Descoberta incrível revela atividade humana nas Américas há 130 mil anos

Pesquisadores do sul da Califórnia descobriram evidências de que os seres humanos viveram lá há 130 mil anos.

O consenso geral é de que os seres humanos chegaram na América do Norte no mais tardar há 24.000 anos. Porém, a surpreendente descoberta arqueológica sobre a atividade humana na Califórnia mudou esta data para 131.000 anos atrás, alterando tudo o que os livros de história ensinavam até o momento.

“Alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias”, disse o co-autor Richard Fullagar, principal honorário da Universidade de Wollongong. “As datas são realmente notáveis, mas é difícil argumentar com a evidência clara que vemos. É incontestável”.

A descoberta

Em um sítio arqueológico em San Diego, Califórnia, foi encontrado os restos de um mastodonte, uma criatura ancestral dos elefantes a muito tempo extinta, incluindo várias presas com marcas de entalhes. Em uma inspeção minuciosa, estas marcas pareciam combinar perfeitamente com vários martelos, bigornas e ferramentas encontradas nas proximidades.

Tom Démeré / Natural History Museum/Nature

Nenhum resíduo humano foi encontrado, mas essas ferramentas se assemelhavam àquelas usadas pelos seres humanos e seus antepassados ​​em todo o planeta.

“O que é realmente notável aqui é que você pode combinar os martelos e as bigornas com as marcas nas presas do mastodonte, o que demonstra a interferência humana”, observou Fullagar.

Técnicas de datação de urânio revelaram que essas presas tinham 131.000 anos de idade, assim como as marcas nelas contidas. Nenhum carnívoro conhecido ou processo geológico poderia ter feito entalhes tão precisos sobre elas, e o próprio sítio tinha permanecido inalterado por processos erosivos desde que apareceu.

San Diego Natural History Museum/Nature

Identidade desconhecida

Os pesquisadores ainda não podem afirmar qual era a espécie desses hominídios que viveram há 130.000 anos no norte da América, as possibilidades mais prováveis, de acordo com a equipe, são que eles eram humanos anatomicamente modernos, Homo sapiens sapiens  e Homo neanderthalensis.

“Há vestígios de neandertais na Sibéria e, sem dúvida, eles poderiam ter feito a viagem durante o último interglacial quando o nível do mar era baixo”, comentou Fullagar, mencionando Beringia, a ponte de terra entre a Sibéria e o que é agora o Alasca, submersa há muitos anos.

Se estes viajantes eram neandertais, esta seria a primeira evidência deles encontradas fora da Europa. Curiosamente, os nativos americanos têm um número relativamente elevado de genes de Neanderthal em seus genomas.

 

Fonte: IFLScience.
Imagens: Bogdan Sonjachnyj/Shutterstock / Reprodução.


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