História

Revolução Constitucional – O que foi, quando ocorreu e impactos

Como reação ao governo de Getúlio Vargas, a Revolução Constitucional de 1932 foi um levante militar que aconteceu em São Paulo

Atualizado em 08/02/2020

Primeiramente, a Revolução Constitucional de 1932 foi uma reação das elites brasileiras aos rumos tomados pela política brasileira com o governo de Vargas.

Além disso, a fim de acabar com as oligarquias, novos representantes do poder decidiram extinguir o Congresso Nacional. Além disso, os deputados das assembleias estaduais também forem extintos. Para substituí-lo novos delegados e interventores precisaram ser nomeados com a aprovação do presidente.

Apesar do nome Revolução Constitucional ser muito utilizado, não é o mais indicado por historiadores. Principalmente pela movimentação originada por setores conservadores, o nome mais apropriado é Movimento Constitucionalista de 1932.

Causas da Revolução

Revolução Constitucional - o que foi, quando ocorreu e como transformou o Brasil
Terça Livre

Inicialmente, a Revolução de 1930 depôs o então presidente Washington Luís e impediu a posse de Júlio Prestes. Com isso, Getúlio Vargas chegou ao poder.

Antes disso, durante a Primeira República, São Paulo era o estado de maior força política e econômica do país, graças à produção de café. Como o produto era subsidiado por recursos federais, o governo tinha muitas despesas com todo o processo.

Com o governo de Vargas, paulistas perderam hegemonia, mas esperavam que o presidente convocasse eleições para a Constituinte. Apesar disso, a decisão não era tomada. Nesse cenário, uma forte oposição foi formada pelos fazendeiros paulistas insatisfeitos, além da participação de comerciantes, profissionais liberais e estudantes universitários.

No dia 23 de maio de 1932, no centro de São Paulo, foi organizado um ato político em favor de novas eleições. Na ocasião, a política agiu com truculência e provocou a morte de quatro estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

A Revolução Constitucional de 1932

Revolução Constitucional - o que foi, quando ocorreu e como transformou o Brasil
G1

Também chamado de Guerra Paulista, o movimento foi a primeira grande ação contra o governo de Vargas, além do último conflito armado do Brasil.

O movimento exigia do Governo Provisório a convocação de eleições para um novo presidente e o desenvolvimento de uma nova Constituição. No dia 9 de julho, Pedro de Toledo o interventor do estado de São Paulo – cargo equivalente ao de governador, liderou o início da revolta.

Mais de 200 mil voluntários fizeram parte do levante, incluindo 60 mil combatentes. Por outro lado, o governo Vargas utilizou 100 mil soldados para o combate. As forças paulistas esperaram apoio dos governos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mas nenhum estado aderiu ao combate. Cercado de tropas federais, os paulistas precisaram pedir apoio à população a fim de conseguir ouro para bancar armamentos e alimentos.

No dia 2 de outubro, as tropas paulistas se renderam. Apesar disso, ainda houveram mais dois dias de combate, totalizando 87 dias de conflito.

Consequências da Revolução Constitucional

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Câmara de Itapevi

Oficialmente, foram registrados 934 mortes. Apesar disso, estimativas indicam um número de até 2200 vítimas. E ainda que tenham sido derrotados em batalha, os paulistas atingiram seus objetivos.

Por causa do levante, foi convocada a Assembleia Nacional Constituinte no ano de 1933. Um ano depois, a nova Constituição incluía representação classista de empregados, empregadores, profissionais liberais e funcionários públicos, no Congresso Nacional. Além disso, a Chapa Única por São Paulo Unido foi vitoriosa na Constituinte.

Em 1934, a Assembleia Constituinte que faria a nova Carta Magna – substituindo a Constituição de 1891 – do país foi reunida, mas ela nunca foi elaborada. Isso porque, em 1937, um outro golpe instituiu o Estado Novo. Nesse período, a Intentona Comunista tentou derrubar Vargas mais uma vez.

Fontes: Brasil Escola, InfoEscola, Toda Matéria

Imagem de destaque: Rede de Experiências