História

Guerra de Canudos: a luta entre pobres e ricos no sertão baiano

A Guerra de Canudos teve sua origem na miséria da população do sertão nordestino, que queria uma vida melhor e sem os desmandos dos latifundiários.

Atualizado em 29/11/2018

A Guerra de Canudos ocorreu entre 1896 e 1897, no arraial de Canudos, no sertão baiano. É considerado o maior movimento de resistência à opressão dos latifúndios.

O povo do sertão nordestino vivia em miséria, dentro de grandes extensões de terras improdutivas.

Some-se se a isso o desabastecimento e a seca prolongada.

Os motivos da Guerra de Canudos

O contexto histórico do Nordeste no final do século XIX era o de um ambiente desesperador. Os baixíssimos rendimentos das famílias levavam à fome.

Quem plantava não colhia, pois a região do agreste ficava até anos sem receber chuvas. Os políticos locais não se importavam com as necessidades das populações carentes.

Os latifundiários tinham jagunços com o fim de proteger suas propriedades. Mas eles espalhavam a violência pela região, embora fosse uma estratégia de manutenção do poder dos fazendeiros.

Havia muitos beatos que pregavam no sertão e arrebanhavam seguidores prometendo uma vida melhor.

A Comunidade de Canudos

Antônio Conselheiro, nome adotado pelo cearense Antônio Vicente Mendes Maciel (1830-1897), se tornou uma figura messiânica.

Ele ficou conhecido no Nordeste a partir da grande seca de 1877. Sua figura passou a representar uma esperança de salvação, pois pregava uma nova era.

A Guerra de Canudos foi a luta dos pobres contra os poderosos

Não tardou para que uma multidão de peregrinos se juntasse a Conselheiro. Formou-se então uma organização político-religiosa, paralela à República e à Igreja.

Conselheiro organizou o Arraial de Canudos e ali se juntou cerca de 25.000 pessoas, protegidas por jagunços bem armados. E rebatizou o local de Belo Monte, a cidade santa.

Ali não existiam diferenças sociais e os rebanhos e as lavouras pertenciam a todos. Esse modelo socioeconômico era uma atração constante para milhares de sertanejos.

Só que os padres viram suas igrejas se esvaziarem e os fazendeiros foram perdendo a mão de obra. Então se reuniram e decidiram reagir ao crescimento da povoação.

A Guerra de Canudos tem início

Padres e coronéis pressionaram o governador da Bahia, que enviou duas expedições militares. Mas os homens de Conselheiro, usando técnicas de guerrilha, conseguiram vencer.

O vice-presidente Manuel Vitorino, que ocupava naquele momento a presidência substituindo Prudente de Moraes, enviou a terceira expedição. Era comandada pelo coronel Moreira César.

Tornou-se para o governo uma questão de honra militar e nacional combater o fanatismo. Mas essa expedição também foi derrotada e o comandante morreu em combate.

As vitórias de Conselheiro se explicam no fato de os soldados não conhecerem a Caatinga, que era a morada dos sertanejos.

A Guerra de Canudos foi a luta dos pobres contra os poderosos

A destruição do povoado e a morte de todos os envolvidos

Diante disso, Prudente de Moraes ordenou ao ministro da Guerra, marechal Bittencout, que fosse para a Bahia e pessoalmente assumisse o controle direto das operações.

Foi então organizada nova expedição, com mais de 5000 homens sob o comando do general Artur Oscar, com a ordem de destruir Canudos.

O lugar sofreu intenso bombardeio de canhão e a missão foi cumprida. Canudos foi totalmente destruída em 5 de outubro de 1897.

As tropas oficiais não fizeram prisioneiros e mataram, depois decapitaram, milhares de camponeses.

Curiosidades sobre a Guerra de Canudos

No livro Os Sertões, Euclides da Cunha conta que os cadáveres foram decapitados e as cabeças espalhadas nas margens da estrada.

Antônio Vicente Mendes Maciel, que era professor, comerciante e advogado, depois que foi abandonado pela esposa, saiu pelo mundo. Seguiu perambulando pelo sertão e pregando a salvação de pobres e humildes.

A Guerra de Canudos foi a luta dos pobres contra os poderosos

Para bombardear Canudos, foram usados canhões Withworth, de 32 milímetros. Cada um pesava 1,7 tonelada  e precisou de 40 bois para ser puxado.

Ao todo, mais de 12 mil soldados de 17 regiões do Brasil participaram das operações. Hoje se considera que o conflito foi o maior massacre em território nacional, pois somou a morte de mais de 25 mil pessoas.

Não é interessante saber da Guerra de Canudos? Leia também interessante matéria sobre o que foi a Balaiada, a revolta maranhense contra o Império.

Fonte: Só História, Info Escola, Historia do Mundo, Toda Matéria, Brasil Escola, Sua Pesquisa, História do Brasil.