Ciências

Planta brasileira usada por indígenas há seculos é capaz de frear superbactérias mortais

Atualizado em 14/02/2017

Um extrato de baga usado por indígenas na América do Sul durante séculos poderia oferecer uma nova maneira de combater a resistência aos antibióticos.

Pesquisadores dizem que os frutos vermelhos da Aroeira-Vermelha contêm um composto que pode quebrar a virulência do MRSA– uma bactéria perigosa que desenvolveu resistência a muitos  antibióticos comumente usados.

Staphylococcus Aureus. Crédito: Y Tambe

A MRSA causa  lesões na pele, mas infecções graves podem ser fatais, com estimativas de que a superbactéria cause cerca de 11.000 mortes nos EUA a cada ano.

Mas pesquisadores da Emory University dizem que um extrato das bagas da aroeira-vermelha brasileira pode impedir que ratos infectados com MSRA desenvolvam essas lesões, reprimindo um gene que as bactérias usam para a comunicação.

É uma nova descoberta para um remédio para a pele usado há séculos.

“Os curandeiros tradicionais da Amazônia usaram a aroeira-vermelha brasileira há centenas de anos para tratar infecções da pele”, diz a etnobotanista Cassandra Quave , que investiga as técnicas de tratamentos da cultura indígena para encontrar novos drogas.

“Nós separamos os ingredientes químicos das bagas e sistematicamente testamos contra bactérias causadoras de doenças para descobrir o mecanismo medicinal desta planta.”

O extrato – chamado 430D-F5 – é uma mistura de 27 produtos químicos , e quando foi dado a ratos infectados com MSRA, os animais tratados não desenvolveram lesões cutâneas, enquanto que o grupo não tratado desenvolveu.

Segundo a equipe, o composto não mata as bactérias, mas silencia um gene que permite que elas comuniquem-se coletivamente umas com as outras.

“O extrato desarma a MRSA [bactéria], impedindo-a de excretar as toxinas que usa como armas para danificar tecidos”, diz Quave .

“O sistema imunológico do corpo, em seguida, tem uma melhor chance de curar uma ferida.”

Enquanto silenciava os canais de comunicação da MSRA, o extrato não parecia prejudicar os camundongos ou tecidos da pele e não afetava as bactérias saudáveis ​​na pele dos animais – isso simplesmente evitava que as bactérias liberassem coletivamente toxinas que causassem furúnculos e feridas.

Aroeira- Vermelha. Crédito: Forest & Kim Starr

“Isso meio que as engana e a fazem acreditar que estão sozinhas. Quando estão sozinhas, elas se comportam de maneira diferente do que quando estão em um grupo”.

Embora os efeitos de silenciamento do 430D-F5 só tenham sido demonstrados em camundongos até agora, os pesquisadores esperam que um estudo mais aprofundado destaque novas vias para o tratamento de infecções bacterianas em humanos – especialmente porque a aroeira-vermelha brasileira já é tradicionalmente usada para feridas e úlceras infectadas .

Esses compostos naturais podem ser um boa alternativa para matar bactérias nocivas, ao invés da abordagem mais agressiva dos antibióticos – que pode levar algumas bactérias a se transformarem em cepas mutantes perigosas que são resistentes aos antibióticos comuns que usamos.

“Em alguns casos, você precisa entrar pesadamente com antibióticos para tratar um paciente”, explica Quave em um comunicado à imprensa .

É importante notar que, devido o composto não matar as bactérias, não é uma cura para MRSA, sendo que os ratos tratados ainda estavam infectados.

A equipe está agora analisando como o extrato de baga da aroeira-vermelha brasileira pode ser usada de forma segura e eficaz em seres humanos, com a intenção de futuramente conduzir testes clínicos em humanos.

Enquanto isso, os pesquisadores dizem que é imprudente considerar a escolha das bagas para qualquer remédios caseiros – pois anos de testes ainda são necessários para se certificar de que eles são totalmente seguros, apesar de seu uso tradicional.

 

Fonte: Science Alert.