História

Inconfidência Mineira, o que foi? História, causas e consequências

A Inconfidência Mineira, também chamada de Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta de cunho separatista, liderada por Tiradentes.

Atualizado em 04/08/2020

A Inconfidência Mineira, também chamada de Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta de cunho separatista. Tentativa porque, durante a preparação para estourar a revolta, a Coroa Portuguesa acabou descobrindo as ações dos inconfidentes, antes mesmo do conflito se iniciar.

Naquela época, mais precisamente no século XVIII, a Capitania de Minas Gerais era a mais vigiada por Portugal. Isso porque, a região era a que mantinha economicamente a corte portuguesa. As jazidas de ouro encontradas em Minas Gerais rendiam muito capital para a metrópole. Inclusive, o Brasil vivia o ciclo do ouro, momento em que o país crescia industrial e comercialmente.

Com o faturamento gerado pelas minas, a Coroa Portuguesa aumentava as cobranças sobre a colônia e dificultava o comércio e a indústria. Um dos motivos era a imposição de leis e altas taxas de impostos. Na época, o imposto era chamado de quinto, onde os portugueses arrecadavam 20% de todo o ouro encontrado nas minas.

Por conta da insatisfação dos brasileiros em relação às cobranças, era comum que revoltas locais ocorressem. Em 1720, por exemplo, a população se uniu na Revolta de Vila Rica. Diferente da Inconfidência Mineira, grande parte dos conflitos locais não tinham objetivo separatista.

Contexto histórico

O ouro foi descoberto em Minas Gerais, quando a região ainda fazia parte da Capitania de São Vicente. Na época, foram os bandeirantes paulistas que descobriram, mas logo as jazidas começaram a ser exploradas por migrantes de outras capitanias. Assim, após a descoberta – e depois de muita disputa regional, como a Guerra dos Emboabas – a região se tornou Capitania de Minas Gerais, sendo uma das mais desenvolvidas da colônia.

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Mapa da Capitania de Minas Gerais

Por conta do crescimento econômico de Minas Gerais, Portugal decidiu aumentar a política fiscal da região. Sendo assim, já na segunda metade do século XVIII, os impostos no Brasil sofreram mudanças, ordenadas pelo governador de Portugal, Marquês de Pombal. Isso porque, o governador almejava reconstruir Lisboa após o terremoto que destruiu a cidade, em 1755.

As altas taxas de impostos não agradou a população brasileira, especialmente os moradores de Minas Gerais. Os impostos cobrados foram motivo para que a relação entre colonos e a Coroa entrasse em crise, em 1780. Assim, a população da Capitania de Minas Gerais começou a organizar a conspiração contra a coroa portuguesa.

Causas da Inconfidência Mineira

O aumento da cobrança de impostos nas capitanias do Brasil deixou a relação entre colonos e a Coroa instável. Por conta disso, a população brasileira decidiu se rebelar contra as ações da metrópole, que visava tirar grande parte dos lucros das minas de ouro. A princípio, a Inconfidência Mineira foi organizada pela elite socioeconômica da Capitania de Minas Gerais.

Mas logo depois, a conspiração contra a coroa contou com a participação de poetas, engenheiros, médicos, cônegos, militares, comerciantes, etc. Ou seja, a população estava focada em estabelecer condições para que a exploração da metrópole sobre a capitania fosse amenizada. Além disso, queriam se tornar independentes de Portugal, sendo então uma revolta separatista.

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Reunião secreta dos inconfidentes

Sendo assim, a população de Minas Gerais queria, além de acabar com a cobrança excessiva de impostos, tornar a região livre de Portugal e a transformar em uma república. Como as minas de ouro geravam renda suficiente para o sustento da capitania, a população tinha noção de que as condições econômicas eram suficientes para manter Minas sem a administração portuguesa.

Entretanto, com o passar dos anos, o ciclo do ouro começou a entrar em crise. Mesmo com a queda da produção, os impostos cobrados continuavam em alta. Durante a administração de Visconde de Barbacena – governador da Capitania de Minas Gerais – foi determinado que mais uma cobrança de imposto fosse estabelecida, chamada de “derrama”.

Em síntese, a derrama era uma cobrança obrigatória estabelecida para que a coroa portuguesa atingisse cem arrobas de ouro na arrecadação. Com o estabelecimento de um novo imposto, a população ficou ainda mais indignada, ainda mais porque Minas Gerais estava em crise.

Os inconfidentes

Com o novo imposto cobrado pela cora portuguesa, a elite socioeconômica se antecipou e começou os preparativos para a revolta. Na época, Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, era o comandante das tropas que cuidavam da estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais, chamada de Caminho Novo.

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Os inconfidentes pediram auxilio internacional, como dos EUA e da França

Tiradentes era comandante das tropas e, apesar do posto na conspiração contra a coroa, era o que possuía situação econômica mais humilde. A revolta começou a ser planejada, mais ou menos, na década de 1780. Dentre as imposições dos inconfidentes – integrantes do movimento separatista – estava a proclamação de uma república e realização de eleições anuais.

Além disso, almejam que manufaturas fossem instaladas em Minas Gerais a fim de diversificar a produção econômica na região. Por fim, a população de Minas também queria que uma milícia nacional, constituída apenas por representantes mineiros, fosse formada na região. Dessa forma, os inconfidentes buscaram ajuda internacional, como dos EUA e da França, para colocar as ações em prática, mas o plano não seguiu a diante.

Consequências da tentativa de revolta

Durante a elaboração da revolta contra a coroa, diversas reuniões secretas aconteciam em Minas Gerais. Antes mesmo que o movimento fosse deflagrado, a corte portuguesa recebeu denúncias de que um grupo planejava uma revolta na Capitania. Dessa forma, em 18 de maio de 1789, os inconfidentes descobriram que Portugal já sabia da movimentação contra a metrópole.

Dentre os integrantes do movimento, Visconde de Barbacena recebeu seis denúncias sobre a conspiração. Grande parte delas feitas por Joaquim Silvério dos Reis – devedor da coroa portuguesa – que denunciou o movimento para amenizar as dívidas que tinha com os portugueses. Assim, a coroa portuguesa ficou sabendo dos mínimos detalhes da revolta e agiu contra os inconfidentes antes que a revolta se iniciasse.

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Execução de Tiradentes

Nesse sentido, Visconde de Barbacena ordenou que a cobrança de imposto – chamada de derrama – fosse implementada na região. Em seguida, ordenou que os envolvidos na conspiração fossem interrogados e presos. Todo o processo contra os inconfidentes durou mais de três anos. A ação foi uma forma da coroa portuguesa mostrar superioridade política sobre a colônia e evitar que novas conspirações surgissem.

Tiradentes

Os envolvidos na Inconfidência Mineira foram condenados por morte na forca. Porém, d. Maria – na época, rainha de Portugal – concedeu liberdade a todos os presos, menos a Tiradentes. A prisão de Tiradentes ocorreu quando o líder do movimento estava no Rio de Janeiro, em maio de 1789.

Tiradentes foi o único condenado à morte por ter sido considerado o líder do movimento separatista. A coroa portuguesa acreditava que, matando Tiradentes, mostraria aos demais que Portugal ainda no comando político e econômico do país. Portanto, Tiradentes acabou enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro.

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Tiradentes

Por fim, a Inconfidência Mineira foi um dos movimentos separatistas mais forte dos colonos. A revolta organizada contra a coroa mostrou que os brasileiros queriam independência da metrópole, tanto política como economicamente. Anos mais tarde, uma nova revolta foi planejada. Dessa vez, os ideais republicanos foram elaborados pelos baianos, na Conjuração Baiana.

Curiosidades sobre a Inconfidência Mineira

Após a condenação de Tiradentes, seu corpo foi esquartejado e espalhado nas estradas de Minas e do Rio de Janeiro. A cabeça foi colocada na Praça de Vila Rica, como exposição. Porém, a cabeça de Tiradentes foi roubada após alguns dias em exposição e, até hoje, não se sabe o que aconteceu.

Após o fim da conspiração, a imagem de Tiradentes foi assemelhada à de Jesus. Porém, o inconfidente não tinha nenhuma relação física com o filho de Deus. Ou seja, Tiradentes não possuía barba longa e, muito menos, cabelos compridos. Inclusive, no momento da execução, o inconfidente mineiro estava com os cabelos e barba aparados, já que na prisão não era permitido que os cabelos ficassem grandes.

O que achou da matéria? Se gostou, confira também as causas da Guerra dos Mascates como o Quilombo dos Palmares foi formado.

Fontes: Só História, Brasil Escola e Toda Matéria 

Imagens: Na mira da História, Folha Nova, Vila AlfaresEduca mais Brasil, Mercado Popular e Revista Galileu

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.