História

Afinal, por que a corte portuguesa veio para o Brasil?

A vinda da corte portuguesa para o Brasil, fugindo de Napoleão, trouxe muitos benefícios para a colônia e abriu caminho para a Independência.

Atualizado em 29/07/2019

A corte portuguesa veio para o Brasil em 1808 e aqui permaneceu até 1821. A razão da transferência foi a entrada das tropas napoleônicas em Portugal (1807).

A França já havia invadido várias nações, mas não conseguia dominar a Inglaterra. Então Napoleão Bonaparte assinou o Bloqueio Continental para enfraquecer os ingleses. Como Portugal se recusou a cumprir, foi invadido, mas sua corte já havia embarcado para o Brasil.

No início do século XIX, Napoleão Bonaparte já se consolidava como a maior figura política da Europa. Ele levou a França ao patamar de superpotência mundial, ao lado da Inglaterra. E para  intensificar a industrialização em seu país, Bonaparte combinou sua política de investimentos com uma política internacional.

O poder do Bloqueio Continental

Bonaparte decretou o Bloqueio Continental, que proibia todas as nações de manter relações comerciais com a Inglaterra, maior potência industrial da época e principal rival política da França. Se o país não cumprisse sua determinação, seria invadido e seu governante deposto.

Mas Portugal tinha uma estreita parceria com a Inglaterra e mantinha certa dependência dos produtos ingleses. Então a corte Portuguesa teve que desobedecer ao Bloqueio Continental. E para escapar da fúria francesa, a própria coroa inglesa sugeriu a ideia da corte no Brasil, transferindo a capital para o Rio de Janeiro.

A Inglaterra forneceu navios para escoltar os nobres portugueses até o Brasil. Em troca, , Dom João VI se comprometeu a autorizar a abertura dos portos brasileiros às nações amigas de Portugal, oferecendo taxas especiais aos produtos ingleses.

A viagem da corte portuguesa para o Brasil

Do porto de Lisboa, embarcaram para o Brasil o regente, D. João VI, sua mãe, a rainha D. Maria I, os seus familiares e cortesão. Eram cerca de 15 000 pessoas que se acomodaram em 08 naus, 3 fragatas, 3 brigues e 2 escunas. Neles, além da família real, vieram centenas de funcionários, criados, assessores e pessoas ligadas à corte portuguesa.

Trouxeram também muito dinheiro, obras de arte, documentos, livros, bens pessoais e outros objetos de valor. Inclusive uma biblioteca com mais de 60 000 livros. Com o apoio da esquadra inglesa, parte dos navios chegou à Bahia em 7 de março de 1808. É que após uma forte tempestade, alguns navios foram parar em Salvador e outros na cidade do Rio de Janeiro.

A corte portuguesa foi instalada no Rio de Janeiro. Muitos moradores, sob ordem de D. João, foram despejados para que os imóveis fossem usados pelos funcionários do governo. Este fato gerou, num primeiro momento, muita insatisfação e transtorno na população da capital brasileira.

A medidas administrativas tomadas por Dom João.

Uma das principais medidas tomadas por D. João foi abrir o comércio brasileiro aos países amigos de Portugal. Isso beneficiou principalmente a Inglaterra, que passou a ter vantagens comerciais e dominar o comércio com o Brasil.

Outras medidas foi o estímulo ao estabelecimento de indústrias no Brasil, construção de estradas, cancelamento da lei que não permitia a criação de fábricas, reformas em portos, criação do Banco do Brasil e instalação da Junta de Comércio.

O regente criou o Museu Nacional, a Biblioteca Real, a Escola Real de Artes e o Observatório Astronômico. Vários cursos foram criados (agricultura, cirurgia, química, desenho técnico etc.) nos estados da Bahia e Rio de Janeiro.

A volta de D. João para Portugal

Com a derrota dos franceses, o povo português passou a exigir o retorno da corte que se encontrava no Brasil. Em 1820, ocorreu a Revolução do Porto, e os revolucionários vitoriosos passaram a exigir o retorno de D. João VI para Portugal e a aprovação de uma Constituição.

Pressionado, ele embarcou de volta em abril de 1821. Deixou em seu lugar, no Brasil, o filho D. Pedro como príncipe regente.

Algumas curiosidades

Foi a primeira vez na história que um rei europeu transferiu a capital de sua nação para o continente americano. No Rio de Janeiro houve investimento em serviços públicos e em obras de embelezamento da cidade.

É interessante saber que a partida se deu um dia antes da chegada das tropas francesas. É que a Família Real embarcou no dia 27 de novembro, mas no dia 28 não teve vento suficiente para mover os navios.

No dia 29, já dois dias embarcados, finalmente ventou e a esquadra deixou o porto. Os franceses entraram em Lisboa às 9 horas da manhã do dia 30 de novembro.

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Fonte: Sua Pesquisa, Toda Matéria, Uol Educação, Resumo Escolar.