História

Revolução Chinesa – História, antecedentes, conflitos e consequências

A Revolução Chinesa é um período histórico caracterizado por dois momentos, a Revolução Nacionalista e Comunista, em 1911 e 1949.

Atualizado em 12/09/2020

Quando se fala em Revolução Chinesa é importante entender que o processo de transformação política do país ocorreu em dois momentos distintos. O primeiro, em 1911 e o segundo, em 1949.

Ou seja, em 1911 a China passou pela Revolução Nacionalista, também chamada de Revolução de Xinhai. Naquele momento, os nacionalista colocaram fim ao período monárquico e deram início ao novo período histórico.

Já em 1949, foi a vez dos comunistas tomarem o poder na China. O período, também chamado de Revolução Comunista, deu ao país o nome de República Popular da China, onde o comunismo passou a ser a ideologia política no território chinês.

Mas, para chegar aos dois momentos da Revolução Chinesa, é preciso entender o que aconteceu antes na história da China. Então, vamos lá!

Antecedentes da Revolução Chinesa

De forma geral, os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, chegaram ao poder na China após um longo período de disputa contra os nacionalistas, durante a década de 1920. Mas, além do conflito entre comunistas e nacionalistas, outros fatores contribuíram para desencadear na Revolução Chinesa.

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Para início de conversa, durante o início do século XX a China era um país regido por uma monarquia. Ou seja, a principal figura política era o rei, Puyi. No final do século XIX, no território chinês, foi marcado por diversas invasões de estrangeiros, em decorrências do processo neocolonialista.

Como o país estava repleto de estrangeiros, inclusive que possuíam modelos políticos diferentes, a China foi fortemente influenciada pelo nacionalismo. Com isso, diversos movimentos nacionalistas começaram a surgir no país.

O século XX chegou e, com ele, a força dos movimentos nacionalistas, que deram impulso para a criação do nacionalismo chinês. A partir da Revolução Nacionalista de 1911, também conhecida como Revolução Xinhai, a China deixou de ser uma monarquia e passou a ser governada pela dinastia Manchu.

Novos rumos políticos

O principal nome do nacionalismo chinês, naquele período, era Sun Yat-sen, responsável por criar um Governo Provisório, após a queda da monarquia e a transformação da China em uma República.

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O Governo Provisório ficou sobre domínio de Sun Yat-sen até 1912, quando foi então transferido para Yuan Shikai. O novo governante, após assumir a posição de relevância política, tentou restaurar a o período monárquico na China, entre 1915 e 1916.

Por conta disso, as províncias que formavam o território chinês naquela época começaram a organizar movimentos de separação, pois queriam a independência política e econômica.

Ao mesmo tempo, chefes militares – conhecidos como senhores da guerra – aumentaram o controle sobre as regiões onde as chances de rebelião era mais forte.

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Com a incisão dos senhores da guerra, o Partido Nacionalista – também chamado de Kuomintang – passou a lutar contra as ações das forças militares, tudo para garantir a centralização do poder no país.

O comunismo chinês

Se por um lado a China registrava, cada vez mais, a ascensão do Partido Nacionalista, outro segmento político também crescia no país: o comunismo, inspirado pela Revolução Russa, em 1917.

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Os bolcheviques, que lideraram a revolução na Rússia, deram aos chineses o incentivo para que o comunismo crescesse no país. Outro fator que impulsionou o período histórico, foi o fortalecimento da classe operária chinesa.

O crescimento do comunismo fez com o que, em julho de 1921, fosse funfado o Partido Comunista Chinês (PCC). A princípio, o partido continha 57 membros, incluindo Mao Tsé-tung – que, mais tarde, se tornaria o principal nome da Revolução Chinesa.

Revolução Chinesa – Nacionalistas x Comunistas

A princípio, comunistas e nacionalistas conviviam de forma pacífica no início da criação do PCC. Até porque, o Partido Nacionalista obtinha da União Soviética recursos suficientes, como armamento bélico, para enfrentar os senhores da guerra. Ou seja, não tinham que se preocupar com outros grupos políticos.

Apesar dos comunistas serem aceitos na estrutura política nacionalista, todas as decisões do PCC estavam sobre o comando de Sun Yat-sen que, na época, era líder do Kuomintang.

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Naquele tempo, os soviéticos apoiavam os nacionalistas, pois acreditavam que os comunistas ainda não estavam prontos para uma possível transição ao socialismo.

Ou seja, o mais importante naquele momento, era proteger o território chinês das interferências estrangeiras e garantir a soberania política na região.

Porém, a relação entre nacionalistas e comunistas não ficou nada amigável quando Chiang Kai-shek assumiu a liderança do Kuomintang, em 1925. Chiang foi nomeado como líder do partido após a morte de Sun Yat-sen.

Sobre nova liderança, o Partido Nacionalista continuou a lutra contra os senhores de guerra e, inclusive, contou com a ajuda dos comunistas, que lutaram para acabar com o domínio dos militares na região.

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Assim, a relação entre nacionalistas e comunistas começou a ficar estreita quando Chiang Kai-shek percebeu que a adesão ao PCC crescia nas grandes cidades chinesas.

Com isso, o líder nacionalista estabeleceu uma aliança com os senhores de guerra para que, juntos, pudessem barrar o crescimento comunista na região. Estava, então, decretada a guerra entre nacionalismo e comunismo.

Desenrolar do conflito

A guerra entre nacionalistas e comunistas estava formada. De um lado, os nacionalistas mantinham o poderio bélico e o apoio dos senhores da guerra. Do outro, os comunistas organizavam levantes e mobilizavam guerrilhas formadas nas zonas rurais.

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Chiang Kai-shek

O líder nacionalista, Chiang Kai-shek, não mediu esforços para deter o ataque dos comunistas e, assim, mobilizou forças para que o PCC fosse barrado. Os comunistas, sem chances contra o poder adquirido pelos nacionalistas, não tiveram outra opção a não ser recuar.

O recuo dos comunistas, durante os anos de 1934 e 1935, ficou conhecido como Longa Marcha. Isso porque, os integrantes do partido percorreram uma distância de 10 mil quilômetros, entre Jiangxi e Fujian, para fugir dos ataques de Chiang.

Porém, a guerra entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista pela Revolução Chinesa foi interrompida quando o Japão, que já ameaçava ambos os partidos políticos por meio do imperialismo japonês, intensificou os processos de repressão na China.

Durante a década de 1930 o Japão era um país que seguia a linha política trelada à extrema-direita. Além disso, era gerido por miliares que mantinham ambições imperialistas sobre os países vizinhos, como a China.

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Com isso, o Japão declarou guerra ao território chinês, em 1937, no que ficou conhecido como Segunda Guerra Sino-Japonesa. Por conta do inimigo comum, os nacionalistas e comunistas chineses se uniram para lutar contra os japoneses, porém, conflitos internos ainda permaneciam entre ambos os partidos.

Revolução Chinesa – O retorno da Guerra Civil

O Japão foi derrotado pelos chineses em 1945. Como forma de estabelecer paz no território chines, Chiang Kai-shek e Mao Tsé-tung, líderes dos nacionalistas e comunistas, tentaram estabelecer um acordo que, de certa forma, unisse os dois partidos em apenas um governo.

Entretanto, como parte do acordo, o líder nacionalista, Chiang, exigiu que o PCC fosse completamente desarmado. Obviamente, Mao Tsé-tung não ficou nada satisfeito com o pedido e, por conta disso, as negociações entre ambos os partidos não tiveram êxito.

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Logo, a guerra civil chinesa estava, novamente, estabelecida entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista. No período, os nacionalistas receberam apoio dos EUA, que tentaram de todas as formas impulsionar a vitoria de Chiang na China.

Fortalecimento do comunismo

O que Chiang não esperava era que, durante a guerra contra o Japão, os comunistas receberam o apoio total da população camponesa do interior da China. Isso porque, Mao Tsé-tung foi responsável por proporcionar aos camponeses o acesso à terra, o que impulsionou a população à apoiar o comunismo na Revolução Chinesa.

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Portanto, os camponeses, somados as forças de guera e aos milicianos, davam ao Partido Comunista o poder de força de 10 milhões de pessoas. Com a grande maioria de apoiadores, os comunistas foram estabelecendo o poder no país, entre 1946 e 1949.

Dessa forma, sem alternativas, em 1949, Chiang Kai-shek comandou a retirada dos nacionalistas e da alta burguesia da China para o território de Formosa, atual Taiwan.

Por fim, a Revolução Chinesa representou a proclamação da República Popular da China, em outubro de 1949, por Mao Tsé-tung, dando início à nação comunista chinesa.

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Fontes: Brasil Escola, História do Mundo e Toda Matéria 

Imagens: Cássio Lima, Aventuras na História, Britannica, Guia do Estudante, Aventuras na História, Herdeiros de Aécio, Observador, Causa Operária,  BBC Radio, Buzzfeed e Biblioteca Base

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.