Por que a Primeira Guerra Mundial começou? Saiba os principais motivos

A chamada Primeira Guerra Mundial foi um conflito que aconteceu entre os anos de 1914 e 1918. Ela foi o resultado dos atritos de longa data provocados pelos imperialismo das grandes potências da Europa, mas que acabou se tornando uma batalha em escala global.

De forma geral, a Grande Guerra – nome que a Primeira Guerra Mundial recebeu antes de acontecer a Segunda Guerra Mundial – foi o enfrentamento entre dois blocos: a Tríplice Aliança, que reunia Alemanha, Áustria e Itália; e a Tríplice Entente, que contava com França, Inglaterra e Rússia.

Apesar disso, o conflito envolveu outros 17 países dos cinco continentes, que eram colônias ou estavam ligados a essas metrópoles de forma econômica. Brasil, Estados Unidos, Império Turco-Otomano, Japão, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino da Romênia, Reino da Sérvia, Rússia, Austrália e China foram outros participantes ativos do conflito, além dos países dos blocos já mencionados.

Levantamentos históricos apontam que a Primeira Guerra Mundial deixou 10 milhões de soldados mortos e aproximadamente 21 milhões de feridos. O número estimado de civis que também perderam a vida durante os anos do conflito é de 13 milhões.

Os motivos por trás da Primeira Guerra Mundial

Agora, se você está pensando porque tanta gente se enfrentou nessa briga, a resposta não é simples, nem objetiva. Aliás, diversos historiados apontam a Primeira Guerra Mundial como um acontecimento histórico inevitável, devido ao período de conflito e muita tensão entre as principais potências europeias.

Na época, o Império Turco estava em profunda decadência e várias partes de seu território haviam sido tomadas por outras potências. Nos Balcãs, por exemplo, os turcos haviam sido obrigados a recuar até Constantinopla, atual Istambul (que foi a capital do Império Romano, do Império Bizantino, do Império Latino e, após a tomada pelos turcos, do Império Otomano).

A decadência da monarquia dos Habsburgo na Áustria e na Hungria também está entre os principais motivadores da Primeira Guerra Mundial. Os eslavos ansiavam pela independência e por alcançar um papel maior no governo, enquanto as elites austríacas e húngaras não queriam abrir mão do império.

Enquanto isso, na Alemanha, a tensão da vez era a corrida armamentista naval com a Grã-Bretanha, que acabou fechando aliança com a França e a Rússia. Na contramão, os alemães acabou apoiando a Áustria no conflito, uma vez que estavam de olho com os potenciais ganhos dos russos diante do enfraquecimento austríaco, especialmente nos Balcãs.

Atentado de Sarajevo

Como se já não houvesse lenha suficiente nessa fogueira, o clima na Europa começou mesmo a esquentar quando o arqueduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, foi morto a tiros. Seu assassinato – e o de sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg – aconteceu em 28 de junho de 1914, em Saravejo, capital da Bósnia e Herzegovina.

O autor do atentado foi Gavrilo Princip, um terrorista sérvio. Esse detalhe, inclusive, fez com que os austríacos atribuíssem a morte de Ferdinando ao governo sérvio e o terrorista chegou até mesmo a ser apontado como chefe de inteligência da Sérvia.

Arqueduque Francisco Ferdinando e esposa

Estopim da Primeira Guerra Mundial

O assassinato em questão foi a cereja do bolo para que os conflitos fossem declarados abertamente. Assim, a Primeira Guerra Mundial teve início em 28 de julho de 1914, quando a Áustria declarou guerra à Sérvia.

As alianças, então, começaram a acontecer: primeiramente, a Rússia saiu em defesa da Sérvia. Depois, em 1º de agosto de 1914, foi a fez da Alemanha se posicionar a favor da Áustria e contra a Rússia, invadindo Luxemburgo e exigindo passe livre em toda a Bélgica.

A Bélgica, por sua vez, resistiu à investida alemã e isso fez com que a Alemanha também declarasse guerra à França. A entrada da Grã-Bretanha no conflito também aconteceu nesse momento, declarando apoio à Bélgica.

A Grã-Betanha, aliás, emitiu um ultimato à Alemanha, que foi recusado. E foi assim que os britânicos declararam guerra à Alemanha, e que os alemães declararam guerra à Bélgica, invadindo seu território.

Não demorou muito (ainda naquele fatídico mês de agosto) para que a Áustria declarasse guerra à Rússia. De forma a instaurar de vez a Primeira Guerra Mundial.

O ano de 1917: Estados Unidos, Rússia e Brasil

Os Estados Unidos se mantivera fora da guerra até 1917, apesar de emprestar dinheiro e de vender armas aos países da Entente, especialmente à Inglaterra.

Os americanos declararam guerra à Alemanha, por temer seu poderio imperialista e industrial.

Nesse mesmo ano a Rússia saiu do conflito. Sua rendição aconteceu deivdo à Revolução de 1917, que derrubou o czar e implantou o regime socialista.

Foi também nesse ano que o Brasil aderiu ao embate. Em 5 de abril, cortamos relações com os alemães, depois que eles naufragaram o navio mercante brasileiro Paraná, carregado de café, no canal da Mancha. Três brasileiros foram mortos no ataque.

Em 20 de maio, outro navio mercante nacional, o Tijuca, também foi afundado por torpedos alemães em águas francesas. Foi então que a paciência brasileira acabou e o governo acabou declarando guerra aos países da Tríplice Aliança em 1º de junho.

Mas, a verdade é que nenhum soldado brasileiro morreu durante o conflito na Europa. O Brasil participou da Primeira Guerra Mundial enviando medicamentos e equipes médicas em auxílio à Tríplice Entente. Além disso, realizamos missões de patrulhamento no Oceano Atlântico, utilizando embarcações militares.

Como terminou a Primeira Guerra Mundial?

O fim da Primeira Guerra Mundial só chegou em 11 de novembro de 1918. O ponto final só se deu depois que o povo alemão, incluindo os soldados; se cansaram do sofrimento do conflito e forçaram o imperador a abdicar. Nesse período, os aliados alemães já haviam se rendido.

Um governo provisório então se formou na Alemanha e foi proclamada a República de Weimar. A rendição do país também foi assinada por esse novo governo, mas a paz geral só foi firmada mesmo em 1919, com o Tratado de Versalhes.

De forma geral, o tratado determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades devido à Primeira Guerra Mundial e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a algumas nações da Tríplice Entente.

Por causa do acordo, os alemães perderam parte do território para as nações fronteiriças, de suas colônias, dos oceanos, tiveram o tamanho do exército reduzido e tiveram que indenizar os prejuízos causados durante a Guerra. Isso, claro, sem contar o reconhecimento da independência da Áustria.

Foram tempos de muita dificuldade e humilhações para os alemães, que acabaram dando início à outros períodos negros de nossa história: o nazismo e, depois, à Segundo Guerra Mundial. Mas, claro esses são assuntos para um outro momento.

E, falando sobre períodos que marcaram a história, confira ainda: Tudo sobre a Guerra Fria.

Fontes: Super Interessante, Guia do Estudante, Sua Pesquisa, Só História, Toda Matéria, Educação


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