Ciências

Novas descobertas sobre o cérebro podem alterar os rumos da ciência

Novas descobertas sobre o cérebro pode alterar o mundo científico. Veja porque as abelhas estão relacionadas com esse processo

Atualizado em 19/10/2015

Você pode pensar que nosso cérebro é o piloto da nossa máquina corporal. Por muito tempo, acreditou-se que esse piloto trabalhava sozinho, ou que seus ajudantes seriam apenas os neurônios. Mas, uma recente descoberta pode alterar bastante os conhecimentos sobre nosso cérebro.

Uma nova pesquisa, coordenada por Carl R. Woese do Instituto de Genoma e Biologia da Universidade de Illinois (Urbana-Champaign) trás um elemento novo: o relacionamento dos genes e dos neurônios nas atividades cerebrais. As pesquisas sobre cérebro, até então, acreditava num papel muito superior dos neurônios. Agora, novos resultados podem mostrar uma relação diferente.

“Estamos começando a apreciar como genes e de neurônios trabalham juntos, como software e hardware, para tornar possível o funcionamento do cérebro. Aprender a compreender este sistema de duas camadas pode nos ajudar a entender como o ambiente afeta o comportamento, e como hackear o sistema para melhorar a saúde mental”, revelou um dos cientistas do Instituto.

Cérebro: um estudo complexo

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Ao pesquisar o cérebro daqui pra frente, é provável que cientistas não se esqueçam da influência dos genes!

A complexidade do estudo do cérebro humano tornou-se evidente no final do século 19, quando dois anatomistas especializados: Camillo Golgi da Itália e Santiago Ramón y Cajal da Espanha, inventaram técnicas de coloração de tecidos que revelavam redes microscópicas relacionadas com células neurais.

Sabemos agora que, cerca de 100 bilhões de neurônios, se conectam uns com os outros em um cérebro humano para formar circuitos complexos que carregam mensagens elétricas e químicas, com o objetivo de fazer memórias e gerenciar comportamentos. Esta estrutura física, base das descobertas científicas desse momento histórico, constitui o “hardware” do nosso sistema de controle neural.

Estudos sobre cérebro no século XXI: o papel dos genes

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Os genes são traduzidos em proteínas que também desempenham um papel importante no cérebro

A ciência que se dedica ao estudo dos Genes, principalmente no século XXI, trouxe uma nova surpresa sobre o cérebro: cientistas examinam todo o conjunto de informação genéticas contidas no interior das células, as atividades dos genes e as interações entre eles. Essa pesquisa revelou que os genes do cérebro são consideravelmente mais envolvidos no comportamento do que se imaginava.

Alguns dos primeiros insights sobre a estreita relação entre o comportamento e a influência dos genes com a atividade cerebral veio de uma fonte bastante improvável: o cérebro da abelha. As abelhas, como seres humanos, vivem em uma sociedade complexa, e também são fortemente influenciados pelo que os outros ao seu redor estão fazendo.

Por que estudos com abelhas podem explicar o cérebro humano?

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Estudar as abelhas pode ajudar a entender o cérebro humano

“Meu laboratório descobriu que as mudanças no comportamento são orquestrados por atividade alterada de milhares de genes no cérebro das abelhas. Em alguns casos, a relação entre o comportamento e atividade genética do cérebro é tão estreita que um programa de computador pode prever com precisão, a partir de padrões de atividade cerebral de um único gene, o comportamento da abelha”, disse o coordenador da pesquisa.

Acontece que, as respostas genômicas semelhantes são encontrados em muitas outras espécies, incluindo os seres humanos.

Brasileiros não estão fora dos estudos sobre genética e abelhas

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Os brasileiros não estão de fora da lista de pesquisadores que se dedicam a entender genomas em estudos de abelhas. Alguns pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), no campus de Ribeirão Preto, publicaram seus  estudos sobre genética de abelhas em duas revistas de grande impacto científico.

A primeira delas está presente na edição de abril da Genome Biology e trata da análise e comparação de genomas de duas espécies de mamangavas: a Bombus terrestres e Bombus impatiens. Já a segunda publicação importante desse grupo de pesquisadores da USP está na edição de junho da Science, a publicação é uma análise de um conjunto de dez genomas de abelhas de diferentes graus de sociabilidade, além de sequenciamento de seis novos genomas.

Morgan Freeman em defesa das abelhas

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Morgan Freeman em entrevista ao programa The Tonight Show

Além dos estudos e avanços para entender o cérebro humano utilizarem as abelhas, existem pesquisas sérias que relacionam as fabricadoras de mel a um equilíbrio ambiental. Além de pesquisadores e ativistas ambientais, alguns atores famosos já saíram na defesa das abelhas.

“Há um grande esforço para salvar as abelhas. Nós não percebemos que elas são a base, penso eu, do crescimento do planeta e da vegetação”, comentou Morgan Freeman em entrevista ao programa The Tonight Show, do apresentador Jimmy Fallon. O ator revelou que construiu um refúgio com plantas apícolas amigáveis, o que inclui árvores de fruto, magnólias e lavanda- tudo isso para fazer sua parte na defesa das abelhas.

Se você compreende bem inglês, pode acompanhar este trecho da entrevista aqui. Se não tente ativar aquelas legendas traduzidas (na hora do desespero):