Ciências

Cientistas reprogramam células da pele para caçar e reduzir tumores cerebrais

Atualizado em 06/02/2017

Cânceres cerebrais podem ser realmente difíceis de tratar. Alguns, como glioblastomas, espalham raízes através do tecido cerebral, o que significa que são, muitas vezes, impossíveis de remover cirurgicamente, levando a baixas taxas de sobrevivência. Mas pesquisadores estão trabalhando em uma maneira de usar células-tronco para rastrear e matar o câncer. Ao fazer isso, eles conseguiram encolher tumores cerebrais em ratos em 2 à 5 por cento do seu tamanho original.

O método já havia sido testado antes em tumores de camundongos

O método já foi testado antes usando células-troco neurais para caçar e entregar drogas cancerígenas em tumores de camundongos. Mas há um problema: é complicado obter células-tronco neurais de seres humanos. A maneira mais segura de fazer isso seria usar células adultas e, em seguida, induzi-las em um processo de duas etapas para se tornar células-tronco neurais. Isso, no entanto, leva tempo.

“A velocidade é essencial”, diz  Shawn Hingtgen, que liderou a pesquisa publicada na Science Translational Medicine . “Costumava levar semanas para converter as células da pele humana em células-tronco. Mas pacientes com câncer de cérebro não têm semanas e meses para esperar. O novo processo que desenvolvemos para criar essas células-tronco é rápido o suficiente e simples o suficiente para ser usado para tratar um paciente “.

Era necessário acelerar esse processo

Os pesquisadores descobriram uma maneira de acelerar o processo, era removendo uma das etapas inteiramente, permitindo-lhes produzir as células-tronco neurais de células adultas da pele em apenas quatro dias . Normalmente, os pesquisadores precisariam coletar a célula da pele, induzi-la a se tornar uma célula-tronco genérica e, em seguida, força-la á se tornar uma célula-tronco neural.

Mas ao tratar as células da pele com um coquetel de substâncias bioquímicas, eles conseguiram que as células se transformassem diretamente em células-tronco neurais. Eles então testaram para saber se elas ainda tinham as mesmas propriedades que as células-tronco originais e eles descobriram que se comportavam exatamente da mesma maneira.

O passo final foi descobrir se poderiam de alguma forma engenhosa fazer com que essas recém criadas células pudessem entregar drogas que são direcionados para o câncer. Eles então conseguiram fazer com que essas células-tronco carregassem uma proteína particular que é capaz de ativar o que é chamado de “produg”, o que os pesquisadores descrevem como a formação de uma aréola de drogas em torno da célula-tronco.

“Nós estamos à um  ou dois anos longe de ensaios clínicos, mas, pela primeira vez, mostramos que a nossa estratégia para o tratamento de glioblastomas funciona com células-tronco e cânceres humanos, diz Hingtgen. “Este é um grande passo em direção a um tratamento real – e fazer uma diferença real.”

Fonte: UNCScience Translational Medicine