Filosofia

Determinismo – O que é, tipos e autores deterministas

O determinismo é uma teoria filosófica baseada na ideia de que tudo está predeterminado por acontecimentos anteriores. Entenda melhor.

Atualizado em 22/05/2020

O determinismo é um princípio filosófico, onde tudo no universo é determinado pelas leis da natureza e acontecimentos prévios. Dentro dessa filosofia, até a vontade e comportamento humano é predeterminado por esses acontecimentos, o que torna a liberdade, apenas uma ilusão subjetiva.

Contudo, para entender melhor essa definição, precisamos esclarecer o significado de “acontecimento”. Sendo assim, nesse contexto, acontecimento deve ser entendido de uma forma totalmente abrangente. Podendo ser, tanto um trovão, o movimento da terra, como uma ação humana, um desejo e até uma crença.

Sendo assim, todos os acontecimentos são determinados por causas anteriores. Então, segundo o determinismo, é o mesmo que dizer que eles não poderiam ter sido diferentes, devido as causas que os precederam e as leis da natureza.

Portanto, hoje iremos conhecer mais sobre o que é o determinismo.

O que é Determinismo?

Para começar, a origem do termo determinismo, que se originou do verbo “determinar”, do latim determinare, que significa “não-terminar” ou “não-limitar”.

De forma geral, o determinismo é uma corrente de pensamento baseada na ideia de que as decisões e escolhas humanas não decorrem de um acordo de livre-arbítrio. Assim, todas as nossas escolhas e decisões estão atreladas a relações de casualidades maiores do que vemos.

Portanto, de acordo com o determinismo, tudo que existe no universo está limitado a leis imutáveis, e assim, todos os fatos e ações humanas são predeterminas pela natureza. Desse modo, a chamada “liberdade de escolha”, não passa de uma simples ilusão.

Na Idade Moderna, esse pensamento foi usado como conceito para explicar o universo, especialmente para tentar explicar os fenômenos naturais. Porque segundo essa teoria, seria possível “prever” acontecimentos futuros baseados em fatos atuais, já que toda a realidade estaria interligada por propósitos em comum. Assim, a realidade seria fixa, portanto, tudo o que estava previsto para acontecer, aconteceria.

Agora saindo um pouco do campo da ciência e filosofia, e olhando para a composição astrológica do horóscopo. A ideia central é que a posição dos astros no momento exato do nascimento de uma pessoa, determinará os traços de sua personalidade. Seria um modo de entender o determinismo, já que você não pode escolher o momento do seu nascimento.

Outro campo que traz uma visão parecida com a do determinismo é a religião. Na concepção judaico-cristã, todas as pessoas têm um destino já determinado por Deus. Assim, tudo acontece por vontade de Deus, e não por escolha individual.

Tragédia de Édipo Rei, escrita por Sófocles.

Exemplo de Determinismo

Para colocar isso em uma imagem clara, imagine a seguinte situação: Mário está jogando bilhar. Usando o taco, ele bate em uma das bolas de bilhar (1) e esta começa a se mover, batendo em outra bola (2) que então passa a se mover.

Assim, temos uma sequência de acontecimentos relacionados de forma casual. Portanto, podemos dizer que o movimento da bola 2 foi determinado pelo movimento da bola 1, esse que foi determinado pela ação de Mário.

Então, dizer que o movimento da bola 2 foi determinado, é o mesmo que dizer que ele não poderia ser diferente. Ou sejaé impossível que, se tudo ocorresse exatamente dessa forma, a bola 2 ficaria parada, ou se movesse na direção contrária com o contato da bola 1. Porque as mesmas causas devem produzir os mesmos efeitos.

Tipos de Determinismo

Contudo, existem vários conceitos para definir o determinismo, de acordo como a casualidade e a determinação são entendidas. Assim temos:

Pré-determinismo

O pré-determinismo é visto como um determinismo mecanicista, ou seja, a determinação das causas é encontrada no passado. Assim, acontecimentos presentes e futuros são causas de fenômenos explicados em condições iniciais do universo.

Contudo, são encontrados elementos do pré-determinismo dentro da psicologia behaviorista. Uma vez que afirma que a mente humana é formada por um sistema mecânico, e que assim, os estímulos resultam em reações precisas.

Pós-determinismo

Já o pós-determinismo é baseado na teleologia (doutrina baseada em metas) dos  propósitos e finalidades. Desse modo, esse conceito é fundando na alegação de que a determinação dos fatos está no futuro.

Em outras palavras, tudo acontece por um motivo, propósito ou razão de alguma entidade divina. Como “a vontade de deuses”, por exemplo.

Co-determinismo

Em contrapartida, o co-determinismo defende a ideia de relação ocasional das causas como geradoras de novas realidades. Portanto, os efeitos de uma causa podem se transformar nas causas de outros efeitos, de uma realidade diferente das causas anteriores.

Então, nessa concepção, o determinismo não é posto nem no futuro nem no passado, mas sim no presente ou na simultaneidade dos processos e acontecimentos. Desse modo, essa ideia também se encontra dentro da teoria do caos, que prevê que a aplicação de erros resultam em múltiplos resultados imprevisíveis.

Determinismo Genérico

Essa vertente não se trata de uma forma de determinismo precisa. Contudo, se baseia na afirmação de que os genes e as condições genéticas de uma pessoa determinam a sua vida.

Determinismo Geográfico

No determinismo geográfico, o meio ambiente é que determina o comportamento dos indivíduos que vivem nele. No entanto, o geógrafo e antropólogo alemão Friedrich Ratzel, pontua que através da utilização de recursos naturais e da cultura, é possível transpor os efeitos deterministas desse meio.

Determinismo Social

Esse é uma aplicação do determinismo geográfico, porém nos meios sociais capitalistas das sociedades urbanizadas industriais. Portanto, essa concepção acredita que o meio social que o indivíduo nasce determina a sua vida e as suas ações. Desse modo, pessoas que nascem em meio a lugares violentos, tendem a ser violentos, por exemplo.

Hoje em dia o determinismo social é usado como uma forma de explicar a classificação social dos indivíduos. Essa que fomenta o preconceito e a exclusão de determinados grupos sociais.

Determinismo e Liberdade

Contudo, o conceito de determinismo é bastante criticado entre os pesquisadores e filósofos que defendem o conceito de livre escolha e livre-arbítrio; uma não-casualidade.

Desse modo, os críticos baseiam seu ponto de vista na ideia de que o espírito, a alma, o desejo, a escolha e a vontade humana não coexistem no mesmo universo casual da natureza. E assim, não são regidos pelas mesmas leis imutáveis da natureza.

Os deterministas por sua vez, rebatem essas alegações com o argumento de que eles estejam ignorando o co-determinismo. Ou seja, a ideia de que existem relações entre várias realidades diferentes, seja molecular, social, planetária, psíquica e etc.

Apesar disso, existem vários estudiosos como Nietzsche e Deleuze, que não enxergam o determinismo e a liberdade como ideias contraditórias. Porque a liberdade não seria “livre-arbítrio”, mas sim a capacidade de criação. Portanto, o “livre-arbítrio” seria apenas a escolha entre opções que já foram determinadas anteriormente.

Autores Deterministas

  • Friedrich Ratzel: geógrafo e antropólogo alemão, acreditava que o meio determinava a vida e as ações das pessoas. Apesar de ser um dos maiores nomes do determinismo, essa palavra não aparece em sua obra.
  • Friedrich Nietzsche: filósofo e filólogo alemão, afirmava haver uma força criativa universal que movimentaria toda a vida. Ele chamou essa força de vontade de poder, e ela seria a motriz e causa de tudo.
  • Charles Darwin: biólogo inglês e criador da teoria da evolução das espécies, não mencionou diretamente o determinismo e não se preocupou em defender uma posição determinista. Entretanto, sua teoria diz que a sobrevivência de uma espécie depende de sua capacidade de adaptação ao meio. Portanto, essa teoria denota um princípio determinista. Se há adaptação, há sobrevivência.
  • Baruch de Espinosa: para o filósofo holandês, qualquer ação de um ser humano não é uma ação isolada. Sendo assim, ela é resultado de ações anteriores que ele mesmo tomou, e essas ações são resultados de outras ações. Sendo assim, coloca o ser humano numa espiral sem fim até a sua morte.
  • Gilles Deleuze: inspirado por Nietzsche e Espinosa, Deleuze afirmava que a liberdade é a capacidade de criar, e o pensamento que distingue o ser humano dos demais animais também é fruto dessa capacidade. A capacidade de criar, contudo, não esquiva o ser humano de determinações de forças nas ações dele mesmo e dos outros, o que lhe dá infinitas possibilidades de ação.
Teoria da evolução de Darwin: sobrevivência de uma espécie depende de sua capacidade de adaptação ao meio.

Enfim, o que você achou dessa matéria? Que tal conhecer também sobre Friedrich Nietzsche suas teorias?

Fontes: Brasil Escola, Quero Bolsa, InfoEscola

Fonte Imagem Destaque: Filosofia na Escola