História

Golpe de 64, o que foi? Histórico, cenário político e consequências

Golpe de 64 resultou das articulações entre 31 de março e 1º de abril de 64. Militares tiraram Jango do poder e instauraram a ditadura militar

Atualizado em 15/11/2019

A tomada de poder que ocorreu entre os dias 31 de março e 1º de abril é denominada Golpe Civil-Militar de 1964. Dessa forma, o Golpe de 64 teve como partida a tirada de poder do então presidente João Goulart e tornou o Brasil uma ditadura militar até 1985.

Assim, o regime ditatorial imposto pelo golpe de estado foi caracterizado por censura, sequestros e execuções. Por consequência, o golpe de 64 foi realizado para justificar as ações comunistas do presidente Goulart. Logo, os militares, para fugir “das ameaças comunistas” deram o golpe que foi apoiado por empresários e empresas estrangeiras.

Acredita-se que a igreja também teve participação no golpe de 64, já que era contrárias as ideias comunistas. Nesse sentido, todo o panorama político, social, econômico e cultural do Brasil foi drasticamente mudado. Assim, o período ditatorial perdurou até o ano de 1985.

Histórico do Golpe de 64

O golpe de 64 começou a ser traçado para João Goulart, também conhecido como Jango, assim que ele venceu as eleições e se tornou presidente do Brasil. Em resumo, foi uma articulação que ocorreu entre militares e políticos para que o então presidente fosse tirado do cargo.

Golpe de 64, o que foi? Histórico, causas, repercussão e consequências
Militares tentam invadir UNB em 1968. Fonte: Portal Mato Grosso

Dessa forma, antes mesmo de Jango tomar posse, várias foram as tentativas para que a posse não ocorresse. Assim, Goulart só conseguiu se tornar presidente devido à mudanças no sistema parlamentarista. Logo, o poder do Executivo foi reduzido.

Após as eleições e a posse de João Goulart, o presidente seguia com dificuldades em relação aos grupos conservadores brasileiros. Assim, os grupos acreditavam que Jango possuía ideias comunistas. Dessa forma, as crises econômicas se iniciavam e, após a implantação das Reformas de Base, o quadro se agravou ainda mais.

Entretanto, o maneira como Jango comandava o Brasil desagradava, além dos conservadores, também os Estados Unidos. Assim, os EUA acreditavam que a ideologia de João Goulart pendia muito para o lado comunista e isso não era o que se esperava de um presidente brasileiro, de acordo com eles.

Empecilhos do governo

Além disso, duas ações do então presidente João Goulart desagradaram ainda mais os EUA, a criação da Lei de Remessas de Lucros de 1962 e a política externa que o Brasil possuía independente dos EUA. A partir disso, os EUA passaram a financiar empresários e políticos conservadores.

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Presidente João Goulart. Fonte: Estudo Prático

Dessa forma, os grupos que recebiam apoio dos norte americanos foram chamados de “complexo Ipes-Ibad”. Assim, a sigla Ipes significa Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, enquanto Ibad, Instituto Brasileiro de Ação Democrática.

É importante ressaltar que o Ibad recebeu financiamento para arcar com os custos eleitorais de mais de 800 políticos durante as eleições daquele ano. Assim, foi aberto uma CPI  Comissão Parlamentar de Inquérito – contra o órgão porque esse tipo de ação não era permitido na época. Assim, a ação tinha como objetivo montar uma frente parlamentar apenas com políticos conservadores e assim, barrar o presidente João Goulart.

Além disso, a imprensa teve forte impacto na desestabilização do governo de João Goulart e por consequência, também apoiou o golpe. Logo, os jornais que obtinham maior audiência se uniram para criar a chamada Rede da Democracia. Assim, os grupos televisivos, jornais impressos e de rádio articulavam com empresários e políticos conservadores.

Radicalização política

Durante o governo de João Goulart, o Brasil se via definitivamente marcado entre os grupos de esquerda e dos grupos de direita. Assim, cada vez mais, movimentos sociais, camponeses, operários e estudante se fortaleciam com o governo de Jango. Dessa forma, essas ações deixavam a direita cada vez mais incomodada.

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Ação militar em 1964. Fonte: Mercado Popular

Um ponto que gerou bastante discussão foi a criação das Reformas de Base. Assim, com a criação do programa, debates sobre a reforma agrária, tributária, eleitoral, bancária, urbana e educacional foram propostas. Logo, Jango criou uma agenda para que cada setor fosse debatido. Porém, o ponto que chegou a ser mais discutido foi o da reforma agrária.

Dessa forma, a reforma agrária foi responsável por dividir o país entre esquerda e direita. Além disso, grupos de camponeses ocupavam propriedades rurais e exigiam que a reforma fosse coloca em prática. Entretanto, os proprietários rurais eram contrários à reforma.

As propostas defendidas pela reforma agrária não era consenso entre os proprietários rurais. Dessa forma, a situação começou a se agravar e ocupações de terras por parte dos grupos de camponeses começaram a se espalhar pelo país. Por consequência, o enfraquecimento do governo de Jango fez com o que parlamentares do PSD migrassem para a oposição.

Apesar de todas as forças para depor o presidente João Goulart, a população se mantinha ao seu lado. Dessa forma, as ações golpistas arquitetadas pela imprensa, grupos civis e militares não foram suficientes para abalar a opinião da população brasileira. Assim, dados do Ibope de março de 1964 demonstravam que 45% da população considerava o governo de Jango “bom” ou “ótimo”.

Declínio de Jango

Em síntese, a situação do Brasil em 1963 já era considerada um caos. Isso porque, camponeses e operários urbanos cobravam insanamente uma postura mais firme do governo. Enquanto isso, grupos de direita articulavam o golpe com os militares para tiraram Jango do poder. Assim, em meio as crises que se instalavam, o presidente foi perdendo apoio.

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Protesto da classe média. Fonte: Portal Mato Grosso

Assim, ações como a Revolta dos Sargentos, fizeram do governo de Jango ainda mais instável. Logo, os sargentos protestavam em relação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir sargentos nos cargos do Legislativo. Dessa forma, os sargentos ocuparam prédios do governo em Brasília. Porém, logo foram contidos.

Entretanto, a ação dos sargentos não teve nenhuma punição por parte do governo de Jango. Assim, o grupo das Forças Armadas entenderam a atitude do presidente como branda. Além disso, a proposta de Estado de Sítio apresentada por Jango no Congresso fez o presidente se enfraquecer ainda mais.

Dessa forma, a proposta for rejeitada pro grande parte do Congresso, incluindo os grandes partidos como UND, PSD e PTB. Assim, Jango retirou a proposta. Por consequência, os dois ocorridos foram responsáveis por abalar negativamente o governo do então presidente.

O golpe de 64

A situação política e econômica se agravava no Brasil. Assim, grupos de direita se articulavam para a tomada do poder e o golpe de 64.

Por consequência, uma ação de Jango intensificou as ações do golpe e em 13 de março de 1964, foi realizado o Comício da Central do Brasil. Nesse sentido, o comício reuniu mais de 150 mil pessoas e João Goulart voltou a discursas sobre as Reformas de Base.

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Congresso Nacional, em Brasília, em 1964, quando ocorreu o golpe. Fonte: Day News

Dessa forma, grupos de direitas acreditaram que Jango havia abandonado a política de conciliação. Assim, acharam que o presidente partiria para a defesa das Reformas de Base com o apoio dos movimentos sociais.

Entretanto, as ações envolvendo movimentos sociais foram suficientes para os grupos de conservadores de rebelarem. Assim, articularam uma marcha no dia 19 de março, denominada Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Dessa forma, a ação – que foi organizada pelo Ipes –  reuniu cerca de 500 mil pessoas que defendiam os militares no governo e abominavam o comunismo no país.

Dessa forma, grupos de militares apoiados por membros do Ipes e pelos EUA planejam o golpe para o dia 10 de abril. Porém, os planos não saíram como o planejado. Portanto, foi no dia 31 de março que o comandando Olympio de Mourão iniciou o golpe de 64.

Consequências

Durante as ações que ocorrem após o golpe de 64, João Goulart não tomou nenhum tipo de posição. Assim, não houve o impedimento para que os militares chegassem ao poder. Entretanto, grupos de esquerda aguardavam uma ordem do então presidente para que pudessem contra atacar. Porém, a ordem nunca veio.

Golpe de 64, o que foi? Histórico, causas, repercussão e consequências
Castelo Branco foi o primeiro presidente da Ditadura Militar. Fonte: Transforma MP

Assim, Jango perdeu completamente os parlamentares que o apoiavam. Logo, qualquer tipo de resistência interna estava cada vez mais distante. Dessa forma, no dia 02 de abril de 1964 o Senador da República, Auro de Moura, abriu vaga a presidência da República.

Nesse sentido, as portas estavam abertas para que os militares tomassem o poder. Por consequência, no dia 9 de abril o Ato Institucional nº1 foi decretado e a Ditadura Militar se instalava no Brasil, tomando forma com o apoio de empresários e dos EUA.

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Fontes: Brasil Escola, Info Escola

Fonte imagem destaque: Historiazine

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/dayane/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Dayane Borges</a>
Por Dayane Borges
Jornalista e redatora com experiência em escrita criativa, adequação e produção de conteúdos multimídia para a web.