Língua Portuguesa

Falácia – Significado, graus de argumento, classificação e exemplos

Você já deve ter ouvido falar sobre falácia, mas você sabe o seu verdadeiro significado e como ela se encontra em vários contextos linguísticos? Confira.

Atualizado em 15/05/2020

“Apenas falácias”, você provavelmente já ouviu essa frase ou alguma parecida.  Mas você sabe exatamente o que é falácia e o seu verdadeiro significado? Entende-se por falácia um raciocínio errado, mas que aparenta ser verdadeiro. Ou seja, algo falso ou enganoso.

Contudo, a falácia foi um recurso usado por Aristóteles, pela Escolástica, pela Demagogia e pode ser utilizada como figura de linguagem em discursos e temas argumentativos.

Portanto, hoje iremos aprofundar nesse tema, buscando o seu significado, classificação além de dar alguns exemplos do seu uso. Confira.

Significado de Falácia

Primeiramente que a palavra falácia vem do termo grego “fallacia”, e significa aquilo que engana ou ilude. Ou seja, falácia pode ser descrito como algo enganoso.

Além disso, falácias também podem ser encontradas em sofismas, ou seja, raciocínios elaborados maliciosamente para enganar o interlocutor, além de paralogismos, que são os raciocínios falsos. Porém, ao contrário dos sofismas, os paralogismos não tem a intenção de enganar.

Nesse sentido, as falácias são criadas por raciocínios aparentemente certos porém que resultam em falsas conclusões. Sendo assim, esse tipo de argumento é muito encontrado em textos dissertativos.

O filósofo grego Aristóteles, foi o primeiro a se aprofundar na identificação e catalogação desse tipo de pensamento. Contudo, atualmente, a falácias é vista como uma falha de raciocínio criada em conjunto com uma argumentação inconsistente.

Sendo assim, a narrativa da falácia é ancorada em três pontos centrais:

  1. Ser um argumento;
  2. Parecer ter validade;
  3. Não ser válido.

Graus de Argumento

Quando se trata de retórica, existem diferentes graus de argumentos usados para referencias os raciocínios. A começar pelos argumentos fortes, aqueles que validam a informação, afim de garantir a sua veracidade.

Depois vem os argumentos mais fracos. Ou seja, aqueles que não conseguiram provar totalmente uma conclusão, mas que a deixaram rotulada como algo provável de ser verdade.

E por fim, tem os argumentos que apresentam algum erro grande na linha de raciocínio. Contudo, quando ainda assim apresentam algum aspecto válido, podem ser considerados uma falácia.

A Falácia é uma Mentira?

Sendo assim, por falácia significar aquilo que engana ou ilude, as pessoas tendem a considerar esse método de linguagem uma mentira.

No entanto, isso não é correto, uma vez que a falácia não significa mentira. Isso porque a mentira implica na invenção de uma informação que não é verdadeira. Já a falácia é um vocábulo usado para qualificar um argumento.

Classificação das Falácias

Conhecer e saber classificar as falácias é muito importante que para se identifique uma. Sendo assim, as falácias são divididas em dois grupos, as falácias formais e as falácias não-formais.

Falácias Formais

As falácias formais são caracterizadas por erros que dizem respeito à forma de um raciocínio, independentemente de seu conteúdo. Sendo assim, que violam alguma regra formal das diversas que são tratadas no campo da lógica.

Confira o exemplo a seguir para entender melhor o que isso significa:

Messi é craque

Cristiano Ronaldo é craque

Logo, Messi é Cristiano Ronaldo

Nesse exemplo estamos diante de uma interferência lógica. E vamos a explicação:

Então, não é porque tanto Messi quanto Cristiano Ronaldo são craques que Messi e Cristiano Ronaldo são o mesmo craque.

Falácias Não-Formais

Já as falácias não-formais são os erros de raciocínio em que é possível ocorrer por falta de atenção, de cuidado, de conhecimento. Ou até mesmo, por um engano provocado por alguma ambiguidade da linguagem ou por uso de alguma argumentação maliciosa.

Veja exemplo abaixo:

Todos os prédios são plantas

Todas as plantas têm clorofila

Portanto, todos os prédios têm clorofila

Nesse exemplo, há um engano provocado pelo duplo sentido da palavra ‘planta’ no argumento. Isso porque ela pode significar tanto uma espécie de vegetal quanto o projeto de um determinado edifício. Sendo assim, estamos diante de uma falácia não-formal.

Tipos de Falácias

Contudo, existem diversos tipos de falácia, sendo assim, vejamos a seguir alguns exemplos comuns:

Apelo à força

O apelo à força é a falácia é caracterizado por uma ameaça direta ao interlocutor com o intuito de que o mesmo aceite certa conclusão como verdadeira. Assim como o exemplo abaixo:

“Cuidado com o que você vai falar, não se esqueça de quem é que paga o seu salário.”

Apelo à ignorância

Neste caso, busca-se uma aceitação à uma conclusão por não se encontra provas contra esse argumento. Como no exemplo abaixo:

“Existem fantasmas na casa de Pedro”

Ninguém pode contestar esta afirmação porque não é possível provar, concretamente, a existência dos fantasmas.

Apelo à piedade

Também conhecida como ad misericordiam, esse tipo de de falácia é quando há um apelo à compaixão para tentar convencer o outro de um ponto de vista. Assim sendo:

Eu deveria receber uma nota excelente no trabalho, pois fui parar até no hospital para terminá-lo dentro do prazo.

Apelo à autoridade

Já nesse tipo de falácia, é utilizado a posição ou autoridade como um argumento válido. Desse modo:

Imagine a seguinte situação: Um aluno questiona uma explicação do professor por não condizer com os dados divulgados em um material. E o professor refuta a fala do aluno com a argumentação de que é doutor e mestre naquela temática apresentada pelo discente.

Composição

Quanto a composição da falácia, consiste em atribuir características próprias de um elemento ao todo, como nesse exemplo.

João joga muito bem futebol e assim seu time ganhará sempre.

No entanto, o fato de João jogar bem, não significa que toda sua equipe também fará o mesmo.

Divisão

Em contrapartida da composição, a divisão consiste em dar características do todo apenas um elemento. Por exemplo:

O Barcelona é o melhor time do mundo e João será um ótimo jogador ali.

Nesse sentido, não basta que o Barcelona seja uma ótima equipe para fazer um indivíduo ser um bom atleta ao participar dela.

Ad Hominem

Esta falácia tem como intuito atacar a pessoa que enunciou o argumento. Por isso, é chamada de ad hominen, expressão em latim que significa contra o homem. Por exemplo:

X: Sou a favor do casamento gay.

Y: Só mesmo um ignorante como você poderia ser a favor disso.

Nesse caso, note que Y não busca refutar o argumento apresentado, no caso o “casamento gay”. Ao invés disso parte direto para uma agressão contra X, chamando-o de ignorante.

Ad Populum

Essa falácia por sua vez apela para a popularidade de fato. Ou seja, usando o fato de muitas pessoas fazerem e concordarem com aquela informação, como uma tentativa de validação. Assim como no exemplo abaixo:

Luciano, bêbado, apontou um dedo para João e questionou como é que tantas pessoas acreditam em duendes se eles são só uma superstição antiga e boba. João, por sua vez, afirmou que já que tantas pessoas acreditam, a probabilidade de duendes de fato existirem é grande.

Post Hoc

Essa é um tipo de falácia que determina uma relação causal entre dois eventos pelo fato de acontecerem geralmente em sequência. Por exemplo:

Observei vários dias que sempre que o galo canta, o sol nasce. Portanto, o sol nasce por causa do canto do galo.

Falácia do Espantalho

A falácia do espantalho é baseada da deturpação de um argumento e ainda usá-lo para atacar o interlocutor. Assim como no exemplo abaixo:

Maria: É preciso repensar a política de combate às drogas.

Pedro: Lá vem esse pessoal dizer que o melhor é liberar as drogas.

O que Maria disse é que é preciso repensar o modo com que se luta contra os entorpecentes. Pedro, por sua vez, interpreta o argumento como se ela tivesse dito que o melhor seria liberar qualquer tipo de substância ilícita.

Sendo assim, se uma pessoa desconhece a fala de Maria pensará que ela defende a liberação das drogas, algo que em nenhum momento foi dito por ela.

Falácia da Derrapagem ou Bola de Neve

Baseado em um fato, o interlocutor o aumenta para desbancar o argumento proposto. Desse modo:

“Se legalizamos o consumo da maconha todos vão querer experimentá-la, em pouco tempo estarão viciados e a sociedade se transformará em um bando de zumbis drogados vagando pelas ruas.”

Portanto, sem nenhuma comprovação factual ou científica, ele exagera o fato de que a legalização da maconha estenderá o seu consumo à toda sociedade.

Por fim, agora que você já sabe o que é a falácia, que tal aprender mais sobre a função metalinguística?

Fontes: Toda Matéria, InfoEscola, Escola Educação

Fonte Imagem Destaque: Hype Science