História

Tropicália, o que foi? – História da revolução da música na Ditadura Militar

A Tropicália foi um movimento cultural que aconteceu durante a Ditadura Militar. A revolução na música também carregava críticas ao novo sistema político.

Atualizado em 29/08/2019

Quando o assunto é música, o Brasil se destaca na variedade de estilos musicais dentro de sua cultura. Um movimento em especial chama muita atenção: a Tropicália. Em meio a um cenário político bastante crítico, um grupo de artistas se uniu para revolucionar a música brasileira.

Nos anos 60, o Brasil buscava um aspecto mais popular que agradasse a todas as camadas sociais. Assim, deixava de lado o intelectualismo da Bossa Nova e caminhava rumo à modernidade.

Caetano Veloso juntamente com Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé, Rita Lee e tantos outros, promoveram um intercâmbio musical. Uma mistura de rock, pop, samba, bolero, rumba, baião. Dessa forma nascia a Tropicália, mudando as regras.

Tropicália, liberdade e revolução da música na ditadura
Artistas fundadores do movimento Tropicália.

Não só o ritmo, mas as letras também assumiram uma nova cara. As ideias de métrica e estética estavam abertas para os tropicalistas brincarem com elas. Primeiramente, o movimento tinha o objetivo de tornar a música mais jovem e universal.

A Tropicália foi o movimento que surgiu para subverter convenções culturais e sociais. Simultaneamente, os tropicalistas vinham para contestar a política nacional. As músicas foram consideradas manifestos poéticos que exigiam liberdade de expressão e faziam, de um jeito divertido, sérias críticas políticas.

Contexto Histórico

O governo de João Goulart (Jango), na década de 1960, alarmou partidos políticos de direita com suas propostas de mudança. Uma delas era a reforma agrária, que ganhou apoio da população, mas preocupou os grandes latifundiários.

Nesse momento, o mundo estava vivendo a Guerra Fria. Uma disputa pela hegemonia política e econômica entre Estados Unidos, que defendia o capitalismo, e a União Soviética, que seguia a vertente socialista. Com medo da “ameaça comunista”, o Tio Sam passou a interferir nas políticas dos países latino-americanos.

Dessa forma, no dia 31 de março de 1964, foi colocado em prática o Golpe Militar. Tropas do exército brasileiro, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), se dirigiram ao Rio de Janeiro, onde se encontrava o presidente. Três dias depois, Jango é exilado no Uruguai. E, no dia 15 de abril, o General Castelo Branco assumia o poder.

A Ditadura era o novo sistema político imposto e a censura controlava os meios de comunicação. Programas de rádio e televisão só transmitiam o que era aprovado pelo governo. As manifestações cresceram e os jornalistas reprimidos encontraram em charges a oportunidade de lutar contra a ditadura.

Tropicália, liberdade e revolução da música na ditadura

As músicas também sofreram cortes. Só se podia cantar letras que não brigassem com os novos ideais impostos. Portanto, os temas aceitos eram predominantemente nacionalistas. As regras impostas vinham para combater e tentar erradicar o comunismo. Os tropicalistas trouxeram a música como contra-ataque à repressão.

O fim da Tropicália

Esse movimento cultural levou os tropicalistas a participarem de festivais de músicas que eram transmitidos por grandes emissoras de TV. Isso incomodou ainda mais os governantes, que passaram a perseguir os músicos que brigavam pela liberdade e as pessoas que os apoiavam.

Assim foi lançada uma caça aos líderes dessa revolução musical. Logo, a Tropicália teve uma duração curta, apenas um ano. Pois em dezembro de 1968, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos. Mas à essa altura, a semente libertária já havia sido plantada.

Esse é só um pedaço da história do Brasil. Se você ficou curioso sobre esse contexto político, dá uma conferida na nossa matéria Sabia o que foi o AI-5, o período mais repressor da Ditadura Militar.

Fontes de imagem: Triviera, Prodigital, O Globo.

Fontes: Toda Matéria, InfoEscola, Politize!