História

Ciclo do Ouro, o que foi? História, revoltas e atividade econômica

O ciclo do ouro foi a principal atividade econômica no Brasil durante o século XVIII, perdurando por pouco menos de 100 anos.

Atualizado em 16/10/2020

Já pensou se o ouro fosse a principal atividade econômica no Brasil? No passado, isso já aconteceu! O Ciclo do Ouro foi o período de maior extração e exportação de ouro durante o século XVII.

Isto porque, o Brasil enfrentava dificuldades financeiras por volta de 1750 e 1770, quando houve queda da exportação de açúcar para a Europa. Assim, quando os portugueses descobriram abundância de ouro em terras brasileiras, enxergaram como uma saída para retomar a estabilidade econômica do país.

Dessa forma, vamos aprender um pouco mais sobre a história do ciclo do ouro, as revoltas e a atividade econômica que permaneceu quase 100 anos no Brasil Colônia.

Origem do Ciclo do Ouro

Os primeiros exploradores do ouro e metais valiosos tinham a intenção de levar o achado para a metrópole do Brasil, a fim de desfrutar dos valores.

Ciclo do Ouro
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No entanto, as chamadas jazidas de ouro foram encontradas em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. De modo geral, o auge do ciclo do ouro ocorreu no século XVIII, época em que essas regiões se tornaram muito visadas.

Tanto que houve um enorme fluxo de pessoas interessadas em mercadorias, produção de manufaturas e comércio de metais. Ao passo que, a população brasileira pulou de 300 mil para 3 milhões de pessoas.

Nesse meio tempo, a exploração do ouro se tornou a mais lucrativa para a colônia portuguesa, visto que houve a transferência da capital colonial, de Salvador para o Rio de Janeiro. Essa mudança teve como objetivo facilitar a fiscalização das regiões de minério.

Sobretudo, o ciclo do ouro teve fim em meados de 1785, quando se esgotaram os vestígios de exploração nas minas. A maioria dos lucros foi destinada para a Inglaterra, visto que os portugueses tinham dívidas previstas no Tratado de Methuen.

Casas de Fundição

A Casas de Fundição eram responsáveis pela preparação do ouro, assim derretiam as pedras para transformá-las em barras.

Ciclo do Ouro, o que foi? História, revolta e atividade econômica
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Além disso, geravam um selo que permitia a negociação e venda das barras. Dessa forma, a Coroa Portuguesa tinha controle e domínio sobre o minério extraído, aproveitando a situação para cobrar impostos altíssimos.

A partir disso, os portugueses criaram mecanismos para impedir a sonegação e desvios do ouro.

  • Quinto: O rei de Portugal ficava com 20% de toda a produção do ouro;
  • Derrama: A meta de extração do ouro era de aproximadamente 1.500 kg por ano, visto que os senhores de lavras tinham os bens penhorados, caso não atingissem essa quota colonial;
  • Capitação: O senhor de lavras pagava impostos por cada escravo dos seus lotes.

Ainda mais, ao encontrar novas jazidas de ouro, a pessoa tinha que comunicar imediatamente a sua descoberta na Intendência. Assim, os intendentes cercavam o local, que eles chamavam de datas, estas mediam cerca de 66 metros quadrados.

minas de jazidas
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O descobridor do ouro ficava com duas datas, a Coroa Portuguesa e o chefe de Intendência levavam uma data cada um. A saber, as outras datas eram vendidas em leilões. No entanto, só podiam comprar datas, quem possuía pelo menos 12 escravos.

Rota do Ouro

No início do ciclo do ouro só existiam dois caminhos, estes eram entre Minas Gerais e o litoral. Um deles era o Caminho Velho das Gerais, que tinha saída de São Paulo.

Rota de mineração
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Já a outra rota, era a Serra da Mantiqueira, que tinha saída de Parati. Nesse sentido, se precisasse sair do Rio de Janeiro, a pessoa tinha que ir de barco até Parati.

A propósito, os viajantes levavam cerca de 2 meses para chegar nas minas. Por esse motivo, uma terceira rota chamada Caminho Novo das Gerais foi construída, com saída do Rio de Janeiro direto para Minas Gerais.

Com isso, a Coroa Portuguesa utilizava agentes em pontos estratégicos da rota para fiscalizar viajantes, já que o ouro precisava passar pelos registros e ser tributado. Ademais, a população sempre encontrava um jeito de burlar o sistema dos portugueses.

Revoltas do Ciclo do Ouro

A população brasileira fico revoltada com a imposição da Coroa Portuguesa em relação ao ouro. Por esse motivo, surgiram diversos movimentos.

Ciclo do Ouro
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  • Guerra dos emboabas: os paulistas e portugueses se enfrentaram pelos direitos de exploração do ouro em Minas Gerais, a guerra dos emboabas aconteceu entre os anos 1707 e 1709;
  • Revolta de Felipe dos Santos: Também conhecido como Revolta de Vila Rica, o movimento se deu em 1720, por causa da insatisfação da população contra a forte fiscalização portuguesa, punições e impostos abusivos.
  • Inconfidência mineira: Também conhecido como Conjuração Mineira, este movimento aconteceu em 1789 no estado de Minas Gerais. Ao passo que, o objetivo da revolta era desmembrar o Brasil de Portugal.
  • Conjuração baiana: conhecido como Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, esse movimento aconteceu em 1798 na Capitania da Bahia. Esta defendia a Proclamação da República e o fim da escravidão no Brasil. Além disso, tiveram influência direta na mudança da capital da colônia, na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos.

Como resultado, os portugueses se aproveitaram da riqueza brasileira ao impor taxas abusivas, punições, altos impostos e excesso de poder político. Mesmo com o crescimento geográfico do Brasil, ao terminar o ciclo do ouro, a população ficou pobre e desigual, acarretando na agricultura de subsistência.

O que achou dessa matéria? Se gostou, corre pra conferir essa outra aqui: Borba Gato, quem foi? História, Guerra dos Emboabas e bandeirismo

Fontes: Toda Matéria, Educa Mais Brasil, Quero Bolsa e Curso Enem Gratuito.

Imagens: Orbita, Ensinar História, Quanto Custa, Youtube, Viagem e Turismo e Portal NFL 

Por <a href='https://conhecimentocientifico.r7.com/author/kariny/' rel='dofollow' class='dim-on-hover'>Kariny Bianca</a>
Por Kariny Bianca
Jornalista, goiana e aventureira, sempre em busca de conhecimento e informação. É amante da escrita, interessada em boas conversas e autora de um livro. (@bianca.kariny)