História

João Goulart, quem foi? Conheça sua história e carreira política

Conhecido como Jango, João Goulart assumiu a presidência do Brasil em 1961, período de muita tensão e desavenças entre direita e esquerda

Atualizado em 22/11/2019

João Goulart, ou o conhecido Jango, foi o 24º presidente da República brasileira. Aliás, assumiu o cargo após a renúncia de Jânio Quadros. Contudo, para entendermos bem sua história e carreira, devemos começar desde o princípio.

No dia 1º de março de 1919, nasceu na Estância de Iguariaçá, em São Borja, no Rio Grande do Sul, João Belchior Marques Goulart. Basicamente, seu pai era um coronel, o senhor Vicente Rodrigues Goulart e sua mãe era dona de casa, a senhora Vicentina Marques Goulart.

Em uma família com oito irmãos, Jango era o mais novo e cresceu em São Borja. Quando ficou um pouco mais velho, passou estudar na cidade de Itaqui e mais para frente, estudou em Porto Alegre. Por fim, fez o curso de direito na Faculdade de Porto Alegre, onde começou sua atuação política ao lado de Getúlio Vargas. Entretanto, faleceu em 1976, na Argentina, quando estava exilado após o golpe de 64.

Carreira Política de João Goulart

Em 1947, Getúlio Vargas observou a popularidade de João Goulart, na região de São Borja, começando a incentiva-lo à carreira política. Assim, Jango elegeu-se para deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

Durante o governo presidencial de Getúlio Vargas, João Goulart foi nomeado ministro do Trabalho, em 1953. Com isso, Goulart trouxe algumas medidas, como o aumento em 100% do salário mínimo, em 1954. Devido a estagnação do salário mínimo brasileiro, que não havia um aumento por anos. Contudo, essa medida foi um gatilho para as forças armadas exigirem a renúncia de Getúlio Vargas. Pois, criticavam Vargas e Goulart estarem associados ao comunismo.

Entretanto, Vargas não renunciou e acabou suicidando, o que gerou grande comoção popular. Após a Era Vargas, houve uma sucessão presidencial conflituosa. Assim, em 1956, o Brasil possuía um novo presidente e vice, sendo Juscelino Kubitschek e João Goulart, respectivamente. Contudo, Jango aproximou-se bem mais do movimento sindical, tendo JK aplacando essa influência de seu vice.

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Juscelino Kubitschek e João Goulart. Fonte: Wikipédia

A Constituição de 1946, previa um pleito eleitoral tanto para presidente quanto vice-presidente. Logo, em 1961, Jânio Quadros foi eleito presidente ao lado de João Goulart, reeleito vice. Entretanto, essa dupla presidencial possuía posições políticas diferentes. Enquanto Jânio era do Partido Democrata Cristão (PDC), João era do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Basicamente, Jânio era apoiado pela União Democrática Nacional (UDN), adotando uma política antigetulista, já Jango era forte descendente de Getúlio Vargas.

Dualidade de Jânio Quadros

Para entendermos, durante o governo de Jânio, havia uma política econômica conservadora. Embora, houvesse relações comerciais e diplomáticas com países socialistas. E para completar, Jânio presenteou Che Guevara com uma medalha. Assim, a dualidade de seu governo, fez gerar a ruptura com a UDN e os outros setores conservadores. Logo, Jânio Quadros decidiu renunciar o posto, que por sua vez foi ocupado por João Goulart.

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Jânio Quadros com o maior símbolo de sua campanha: a vassoura que ia “varrer a corrupção”. Fonte: ND+

Quando houve a renúncia, João Goulart estava no Oriente, tentando uma aproximação com países do eixo socialista. Assim que foi informado que deveria assumir a presidência, João retornou ao Brasil e enfrentou uma junta que tentou impedir sua posse. Ademais, nessa junta estavam militares, ministros e civis antigetulistas que alegavam uma possível instabilidade das instituições do pais, com Jango na presidência.

Posse da presidência

Com isso, o Congresso Nacional reconheceu a posse de João Goulart. Entretanto, seu mandato só terminaria em 1966 e seria cumprido em regime parlamentarista. Era a primeira vez que o Brasil vivia um regime parlamentarista, durante o período republicano. Tal medida pretendia diminuir o poder do presidente.

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Fonte: Wikipédia

No regime parlamentarista, os ministros possuem mais autoridade que o presidente. Com isso, o primeiro líder de gabinete, no governo de João Goulart, foi Tancredo Neves, em 1962. Entretanto, seu gabinete foi dissolvido, devido ao anseio de todos os outros ministros para concorrerem ao cargo.

Logo, foi formado um novo gabinete, liderado por Brochado da Rocha. Basicamente, ficou responsável pela consulta popular sobre a continuidade do parlamentarismo. Durante esse gabinete, eles pretendiam antecipar essa consulta popular exatamente na época que ocorreriam as eleições para deputados e governadores estaduais

No entanto o Congresso Nacional não aprovou essa antecipação. Logo, houve uma renúncia de Brochado. Enquanto não realizavam o plebiscito sobre a continuidade do parlamentarismo, Hermes Lima assumiu o gabinete, já prevendo que o regime não perpetuaria. Assim que realizaram a consulta popular, foi confirmado, e voltou ao regime presidencialista.

Plano Trienal

Com poder na mão, João Goulart estabeleceu um novo plano econômico, para combater a inflação. Desse modo, sobre comando de San Tiago Dantas e Celso Furtado, foi executado o Plano Trienal. Basicamente, Jango queria concretizar uma adequação ao aumento salarial de acordo com o aumento da inflação. Entretanto, tal medida do Plano causou atritos entres o presidente da república e outros setores de poder, gerando um fracasso do Plano Trienal.

A medida que ia aumentando a tensão entre o governo de João Goulart e as forças de direita, o presidente decidiu recorrer as forças de esquerda. Certamente, ele queria implementar reformas políticas. Tais reformas, foram discutidas durante o governo de JK.

Basicamente, Jango queria acabar com a desigualdade no pais, uma reforma de base. Por exemplo, reforma agraria, bancaria, fiscal, universitária, urbana e administrativa. Podemos destacar a reforma agraria, que buscava uma distribuição igualitária de terra entre os trabalhadores rurais. Além disso, as reformas de base queriam dar mais poder ao Estado e intervenção na economia. Ademais, queria o direito ao voto aos analfabetos, entre outros. Para efetivar as reformas de base, João Goulart participou comícios nas principais cidades do país.

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Comício na cidade do Rio de Janeiro. Fonte: Ensinar História

Os planos de base do Goulart desencadearam uma reação negativa dos proprietários de terras, parte das forças armadas e os interesses políticos norte-americanos. Em março de 1964, os generais Artur da Costa e Silva, Castelo Branco e Cordeiro de Farias se reuniram a fim de articular medidas contra o governo.

O golpe

No dia 20 daquele mês, Castelo Branco emitiu uma nota afirmando que o governo de João Goulart ameaçava a segurança do pais. Assim, no dia 1º de abril de 1964, foi realizado o golpe que implementou o regime militar.

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João Goulart durante entrevista coletiva. Fonte: G1

Com isso, João Goulart foi exilado no Uruguai, onde voltou a fazer atividades pecuárias. Durante esse tempo, teve uma tentativa frustrada de organizar uma Frente Ampla pela restauração do regime democrático. Nos anos seguintes, ficou responsável pela administração de fazendas no Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil. Em 1976, faleceu em uma propriedade rural na Argentina.

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Fontes: TodaMatéria e InfoEscola

Fonte imagem: Outras Palavras