Fauna

Descubra em que o sangue se transforma após uma picada de cobra

O sangue humano muda radicalmente depois de uma picada de cobra. Porém, veneno de cobra também pode ser utilizado para tratar doenças, descubra quais.

Atualizado em 28/10/2015

Alguns bichos são odiados por muitas pessoas. A cobra é um desses animais que tendem a causar espanto. O veneno de uma cobra pode realmente alterar bastante nosso sangue, mas você sabia que cientistas brasileiros conseguem utilizar o sangue de algumas serpentes para tratar doenças?

Muitas pessoas possuem medo de picada cobra, pois algumas delas – como as encontradas Sudeste Asiático, pode causar reações corporais como: insuficiência renal, redução da frequência cardíaca, queda de pressão arterial, e em casos mais extremos até uma hemorragia generalizada.

O veneno de algumas cobras é causa de morte de centenas de pessoas todos os anos. Isso porque a textura de nosso sangue muda radicalmente com algumas gotas de veneno de cobra, o que atrapalha a circulação.

O que acontece com nosso sangue após uma picada de cobra?

Segundo György Böhm, um médico húngaro professor Faculdade de Medicina da USP “o sangue que flui em nossas veias, está em um delicado estado de equilíbrio: não deve coagular rapidamente e nem pode ser incoagulável”, explicou o professor que vive no Brasil desde 1947.

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E o que uma picada de cobra pode afetar nesse balanço? O professor explica: “O veneno das serpentes perturbam esse equilíbrio e têm poder coagulante e hemorrágico ao mesmo tempo. Desencadeiam a coagulação do sangue na microcirculação, bloqueando o fluxo sanguíneo e dificultando a oxigenação de certos tecidos, como o renal, por exemplo”, explicou Böhm.

Resumidamente, o veneno de algumas cobras pode transformar nosso sangue em uma geleia, alterando completamente a textura em questões de segundos.

Confira esse processo no vídeo abaixo:

Existe algo de positivo em poder alterar o sangue com veneno de cobra?

Sim, se você pensou que essa alteração na textura do sangue pode trazer apenas coisas negativas ao novo corpo, está enganado. Pesquisadores brasileiros, que trabalham na Unesp de Botucatu e Bauru, acabaram ajudando a desenvolver um biocurativo que utiliza sangue e veneno para criar um super cicatrizante.

O biocurativo é uma espécie de curativos biológicos, e eles podem ser produzidos a partir do plasma fresco congelado e concentrado de plaquetas. No da pesquisa citada, o sangue foi recolhido de doadores do Hemocentro de Botucatu. Esses biocurativos possuem duas formas farmacêuticas: emulgel e laminar e podem ser indicados para tratar de feridas crônicas, em diferentes fases de processo de cicatrização.

Veneno para tratamento de úlceras e feridas em diabéticos

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Veneno de serpente pode tratar doenças. E a patente dessa pesquisa é brasileira. Foto: Divulgação

Curativos a partir de veneno, ultrapassam a questão de cicatrização, pois também já foram usados para curar úlceras venosas, arteriais, por pressão e até pé diabético. Nos últimos anos, a Agência Unesp de Inovação pediu patente ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

Esse tratamento de úlceras com selante de fibrina, derivado de veneno de serpente, tem sido desenvolvida desde 1989 pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp. Uma das preocupações dos pesquisadores, além de conseguir lidar com algumas doenças, é produzir um produto nacional com custo acessível, para ser utilizado em hospitais brasileiros, principalmente pela população que não pode pagar.