, Domitila causou-se aos 15 anos de idade.

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Domitila de Castro Canto e Melo, Marquesa de Santos.

Seu marido, Felício Pinto Coelho Mendonça, era alfares. Além disso, possuía cargo de oficial em Vila Rica, como parte do Segundo Esquadrão do Corpo dos Dragões. Após o casamento, Felício demonstrou ser uma pessoa violenta e agressiva. Por conta disso, Domitila voltou, em 1816, para casa dos pais, que moravam em São Paulo.

A separação durou dois anos, quando em 1818, Domitila decide voltar para o marido. Porém, a decisão não foi uma boa opção. Isso porque, num ato de covardia, Felício esfaqueou Domitila na coxa e na barriga. O ataque fez com o que a jovem ficasse entre a vida e a morte por longos dois meses. O ex-marido foi preso pela agressão.

O encontro com Dom Pedro I

A primeira vez que Dom Pedro I viu Domitila de Castro foi antes de proclamar a Independência do Brasil, quando ainda era príncipe regente. Assim, o interesse pela jovem surgiu em uma visita que Dom Pedro realizou à São Paulo, numa ocasião de festa. Naquela época, Dom Pedro já era casado com Maria Leopoldina, austríaca filha do imperador I da Áustria.

O casamento, entretanto, não era motivo de impedimento para ações de Dom Pedro, considerado por muitos como mulherengo e aventureiro. Após o encontro com Domitila, a jovem foi morar na corte real, em 1823. Dessa forma, o romance entre os dois já havia começado. Inclusive, Domitila ocupava o lugar de Leopoldina em vários compromissos com Dom Pedro.

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Domitila de Castro, Dom Pedro I e Dona Leopoldina.

No dia do aniversário do imperador, em 12 de outubro de 1825, Dom Pedro concedeu à Domitila o título de “Viscondessa”. A nomeação veio por conta dos serviços que a jovem prestava à imperatriz Leopoldina. Após um ano, também no aniversário de Dom Pedro, a Viscondessa foi então nomeada “Marquesa de Santos”.

O romance entre a marquesa e o imperador rendia presentes e declarações picantes. Os dois amantes trocavam cartas de amor, mas também brigavam por escrito. A força de Domitila em não aceitar as ordens impostas para as mulheres da época não deixava ninguém passar, muito menos Dom Pedro I.

A morte de Leopoldina

De forma geral, o imperador causou muito falatório quando decidiu comprar, em 1826, uma casa para sua amante. No dia 11 dezembro de 1826, a esposa de Dom Pedro, Dona Leopoldina, morre e a má reputação do imperador aumenta ainda mais no Brasil e na Europa.

Assim, após a morte de sua esposa, o imperador inicia então uma busca para se casar com outra mulher que integrasse a corte europeia. Entretanto, não obteve sucesso na busca, que durou dois anos.

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Dom Pedro I e Dona Leopoldina.

Dessa forma, após o longo período de busca, Dom Pedro conhece Amélia e decide se casar com a jovem, em 28 de agosto de 1828. Domitila, que vivia na corte, foi expulsa pelo imperador, em 1829. Então, chegava ao fim o romance de Dom Pedro I e a Marquesa de Santos.

Voltando para casa

Após o rompimento com Dom Pedro I, a Marquesa de Santos decide voltar para a cidade onde nasceu, São Paulo. Na cidade natal, junto das duas filhas que teve com o imperador, Domitila decidiu comprar um casarão. A casa grande e aconchegante ficava na Rua do Carmo, hoje conhecida como Rua Roberto Simonsen.

Em 1833, conhece Rafael Tobias de Aguiar. Logo, passa a morar com o homem, que era político, brigadeiro e fazendeiro rico na cidade de Sorocaba. Nesse sentido, a união com Rafael durou longos 24 anos e, juntos, o casal teve seis filhos. Entretanto, dos filhos que teve com Rafael, apenas quatro sobreviveram.

Marquesa de Santos, quem foi? Vida de Domitila e influência no Brasil
Casarão da Marquesa de Santos, atual Museu da Cidade de São Paulo.

No casarão da Marquesa de Santos eram realizados eventos importantes, como saraus de literatura e alguns bailes de máscaras. Após 24 anos de união com Rafael, Domitila de Castro perde o marido. Assim, permanece viúva até o fim da vida, se dedicando ao trabalho de caridade na cidade onde nasceu.

Por fim, a Marquesa de Santos faleceu no dia 3 de novembro de 1867, em São Paulo. Além disso, foi sepultada no cemitério da Consolação.

O casarão onde morava hoje, em São Paulo, faz parte do Museu da Cidade de São Paulo, sendo visitado pelos amantes da história brasileira.

Você sabia?

  • Domitila de Castro, pelo romance que teve com o Imperador, se tornou uma das mulheres mais conhecidas do império;
  • Domitila de Castro, a irmã Maria Domitila de Canto e Melo e Dom Pedro I viviam um triângulo amoroso;
  • A Marquesa de Santos era confundida com uma prostituta. Em alguns casos, foi barrada de entrar em ambientes nobres;
  • Durante os anos de romance com Dom Pedro, Domitila trocou cartas de amor. Bem como cartas picantes. Estima-se que, no total, Dom Pedro I tenha mandado 143 cartas à amada;
  • Durante a velhice, Domitila se dedicou ao trabalho de caridade em São Paulo.

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Fontes: Toda Matéria, Ebiografia, Aventuras na História e Aventuras na História 

Imagens: O Globo, Rainhas Trágicas, Medium e Casa de Doda

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.