História

O que foi a Revolta da Vacina?

A Revolta da Vacina foi um levante das camadas mais pobres do Rio de Janeiro, que protestou contra o modo intransigente de governar a cidade.

Atualizado em 07/10/2019

A Revolta da Vacina foi uma rebelião popular contra a vacinação obrigatória, ocorrida no Rio de Janeiro, em novembro de 1904.

Foi também um protesto dos desalojados pelas obras de revitalização da cidade.

Os protestos foram tão violentos que terminaram na morte de quarenta pessoas.

A Revolta da Vacina foi um protesto das camadas cariocas mais pobres

O Rio de Janeiro era uma cidade suja e doente

Ao assumir o governo do Rio de Janeiro em 1902, o presidente Rodrigues Alves encontrou uma cidade suja, abafada e doente.

Infestada de ratos e mosquitos, espalhava-se a peste bubônica e a febra amarela na população. Havia também uma epidemia de varíola e tuberculose.

Era preciso tomar medidas urgentes de reurbanização, sendo para isso nomeado prefeito o engenheiro Pereira Passos.

Também eram necessárias medidas rápidas de saneamento, dessa forma o médico Oswaldo Cruz foi nomeado Diretor da Saúde Pública.

Os dois tinham carta branca para agir.

Milhares de famílias desabrigadas sem aviso ou indenização

Foi dado início à construção de grandes obras públicas, bem como o alargamento das ruas e avenidas.

A reurbanização do Rio de Janeiro, no entanto, sacrificou as camadas mais pobres da cidade.

Sem consultar a população, foram demolidas em menos de um ano, cerca de 600 habitações coletivas e 700 casas no centro da cidade.

Isso deixou sem teto pelo menos 14 mil pessoas. Os desabrigados foram para os cortiços, morros e mangues, com o fim de construir casas de tábuas.

Ninguém foi indenizado e todos tiveram que se virar para sobreviver. Sem contar o aumento do aluguel, devido à grande procura.

A Revolta da Vacina foi um protesto das camadas cariocas mais pobres

A vacinação obrigatória foi a gota d’água

Para que o combate à doenças desse certo, era preciso exterminar o mosquito e o rato, transmissores das principais doenças.

Duas medidas iniciais foram anunciadas. A coleta de todo o lixo da cidade e o pagamento pelos ratos entregues às autoridades.

Mas o povo passou a criar os roedores para conseguir uma renda extra. Então o governo suspendeu a recompensa.

Iniciou-se então uma campanha de saneamento autoritária, onde as casas eram invadidas e vasculhadas. Faltou um esclarecimento prévio sobre a importância da vacina ou da higiene.

Além do mais, as pessoas eram obrigadas a se vacinarem compulsoriamente. Os agentes entravam nas casas e pegavam à força quem se recusasse.

Os pais e maridos ficaram indignados, nesse ínterim, ao verem estranhos tocando no corpo das mulheres da casa.

A insatisfação da população contra o governo foi generalizada e isso desencadeou a Revolta da Vacina.

A Revolta da Vacina transformou o Rio numa praça de guerra

O médico Oswaldo Cruz impôs vacinação obrigatória contra a varíola, para todo brasileiro com mais de seis meses de idade.

A oposição política ao governo se recusou a vacinar e ainda incitava o povo a resistir. Na imprensa, Oswaldo Cruz era ironizado em charges.

Os ânimos se exaltaram e policiais passaram a proteger os agentes de saúde, que invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força.

O descontentamento com a vacina, mais os problemas de moradia e do custo de vida, resultaram na Revolta da Vacina.

Entre 10 e 16 de novembro de 1904, o povo pobre do Rio de Janeiro enfrentou os agentes da saúde pública e a polícia.

O centro da capital carioca se tornou uma praça de guerra, com bondes virados e prédios atacados. Alguns militares que tencionavam derrubar o presidente, incitavam o povo.

A repressão do governo foi forte, e resultou na prisão de 945 pessoas na Ilha de Cobras, 40 mortos, 110 feridos e 461 deportações para o Estado do Acre.

Curiosidades

A oposição espalhou o boato de que a vacina deveria ser aplicada nas partes íntimas do corpo e as mulheres deveriam se despir diante dos vacinadores.

Após o movimento, a Lei da Vacina Obrigatória foi modificada, tornando facultativo o seu uso.

No dia 14 de novembro de 1903, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se revoltaram contra as medidas tomadas pelo governo e passaram a apoiar a população.

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Fonte: Racha Cuca, Info Escola, Toda Matéria, História do Brasil, História do Mundo, Sua Pesquisa.