Geografia

Indústria da seca: estratégia política maligna no nordeste brasileiro

Indústria da seca no nordeste brasileiro: local de projetos faraônicos e que não contemplar a população mais carente. A seca virou um negócio lucrativo.

Atualizado em 31/10/2018

A indústria da seca é uma terminologia que denomina a estratégia de alguns políticos, no nordeste brasileiro, que aproveitam a seca para ganho próprio.

Essa expressão foi cunhada por Antônio Callado, na década de 1960, para denunciar os problemas sociais no chamado “polígono da seca”.

A incerteza do clima é uma constante no nordeste

As chuvas no semiárido nordestino ocorrem de dezembro a abril. Mas à vezes fica sem chover dois ou três anos. Há até registro da falta de chuvas por cinco anos, como ocorreu de 1979 a 1984.

Essas oscilações climáticas prejudicam o crescimento das plantações e agravam os problemas sociais, já que a região é habitada por pessoas em situação de extrema pobreza.

Só que há meios de conviver com a seca. Israel e os povos da Palestina são exemplo disso, pois conseguem viver bem, com agricultura ativa, em um deserto.

Isso porque sabem que a seca é um fenômeno natural periódico e pode ser amenizada com o monitoramento do regime de chuvas, implantação de técnicas próprias para regiões com escassez hídrica ou projetos de irrigação e açudes.

É vantajoso resolver o problema da seca no semiárido?

A indústria da seca se vale da calamidade para conseguir mais verbas, incentivos fiscais, concessões de crédito e perdão de dívidas. Tudo isso propagando a ideia de que o povo está morrendo de fome. E as minguadas verbas públicas até que são liberadas, mas pouco valem porque usadas de forma errada.

O grande exemplo de desperdício de dinheiro público é o  Açude do Cedro, em Quixadá (CE). A autorização para sua construção foi dada por D. Pedro II, mas ele só foi construído na República Velha. A grade de ferro que compõe a varanda, sobre a barragem principal, foi importada da Inglaterra e a cerâmica, de Portugal.

Uma obra tão cara e monumental que atualmente está tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional e é forte candidata ao título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Só que esse sofisticado açude secou completamente na pior das secas, entre 1930 e 1932. Quando mais se precisou dele.

Na atualidade o exemplo de desperdício de dinheiro público é a transposição do Rio São Francisco. É uma obra caríssima e que virou uma bandeira de guerra dos ambientalistas. O projeto visa a transferência de água do rio para abastecimento de açudes e rios menores na região nordeste, diminuindo a seca no período de estiagem.

Mas, os críticos afirmam que a transposição é uma transamazônica hídrica. Em vez disso, bastaria concluir a obra de 23 açudes na região para resolver o problema.

A indústria da seca está em plena atividade até hoje

A questão da seca não é apenas a falta de água. A rigor, não falta água no Nordeste. O que falta é uma solução para a má gestão do dinheiro público.

Há grupos que alimentam a mídia constantemente e chamam a atenção para a seca, como se ela só existisse no nordeste. Então a ajuda do governo chega, mas beneficia muito pouco a população castigada pela seca.

Para pôr fim à chamada indústria da seca, é preciso uma ação governamental séria, realizada por técnicos. Ou seja, precisa da vontade política de resolver de vez o problema.

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Fonte: Info Escola, Toda MatériaCola da Web, Passei Web.