História

Saiba o que foi a Revolta da Chibata, seus motivos e quem dela participou

A Revolta da Chibata pretendia pôr fim às péssimas condições de trabalho na Marinha, além da abolição do castigo físico e da discriminação racial.

Atualizado em 20/02/2019

A Revolta da Chibata foi um levante militar na Marinha do Brasil, ocorrida de 22 a 27 de novembro de 1910, no Rio de Janeiro.

Os marinheiros daquela época eram os ex-escravos que se alistaram no serviço militar, porém se sentiam maltratados. Por muito pouco eram castigados com chibatadas em público, segundo determinação dos oficiais.

E para piorar a situação, apenas os tais oficiais receberam aumento salarial, o que deixou os marujos furiosos. Queriam os revoltosos também melhorar as condições de trabalho a bordo das embarcações.

Saiba o que foi a Revolta da Chibata, seus motivos e quem dela participou

Contexto Histórico

Após a Abolição da Escravatura, um dos trabalhos que os ex-escravos conseguiram foi o de marinheiros. A Marinha do Brasil os recebeu e lhes pagava pouco salário, mas a rotina de trabalho era intensa.

Quando ocorria algo a bordo, a tripulação era submetida a castigos físicos para compensar falta disciplinar. Por muito pouco os oficiais puniam os marinheiros com chibatadas.

Em poucos lugares no mundo ainda se adotava castigos físicos nas forças armadas, posto que era uma correção extrema. Mas no Brasil ainda era aplicado desmedidamente. E para completar o descontentamento, quando houve aumento de salário para a classe, apenas os oficiais foram contemplados.

A compra pela Marinha do Brasil dos navios Minas Gerais e São Paulo, difíceis de manter e operar, levou a protestos. É que os marinheiros estavam no limite da resistência, eram humilhados e ainda ganhavam mal. Estava aceso o estopim da Revolta da Chibata.

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A insurreição

Por ter agredido um oficial, o marujo Marcelino Rodrigues Menezes foi severamente castigado. Ele foi submetido a 250 chibatadas, contra a média de 25, chegando a quase morrer. Era a madrugada do dia 22 de novembro de 1910.

Revoltados com aquela cena apavorante, os marinheiros resolveram tomar o Minas Gerais. Houve reação do comando e após trocas de tiros, morreram o comandante e dois oficiais. O líder dos amotinados era João Cândido Felisberto.

Aos poucos, navios de guerra de porte avantajado, como o São Paulo, o Deodoro e o Bahia aderiram ao movimento. E como sinal de hostilidade, bombardearam o Rio de Janeiro.

Hermes da Fonseca tinha acabado de tomar posse no cargo de Presidente da República e tinha um grande problema nas mãos.

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A traição oficializada

Os rebelados, após os bombardeios, decidiram dar uma oportunidade ao novo governo. Eles dirigiram a Hermes da Fonseca uma carta, sendo que ali havia explicações e reivindicações.

Eles pediam o banimento definitivo dos castigos físicos, a melhoria dos locais de trabalho e a anistia a todos que faziam o levante.

O Presidente achou justas as reivindicações que lhe foram apresentadas, acatou-as e deu por finalizada a questão. Os revoltosos entregaram as armas em 26 de novembro, só que no dia seguinte foram traídos por Fonseca.

Foi decretado o estado de sítio e determinada a prisão imediata de todos os envolvidos. Eles foram recolhidos na sede do Batalhão Naval, na Ilha das Cobras.

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Uma reação desproporcional

Os prisioneiros se amotinaram no dia 9 de dezembro de 1910, posto que se sentiram traídos. E o governo respondeu com uma força desproporcional, já que determinou o bombardeio do presídio. Só que não avisou os funcionários que lá estavam, matando centenas de pessoas, entre prisioneiros e fuzileiros navais.

Sobreviveram apenas 37 revoltosos, só que a crueldade com que foram tratados extrapolou qualquer limite. Hermes da Fonseca, em outro ato de covardia sua, mandou trancar todos em solitárias até que morressem sem ar. Só sobreviveu João Cândido Felisberto e outro prisioneiro.

Muitos evolvidos na Revolta da Chibata, posteriormente identificados, foram presos, expulsos da Marinha e submetidos a trabalhos forçados. Alguns acabaram enviados para os seringais da Amazônia e outros para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Ou seja, os negros voltaram à sua condição de escravos.

Mais de duas centenas de pessoas foram mortas ou saíram feridas do conflito, entre amotinados e legalistas.

E se você curtiu ler sobre a Revolta da Chibata, não pode deixar de conhecer também um artigo sobre a Comuna de Manaus: data, motivos e contexto histórico.

Fonte: Sua Pesquisa, Wikipédia, Info Escola, Toda Matéria, Sua Pesquisa, Multi Rio, Jornal da USP, Brasil Escola, Mundo Educação, Atlas, Todo Estudo, História do Mundo, História Kids.

Fonte das imagens: Tok de História, Pró Notícia, Cipriano Barata, Info Escola, Buzz Feed.