Astronomia

Luas de Júpiter, o que são? Definição, características e satélites galileanos

Também conhecidas como Satélites de Galileu, as luas de Júpiter são os maiores satélites naturais encontradas neste planeta do Sistema Solar.

Atualizado em 05/09/2020

Um dos físicos, matemáticos e astrônomos mais estudados da história, o italiano Galileu Galilei (1564-1642), foi o responsável pela descoberta da presença de Luas que orbitavam ao redor do planeta Júpiter.

A descoberta ocorreu, precisamente, no dia 7 de janeiro de 1610, quando o físico começou a observar o espaço, através de um telescópio construído por ele mesmo.

Galilei notou, durante sua observação, que ao fazer seu movimento no espaço sideral, Júpiter estava seguido de 4 corpos celestes. Várias noites de estudos e observação do espaço foram necessárias para que se confirmasse a descoberta.

Características das Luas de Júpiter

As Luas de Júpiter foram batizadas como: Ganimedes, Calisto, Europa e Io, que são nomes que representam a mitologia greco-romana. Esses imensos corpos celestes que orbita em torno de Júpiter, impressionaram astrônomos, devido a suas fascinantes formas e características.

Luas de Júpiter, o que são? características e curiosidades
Agência Espacial Brasileira

Em síntese, apesar de todas serem consideradas do mesmo tamanho, isto é, cerca de ¼ do raio da Terra, as 4 luas galileanas (chamadas assim em homenagem ao seu descobridor), divergem em suas características.

Ganímedes

Dentre as Luas de Júpiter, a Ganímedes é considerada a maior lua do Sistema Solar, com uma diferença de apenas 2,4 vezes do Planeta Terra, sendo maior do que Plutão e Mercúrio.

Ganímedes
Revista Galileu

Estudos indicam que essa lua é constituída de gelo e silicato e que, por consequência de sua baixa densidade, apresenta dois tipos de solo: Os escuros e os claros. Basicamente os escuros apresentam um alto número de crateras, enquanto os claros têm um aspecto ondulado.

Contudo, outro aspecto que faz parte da característica de Ganímedes é a presença de ozônio em sua superfície. Essa quantidade, por exemplo, é inferior se comparada com a terra.

A produção de ozônio se dá devido às partículas carregadas do campo magnético de Júpiter, que penetram a superfície gelada de Ganímedes, fazendo com que partículas de água se rompam e produza o ozônio.

Na história mitológica, Ganímedes foi um príncipe de Troia. Levado para o Olímpio por Zeus,  que se impressionou com sua beleza, trabalhou servindo o néctar (bebida que oferecia a imortalidade) aos deuses, derramando os restos aos homens da terra.

Luas galileanas – Calisto

A segunda maior dentre as Luas de Júpiter é a Calisto, satélite natural com maior quantidade de crateras do Sistema Solar. Todavia, é considerada a lua que reflete a menor quantidade de luz em consequência dos materiais escuros misturados ao gelo de sua superfície.

Luas de Júpiter, o que são? características e curiosidades
Astronomia Online

Porém, por mais que seja da mesma constituição de Ganímedes, seu processo de evolução, possibilitou uma maior estabilidade na crosta. Em consequência da natureza gelada de sua superfície, esse objeto não apresenta nenhuma grande montanha.

Recebeu esse nome em homenagem a bela jovem da mitologia grega, Calisto. Segundo o que descreve o conto, a jovem teria sido seduzida por Zeus. Além disso, mais tarde, o deus teria a transformado em uma Ursa, dando origem futuramente a constelação da Ursa Maior.

Io

Uma das características que chamam atenção de Io, mais uma das Luas de Júpiter, é seu vulcanismo ativo. Esse fator nunca visto antes em outro satélite faz do objeto um dos mais ativos do sistema solar.

Esse fato é devido a sua proximidade com Júpiter. Além disso, Io tem estruturas dominantes e dinâmicas que contribuem para que o objeto consiga se modificar rapidamente, levando em conta as simultâneas atividades de meteoritos em sua região.

National Geographic Brasil

O nome da lua vulcânica teve origem na história da mitologia greco-romana. Io era uma das paixões do deus Zeus. Ela era uma das princesas e sacerdotisa do templo de Hera. Porém, acabou traindo Hera, a quem jurou confiança, sendo assim então transformada em uma vaca pela deusa.

Europa

A quarta lua, dentre as Luas de Júpiter, é o satélite Europa, formado por composição rochosa que mistura silicatos e metais, que fazem com o que a densidade seja mais elevada.

Europa leva cerca de 3,5 dias para completar sua orbita em torno de Júpiter. Portanto, em razão de sua sua órbita ser elíptica e as forças da maré que são encontradas no mar, debaixo de sua crosta de gelo, serem elevadas, o movimento da maré causa rachaduras em sua superfície

Dessa forma, os movimentos das marés que acontecem no interior da crosta de gelo causam o aumento fora do normal de sua temperatura.

Mesmo com uma distância considerada cinco vez maior em relação à distância entre a Terra e o Sol e, pelo fato de apresentar uma enorme crosta de gelo, o calor encontrado no oceano da lua Europa poderia facilmente sustentar vida.

NASA

De acordo com a NASA, há uma grande quantidade de água por baixo da imensa camada de gelo da lua Europa. Em síntese, essa quantidade pode ser maior até que a quantidade encontrada no Planeta Terra.

Na mitologia grega, Europa era filha de Agenor. Segundo descreve o conto, Zeus teria assumido a forma de um touro branco. Europa ficou tão encantada com o dócil animal, que o decorou com flores e o montou.

Dessa forma, Zeus aproveitou a oportunidade  para leva-la até a ilha de Creta, onde se revelou sua forma verdadeira. Nesse ínterim, Europa teria tido muitos filhos com Zeus.

As sondas gêmeas Voyager

A NASA lançou, em 1977, duas sondas idênticas intituladas Voyager, com o objetivo inicial de explorar Júpiter, Saturno, e suas luas. O programa foi estendido a fim de coletar, também, informações sobre Urano e Netuno.

Luas de Júpiter, o que são? características e curiosidades
Hypescience

Consideradas recordistas em voos espaciais, as duas sondas também são importantes para a coleta de informações sobre o Sistema Solar e o espaço interestelar.

A primeira sonda a ser lançada foi a Voyager 2, no dia 20 de agosto de 1977.  Posteriormente, Voyage 1, foi lançada 16 dias depois, no dia 5 de setembro de 1977.

Desde o começo da missão, as sondas irmãs estão indo cada vez mais longe no espaço. Viajando a velocidades que  chegam a 56 mil quilômetros por hora, Voyager 1 e 2 estão agora a de 18 bilhões de quilômetros distantes da Terra.

Luas de Júpiter, o que são? características e curiosidades
NASA

Alimentadas por pequenos geradores nucleares, o sistema eletrônico das sondas irmãs pode continuar em funcionamento por mais algum tempo, mais exatamente cinco anos, contando de agora.

Além disso, pesquisadores acreditam que os dois objetos deixarão de funcionar a medida que avançarem para as regiões mais frias. Após concluírem o tempo estimado de cinco anos, as sondas deixarão de enviar dados para terra.

Luas de Júpiter – as 12 novas

Mesmo após a descoberta de Galileu Galilei, há 400 anos, astrônomos continuam encontrando as chamadas Luas de Júpiter. Ao contrário das 4 principais luas com nomes da mitologia grega, as 12 novas luas têm dimensão mínimas, se comparada com o diâmetro do planeta.

As 12 novas luas foram descobertas em 2017, enquanto uma equipe de pesquisadores buscava evidências da existência do Planeta 9 (um corpo celeste que habitaria a periferia do Sistema Solar).

Como resultado, a equipe liderada pelo astrônomo Scott S. Sheppard observou que Júpiter estava diante do campo de buscas e foi nessa observação que encontraram os 12 satélites.

Em virtude de serem corpos com dimensões pequenas, as luas demoraram a ser encontrados e teriam sido atraídas pela força gravitacional de Júpiter. Em síntese, os pesquisadores acreditam ainda que outras luas podem ser encontradas orbitando o planeta.

Das doze luas encontradas, nove são retrogradas, ou seja, orbitam no sentido oposto ao da rotação do planeta. Essas ainda levam cerca de dois anos para completar uma órbita ao redor do gigante Júpiter.

Outras duas estão mais próximas do planeta e levam em média, menos de um ano para completar uma órbita.

Luas de Júpiter, o que são? características e curiosidades
Correio Braziliense

A última lua, chamada pelos pesquisadores de Lua ‘Valetudo’ ou Excêntrica, impressiona por ter uma órbita nunca vista em outra lua joviana. É provável que sua característica primordial mostre ainda, que ela é a menor lua de Júpiter e leva cerca de um ano e meio para completar sua órbita.

Nesse sentido, a lua ‘valetudo’ ou excêntrica, consegue atravessar luas retrógradas que estão no exterior. Esse aspecto pode facilmente causar colisões frontais capazes de quebrar e triturar outros objetos do espaço.

Segundo planeta com mais luas

Em conclusão, depois da descoberta das 12 novas luas, o número de satélites encontrados na orbita de Júpiter subiu para 79. O planeta é o segundo com o maior número de satélites naturais, ficando atrás somente do planeta dos anéis, Saturno, que atualmente contas com 82 luas.

Gostou da matéria? Que tal saber mais sobre as definições e características dos Corpos Celestes?

Fontes: Realidade simulada, Hiper Cultura, Colégio Web, Super interessante, Canal tech, Info escola,

Imagens: Aventuras na História, National Geographic Brasil, Agência Espacial Brasileira, Revista Galileu, Astronomia Online, Nasa, Correio Braziliense, Hypescience,