Astronomia

Constelações, o que são? Origem, principais constelações e caraterísticas

A União Astronômica Internacional define como constelações as estrelas que fazem parte do corpo celeste dividas geograficamente em 88 regiões.

Por Dayane Borges

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Você provavelmente já deve ter se perdido olhando para as dezenas de estrelas no céu. Certamente, são inúmeros pontinhos que causam deslumbre e deixam a noite mais bonita. Assim, o conjunto de várias dessas estrelas presentes no Universo forma o que chamamos de constelações.

Ou seja, as constelações são agrupamentos de estrelas que juntas compõem objetos, como animais, figuras mitológicas e deuses antigos através de linhas imaginárias. Em síntese, essa denominação teve início na Pré-História e era utilizada como forma de caracterizar crenças e estabelecer conceitos mitológicos.

Além disso, o conjunto de estrelas era útil para guiar navegantes. Dessa forma, pela localização das constelações, era possível identificar coordenadas geográficas, por exemplo. A definição de constelação está, ainda, ligada à origem da palavra que vem do latim constelattio e significa “agrupamento de estrelas”.

Origem das constelações

As constelações são estudadas pela Astronomia, ciência que analisa as estrelas, cometas, satélites, ou seja, todos os corpos celestes. Em síntese, o termo constelação foi estabelecido pelos gregos como um agrupamento de estrelas.

A partir disso, o conceito de constelação ganhou ainda mais destaque com as ideias do cientista grego, Cláudio Ptolomeu. Logo, o cientista ficou conhecido pelos estudos sobre o Universo durante o período da Idade Média. Segundo Ptolomeu, na parte Ocidental do mundo seria possível identificar 48 tipos de grupos de estrelas diferentes.

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O fato ficou marcado pela obra desenvolvida por Ptolomeu denominada de O Almagesto. Dessa forma, a obra ficou conhecida como o Tratado de Almagesto e marcou a história da Astronomia. Isso porque, o cientista conseguiu diferenciar e estruturar os estudos em relação à Astronomia e a Astrologia. Assim, distinguiu os saberes entre o que era científico e o que era misticismo.

Os estudos de Ptolomeu foram essenciais para que desenvolvimento do que era constelação fosse aprofundado. Dessa forma, em 1922 – século XX – o que foi definido pelo cientista ganhou complemento e a União Astronômica Internacional (UAI) elaborou estudos ainda mais completos sobre os grupos de estrelas.

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Com isso, foi estabelecido que o conceito de constelação estivesse ligado à divisão geométrica do arco celeste. Desta maneira, as constelações passaram de 48 para um total de 88 divisões geométricas identificadas nos estudos astronômicos. Assim, a partir de 1922, a UAI tornou oficial a definição de constelação.

Principais constelações

De acordo com a União Astronômica Internacional, a lista de constelações é formada por 88 divisões geométricas distribuídas no espaço celeste. Entretanto, vale ressaltar que desse total, 48 foram descobertas pelo cientista Ptolomeu em seus estudos sobre o Universo. Ou seja, as constelações são regiões compostas por astros celestes que juntos formam figuras por linhas imaginárias.

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Assim, dentre as 88 constelações, algumas se destacam mais por conta da localização no céu durante a noite, ou pelo brilho mais aparente. Um exemplo é a constelação Órion, uma das mais fáceis de identificar. Além disso, várias outras se evidenciam por conta da facilidade em encontrá-las. São elas:

  • Ursa Maior – por conta da localização próxima ao Polo Norte, é a constelação mais famosa no hemisfério norte celestial. Além do mais, dependendo do lugar onde é vista, recebe o nome de O Arado;
  • Ursa Menor – constelação vista, principalmente, na região dos países europeus. Logo, possui forma semelhante à Ursa Maior, porém, em menor tamanho;
  • Órion – figura mitológica que representa um caçador e dois cães. Assim, observada por um telescópio se caracteriza como uma das mais belas e brilhantes constelações;
  • Cassiopeia – constelação que representa a figura da rainha grega Cassiopeia, presente na mitologia;
  • Cão Maior – pode ser vista no hemisfério sul celestial, sendo formada pela estrela mais brilhante do céu, a Sirius.
  • Pegasus – é uma das constelações mais antigas. Seu nome faz referência ao cavalo mítico, Alado.
  • Andrômeda – constelação em homenagem à filha da rainha grega, Cassiopeia.
  • Aquila – possui a forma de uma águia representando o animal que acompanhava o deus da mitologia grega, Zeus.

Definição das constelações

De forma geral, as constelações começaram a ser definidas por Claudio Ptolomeu em 150 d.C. Em seguida, seus estudos foram intensificados com o conceito estabelecido pela União Astronômica Internacional, em 1922.

Constelação de Órion, Cão Maior e Cão Menor.

Logo, de forma cronológica, as 88 constelações foram classificadas da seguinte maneira:

  • Claudius Ptolomaeus, no Almagesto, por volta de 150 d.C.;
  • Johann Bayer (1572-1625), astrônomo alemão, no Uranometria em 1603;
  • Johannes Hevelius (1611-1689), astrônomo alemão-polonês, e
  • Nicolas Louis de Lacaille (1713-1762), astrônomo francês, nos Memórias e Coelum Stelliferum em 1752 e 1763.

Classificação das constelações

De acordo com a divisão geográfica celestial, as constelações são classificadas em quatro grupos distintos. Assim, existem as constelações boreais, austrais, zodiacais e equatoriais. Nesse sentido, as boreais são as constelações localizadas no hemisfério celeste norte. São exemplos a Ursa Maior, Cassiopeia e Andrômeda.

Já as constelações austrais pertencem ao hemisfério celeste sul, como a Centauro e a Pavão. Enquanto isso, as zodiacais são as encontradas no caminho que o Sol faz em um ano. Ou seja, as constelações de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

Algumas das 88 constelações classificadas oficialmente.

Por fim, as constelações equatoriais são aquelas localizadas sobre o equador celeste. Assim, são exemplos a Cão menor, Cão maior e Águia. Logo, as constelações podem ser vistas por meio de telescópios ou em observatórios estelares.

Além disso, um ponto curioso em relação ao nome das estrelas que fazem parte de uma constelação. Isso porque, foram classificadas de acordo com o alfabeto Grego, de acordo com o brilho. Ou seja, a estrela mais brilhante recebe o nome de alfa, a segunda mais brilhante é beta, a terceira que mais brilha recebe o nome de gama e, assim, por diante.

Estrelas na Astrologia

Para além dos estudos astronômicos, as constelações também entram nos estudos da Astronomia, caracterizada por ser uma pseudociência. Ou seja, é uma ciência baseada em conceitos que não podem ser comprovados por meio de métodos científicos.

Assim, de acordo com astrologia, a posição das estrelas, a relação de movimentação do Sol e dos de mais astros podem influenciar nas características de personalidade de uma pessoa. Além disso, questões sociais e tomadas de decisão são analisadas por meio do zodíaco.

Nesse sentido, o zodíaco seria o caminho pelo qual o Sol percorre durante o período de um ano. Com isso, o Sol passa por constelações específicas definidas a partir dos meses do ano. A duração em cada constelação seria, aproximadamente, de 30 dias. Além disso, a definição das constelações dos zodíaco foram estabelecidas pelos astrônomos da Babilônia, por volta de 1000 a.C e 500 a.C.

Constelações zodiacais representadas por signos.

Deste modo, as constelações são formadas por doze partes iguais, correspondendo ao período de 30 dias em que o Sol permanece na região. Logo, as partes diferentes percorridas pelo Sol representam os signos. Ou seja, o trajeto do astro representava, então, as coordenadas celestiais desenvolvidas pelos babilônios.

Os signos do zodíaco

Em relação à posição do Sol e o período de duração de cada movimentação, as constelações zodiacais são classificadas em:

  • Áries: 21 de março a 19 de abril
  • Touro: 20 de abril e 20 de maio
  • Gêmeos: 21 de maio a 21 de junho
  • Câncer: 22 de junho a 22 de julho
  • Leão: 23 de julho a 22 de agosto
  • Virgem: 23 de agosto a 22 de setembro
  • Libra: 23 de setembro a 22 de outubro
  • Escorpião: 23 de outubro e 21 de novembro
  • Sagitário: 22 de novembro e 21 de dezembro
  • Capricórnio: 22 de dezembro e 19 de janeiro
  • Peixes: 20 de janeiro e 18 de fevereiro
  • Aquário: 19 de fevereiro e 20 de março

Brasil e as estrelas

De forma geral, o céu brasileiro é um dos mais beneficiados em relação as estrelas. Isso porque, é possível identificar grande parte das constelações austrais em diferentes partes do território.

Ou seja, a constelação de Órion é a mais fácil de encontrar. Assim, basta identificar as “três marias” – estrelas que formam o cinturão de Órion. Logo, são fáceis de identificar devido ao brilho e alinhamento das mesmas. Além disso, a Hidra também é vista do Brasil entre março e abril.

Além do mais, entre o mês de agosto é possível ver a constelação de Escorpião. Por fim, a Coroa Austral – que se caracteriza como parte da constelação de Escorpião – também pode ser vista em terras brasileiras.

Você sabia?

A bandeira do Brasil, um dos símbolos nacionais, apresenta em sua composição estrelas na parte azul. As estrelas representam os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal.

Além disso, de acordo com a disposição das estrelas na bandeira, é possível identificar cinco constelações, dente elas: Cruzeiro do Sul, Escorpião, Triângulo Austral, Cão Maior e Cão Menor.

Constelações, o que são? Origem, principais constelações e caraterísticas
Bandeira astronômica do Brasil.

As estrelas representam como estava o céu no Rio de Janeiro, no dia da Proclamação da República, em 1889. Legal, não é?

O que achou da matéria? Se gostou, corre pra conferir como ocorre o Eclipse Lunar e que são Quasares.

Fontes: Brasil Escola, Astro, Observatório UFMG, Todo Estudo e Escola Educação

Imagens: Educação Livre, Super Abril, Múltipla Escolha, Kultúra, O Céu, Joya Life e Nossa Ciência

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