História

Gripe espanhola – O que é, origem da doença e consequências

A Gripe Espanhola foi uma pandemia do século XX, causado por uma mutação do vírus Influenza, que resultou na morte de 50 milhões de pessoas.

Atualizado em 13/05/2020

A gripe espanhola é um vírus influenza que deixou cerca de 50 a 100 milhões de mortos na história. Considerada mãe das pandemias, a doença surgiu no século XX para desesperar centenas de milhares de pessoas. Com certeza, os anos de 1918 a 1919 foram de grande aflições e incertezas.

Primeiramente, não se enganem pelo nome, a influenza H1N1 não tem nada de espanhola. A gripe teve seu primeiro caso no Kansas, EUA, e sua origem veio de pássaros migratórios que acabaram infectando alguns porcos da região. Sua ação foi rápida e certeira, porque não era preciso muito tempo de contração do vírus para que ele levasse uma vida.

Origem do nome gripe espanhola

Há 102 anos, pandemia de gripe espanhola levou mortes e medo à ...

A princípio, o que levou a gripe espanhola migrar facilmente pelo mundo nessa época foram as tropas da Segunda Grande Guerra Mundial. O primeiro caso foi registrado em um soldado do Kansas. O que levou a espalhar-se tão rapidamente foram as medidas tomadas pelo governo americano.

De antemão, para não prejudicar os soldados e disseminar o caos na população, Woodrow Wilson (1856-1924), presidente dos EUA, mandou que todas as notícias sobre a epidemia fossem censuras. O ato gerou a incerteza sobre o que se tratava a doença e as medidas antecipadas que ajudariam na diminuição do contágio não foram tomadas.

Assim como os EUA, os outros países em guerra também tomaram as mesmas medidas. Mas, em contrapartida, a gripe foi muito divulgada na Espanha e por isso foi nomeada Gripe Espanhola.

Entretanto, o que não sabemos é que a gripe espalho já existia nas guerras. O que a tornou mortal foi a recombinação do vírus migrado por uma ave nas células de um porco. A junção entre o vírus humano com a ave aplicada no suíno colocou em cheque a vida de milhares de pessoas no mundo inteiro.

Sintomas da doença

Gripe espanhola - Origem e consequências
Desfile dos soldados, realizado na Filadélfia. O resultado foi a disseminação da doença de maneira violenta e a morte de cerca de 16 mil pessoas em um período de aproximadamente seis meses 

A princípio, o que trouxe alarde foi a segunda onda da gripe que vinha com os sintomas da febre, dor no corpo, coriza. Porém, outra característica foi um pequeno sangramento no nariz. O problema maior da gripe surgiu porque quando apareciam os sinais da doenças, não demorava muito para virem a óbito.

Normalmente, quem contraia a doença pela manhã já estaria então morto ao final do dia. Os casos mais graves apresentavam difíceis quadros respiratórios, digestivos e cardiovasculares. As pessoas que conseguiam se curar desse terror voltavam contrair o vírus deixando os médicos sem saber o que fazer.

Ainda assim, com vários infectados, cidade como a Filadélfia realizaram desfiles com seus soldados e com mais de 200 mil pessoas presentes. Este foi o estopim, porque esse único evento foi o suficiente para a disseminação causando mais de 16 mil pessoas em menos de 6 meses.

Essas são as consequências da omissão e do incentivos dos governos durante a gripe espanhola. Morreram só de influenza mais pessoas que os infectados por AIDS em 40 anos.

O vírus no Brasil

Gripe espanhola - Origem e consequências

Consequentemente, o Brasil não saiu ileso da H1N1, portanto, também tivemos várias vítimas dá doença. Não é a primeira vez e nema última que enfrentaremos esse tipo de contaminação viral. Nos registros históricos, a gripe espanhola chegou por aqui no mês de setembro com um carregamento vindo da Inglaterra que atracou em Recife, Salvador e  Rio de Janeiro.

Como de costume, o governo não se preocupou com o perigo do vírus, isto é, consequentemente, a imprensa não noticiou de imediato a chegada do perigo. Os primeiros casos registrados pela imprensa baiana só foram divulgados quando já haviam 100 infectados na região.

Estamos presenciando agora a mesma situação que aconteceu nesse período. A gripe espanhola afetou ainda mais as regiões Rio-São Paulo devido a grande circulação de pessoas. Só em SP foram registrados cerca de 350 mil casos. Sem cura prevista e totalmente no escuro, os médicos aplicavam medicamentos que ajudariam da recuperação da gripe e apostava na reação do organismo.

Ao final de tudo, a contabilidade brasileira resultou em 35 mil óbitos sendo metade do valor somente no Rio de Janeiro que nesse período era a capital do Brasil.

Tratamento da gripe espanhola

Gripe espanhola - Origem e consequências

Inicialmente, a previsão do colapso da saúde pública fez com que medidas emergenciais fossem tomadas. As enfermeiras na época foram as verdadeiras heroínas durante a pandemia. Como a vacina ainda não havia sido descoberta, a melhor forma seria amenizar o sofrimentos dos pacientes com o vírus.

Para que isso ocorresse novas áreas hospitalares foram abertas e os cuidados diários tinham suma importância. Além dos improvisos medidas de isolamento, definitivamente, foram propostas. O fechamento de bares, escolas, fábricas, a proibição de aglomerações e medias de higiene foram tomadas.

Portando, assim como visto na atual pandemia, caixões eram insuficientes, os enterros não podiam ter parentes presentes. O trabalho se intensificou para os coveiros ao ponto de se determinar afastamento até dos trabalhadores. Mas, não era condição que alguns brasileiros podiam seguir devido as necessidade básicas de sobrevivência.

Por fim, leia também sobre O que foi a Peste Negra? Onde ocorreu? Quantos morreram?

Fonte: Mundo Educação, Saúde, Scielo, Pfarma, Brasil escola, Hiper cultura. Notícias Uol, História do Mundo.

Imagem de destaque: Jornal de Lavras